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Internacional

Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopolítica

18/03/2015

Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopolítica

Depois de meses de controvérsias sobre o lançamento por parte da China do Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e as resistências diplomáticas dos EUA, que incentivava as potências ocidentais a boicotar a iniciativa, o apoio britânico ao projeto chinês agita a ordem financeira mundial.

Pequim e Washington: quando as disputas financeiras penetram a geopolítica
O AIIB nasceu em 2014 como uma das quatro instituições fundadas ou propostas por Pequim para colocar em marcha um sistema financeiro internacional alternativo ao criado depois da Segunda Guerra Mundial (Banco Mundial e o FMI), comandado pelos Estados Unidos. A missão principal do banco é o financiamento de projetos de infraestrutura. É claramente fruto das disputas de poder entre as duas superpotências econômicas, depois de anos em que o gigante asiático se manteve ã procura maiores de cotas de poder no Banco Mundial e no Banco Asiático de Desenvolvimento (controlados por Washington e Tóquio, respectivamente), correspondentes a sua crescente influência econômica mundial.

Incapaz de limitar o poder norteamericano nas instituições financeiras ocidentais, e estando ás portas do Acordo Trans-Pacífico que une 12 nações exceto a China, o governo de Pequim viu sua iniciativa fortalecida com a participação do Reino Unido, que aponta a conquistar uma influência primordial sobre os países da Ásia Pacífico (Cingapura, Vietnã, Filipinas, Mongólia, Malásia e Tailà¢ndia).

Além do Reino Unido, França, Alemanha e Itália confirmaram interesse em participar do AIIB.

A possibilidade de receber o afluxo dos enormes investimentos chineses em seu território atrai a atenção das principais potências européias ã instituição sediada em Xangai, já que se veem enfrentadas com grandes dificuldades econômicas com a crise do euro. As parcerias para o desenvolvimento de infraestrutura em países semicoloniais ou coloniais no sudeste asiático e na Ásia central poderiam favorecer as multinacionais européias em espaços de superexploração do trabalho, como Paquistão e Bangladesh.

A China aproveita a debilidade de Obama para impor-se no Pacífico

Tomando uma posição cada vez mais agressiva nas disputas regionais – principalmente com o Japão pelas ilhas Diayou/Senkaku, e com o Vietnã no mar do sul da China – o governo de Pequim terminou fortalecendo a presença de Washington em uma série de países, que se movimentavam para incrementar relações diplomáticas e militares com os EUA, contra a ameaça territorial chinesa. Não obstante, nos últimos meses a China modificou sua posição conflitiva, enfatizando a construção de relações econômicas que beneficiariam a região – incluindo uma nova “Rota da Seda” de comércio e infraestrutura na Ásia central, que deu origem a acordos de dezenas de bilhões de dólares com a Rússia para abastecimento de petróleo e gás natural, combinado com uma “rota da seda marítima” nos mares do sudeste asiático.

Gideon Rachman do Financial Timesargumenta que, nesta batalha pela influência asiática, a carta mais poderosa da China é a econômica, enquanto a carta forte dos EUA continua sendo seu poderio militar e sua rede de segurança, deixando os países em meio ao conflito prisioneiros de um dilema (uma vez que a maioria dos países que tem laços diplomáticos com Washington, como Austrália, Filipinas e Coréia do Sul, dependem comercialmente muito mais da China que dos EUA).

O que resplandece claramente destas “crises de identidade” dos países da Ásia Pacífico é que o poderio militar norteamericano já não basta para manter uma série de países respondendo aos comandos de Washington (um preço alto que a administração norteamericana tem de pagar por ainda não ter se desembaraçado dos problemas no Oriente Médio). O atraso de Obama em concluir a orientação para a Ásia deixa espaço aberto ao fortalecimento de uma China que tenta conter desde o início da crise financeira de 2008.

Desta forma, o poder econômico chinês começa a converter-se gradualmente em influência diplomática e política sobre uma região. Isto, entretanto, não significa que a China esteja no limiar do controle inquestionável desta porção do globo dominada pelos Estados Unidos e o dólar desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Limites e possibilidades

Cabe perguntar até onde pode chegar o crescente domínio chinês sobre os mercados asiáticos e latinoamericanos, sem que tenha modificado seu papel no sistema mundial de estados (ou seja, permanecendo um país dependente das exportações e dos EUA).

Como viemos discutindo, a China vive problemas econômicos internos graves, com um objetivo de crescimento do PIB para 2015 de 7%, a menor taxa em 25 anos, com o menor crescimento industrial desde 2008, o que obrigou Li Keqiang, primeiro ministro chinês, a assegurar que tomará medidas para que a debilidade econômica não afete o emprego.

Em comparação com a economia chinesa em desaceleração, a economia norteamericana anda em sentido contrário, recuperando-se lentamente e com o dólar em alta. Ainda que a grande reserva de dólares no Banco Popular da China torne o país menos vulnerável ã saída de divisas, não se pode descartar uma “aterrissagem forçada” do gigante asiático que culmine em grandes convulsões com a nova geração de trabalhadores que padeça o desemprego.

Outro perigo ronda a economia chinesa: a concessão de linhas de crédito a economias frágeis. Os empréstimos da China para a América Latina, de 2005 até 2014, totalizaram 119 bilhões de dólares (56 bilhões apenas para a Venezuela), segundo o think tank Inter-American Dialogue. Os dados do comércio entre China-África mostram desembolsos de 52.8 bilhões de dólares. O fim do superciclo das matérias-primas e a queda dos preços do petróleo, além da situação de deterioração econômica e política em países como Argentina, Equador e Ucrânia, expõem a economia chinesa a calotes da dívida nestes continentes.

Isso explica em parte que os movimentos ainda limitados da China, que busca um tipo de semicolonização através da diplomacia financeira, não poderão se concluir sem grandes convulsões internacionais e na luta de classes, ainda mais para uma economia que enfraquece. Beneficia-se das dificuldades políticas do imperialismo estadunidense, prisioneiro de suas escolhas no Oriente Médio e na Ucrânia enfrentada com a Rússia.

O palco estratégico da Ásia Pacífico tem seus ensaios preparatórios, e não uma nova ordem bem desenhada. Os EUA já não podem manter controle exclusivo sobre a região; a China ainda não pode arrogar-se um papel preponderante. Este é o sentido das pequenas, mas relevantes, investidas econômicas chinesas, convertendo antigos desafetos regionais em países cada vez mais dependentes da influência econômica de Pequim. Nada há de pacífico ou harmônico nestas disputas pela ordem financeira mundial.

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