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ARGENTINA - COMBATE DE CLASSE

Lear: algumas lições de uma “escola de guerra” internacional

30/07/2014

Lear: algumas lições de uma “escola de guerra” internacional

A dura luta dos trabalhadores da fábrica de autopeças Lear Corporation, na Argentina, contra as centenas de demissões e suspensões ilegais promovidas por esta multinacional norteamericana, já se prolonga por 2 meses. Trata-se de uma histórica “escola de guerra”, no sentido leninista, tanto pelas lições internacionais que proporciona, quanto pela força conjunta dos inimigos que enfrenta: além da patronal imperialista, fornecedora da Ford, conta em seus ataques antioperários com a plena conivência do Governo nacional de Cristina Kirchner e da burocracia sindical do SMATA. A dureza do ataque patronal corresponde ao fato do conflito se situar no coração da indústria argentina, em um sindicato chave da produção, como efeito dos avanços nítidos do sindicalismo de base junto ã esquerda (particularmente o PTS – Partido dos Trabalhadores Socialistas, organização irmã da LER-QI na Argentina) nas principais fábricas da zona norte de Buenos Aires.

O governo nacional tem uma estratégia clara: tornar a Argentina um pólo de atração de capitais estrangeiros e, para isso, precisa atuar mais decididamente como “partido da ordem” burguesa contra a vanguarda do movimento operário. Toda a oposição patronal festeja que seja Cristina Kirchner quem imponha “linha dura” contra os setores avançados dos trabalhadores. Isto faz com que, mesmo estando numa situação absolutamente ilegal, a empresa tenha condições de endurecer suas medidas contra os trabalhadores. A burocracia sindical, com o fim de varrer a camada crescente de trabalhadores de base e o ativismo que não respondem a sua condução, usou métodos da época da ditadura, levando ã força os operários de Lear em ônibus até a sede do sindicato e, sob ameaça dos capangas, de demissão e fechamento da fábrica, sem qualquer discussão e impedindo presença dos delegados pra que se defendessem, obrigou-os a assinar a destituição dos delegados (4 trabalhadores que se negaram a assinar foram demitidos).

Esta ação ilegal e criminosa da empresa está a serviço de impor uma derrota rápida e esmagadora, pois, como dizia Lênin, assim como a empresa, “o Governo compreende muito bem que as greves abrem os olhos dos operários, razão porque tanto as teme e se esforça a todo custo para sufocá-las o quanto antes”-. E abriu os olhos de trabalhadores, causando uma enorme comoção em setores massivos da população, que se solidarizam com a demanda democrática da defesa dos empregos. Trabalhadores das fábricas da zona norte e comissões internas como da alimentícia Kraft, das gráficas Donnelley e Printpack, de Paty e da autopeças Gestamp, de professores de Buenos Aires e outras categorias, levam continuamente alimentos para sustentar o acampamento na porta de Lear. Estudantes das universidades da capital, junto ã Juventude do PTS e organizações solidárias, fizeram escrachos em 50 pontos simultâneos no país, nas sedes de empresas ianques como Ford e McDonald’s. Em três Jornadas Nacionais de Luta contra as demissões, milhares de trabalhadores que se organizam no Encontro Sindical Combativo bloquearam a rodovia Panamericana (principal acesso que liga a capital e a região industrial), e a entrada ao parque industrial, enfrentando-se com a polícia ou mesmo com “piquetes em automóveis”, ajudando criativamente a paralisar a produção em Lear e levar o conflito ao conhecimento público. Essa solidariedade das bases impôs até mesmo que setores da coalizão do governo e da burocracia sindical fossem obrigados a se posicionar em defesa dos demitidos (ainda que procurem evitar uma confluência operária).

Esta “união” da classe trabalhadora, na defesa de interesses comuns, é uma conquista duradoura que ensina também a “arte de lutar com inteligência” contra o inimigo de classe: “A greve ensina os operários a compreenderem onde repousa a força dos patrões e onde a dos operários, ensina a pensarem não só em seu patrão e em seus companheiros mais próximos, mas em todos os patrões, em toda a classe capitalista e em toda a classe operária [...], então os operários veem com clareza que toda a classe capitalista é inimiga de toda a classe operária e que os operários só podem confiar em si mesmos e em sua união.” Tudo em função de refletir permanentemente como vencer.

O “parlamentarismo revolucionário” daqueles que reivindicam a luta dos trabalhadores e a tradição do trotskismo é crucial fortalecer as batalhas extra-parlamentares dos trabalhadores. Com a contribuição de 100 mil pesos a partir da bancada do PTS na FIT, Nicolas Del Caño e Christian Castillo são parte da grande campanha para conseguir “1 milhão de pesos para a luta de Lear” como fundo de greve, organizando coletas, debates e festivais, para sustentar a luta pelo tempo que seja necessário, fazendo com que os operários confiem em suas próprias forças para derrotar a patronal.

A envergadura alcançada pelo conflito de Lear não seria possível sem a estratégia revolucionária do PTS no movimento operário. Acreditamos que esta é a forma de lutar corretamente em defesa das posições conquistadas pelos trabalhadores e fazer com que a causa dos trabalhadores de uma fábrica se torne a causa de todo o povo trabalhador. Retomando Lênin no conceito de “escola de guerra”, em que os operários aprendem a declarar a guerra (ainda que não se trate dela mesma) contra seus inimigos pela emancipação de todo o povo, este escola internacional (com solidariedade ativa, fazendo surgir militância operária, fundo de greve, parlamentarismo revolucionário) é prova de que é tarefa dos revolucionários organizar grandes batalhas de classe, e não rebaixar a atividade do movimento operário aos limites da legalidade do regime burguês. Como co-direção do Sintusp, na greve dos trabalhadores da USP nós da LER-QI nos fundamos justamente sobre esta estratégia para vencer, expressa por um mestre do comunismo: “os homens que resistem a tais calamidades para quebrar a oposição de um burguês, saberão também quebrar a força de toda a burguesia”.

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