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Bernie Sanders, uma via para a mudança política nos Estados Unidos?

28/02/2016

Bernie Sanders, uma via para a mudança política nos Estados Unidos?

Bernie Sanders monopolizou a atenção internacional devido ao seu discurso anti-establishment nas primárias do Partido Democrata. Quem é esse autodenominado "socialista", o qual a juventude adotou como seu candidato? Bernie Sanders, uma via para a mudança política nos Estados Unidos?

Nas primárias dos Estados Unidos, o voto castigo contra os candidatos identificados com o establishment e a elite política é o protagonista, tanto no Partido Democrata quanto no Republicano.

Os resultados das primárias de Iowa e New Hampshire colocaram Sanders lado a lado com a favorita Hillary Clinton. A boa performance de Sanders gerou expectativas de que um senador independente possa ganhar a indicação dos democratas.

Ainda que ambos os partidos contem com instrumentos para garantir que se imponham os candidatos do establishment, como os "superdelegados" ou o financiamento das suas campanhas, não podem impedir que se expresse a bronca contra e elite política e as grandes empresas.

Bernie Sanders é uma amostra desse fenômeno. Arrasa entre os jovens e os setores de baixa e média renda, enquanto Clinton lidera entre os mais velhos e os setores de renda mais alta. A novidade é que ainda que Hillary tenha sua maior força eleitoral entre as mulheres, os negros e os latinos, a simpatia por Bernie entre os jovens de 18 a 35 anos vem permitindo a ele diminuir a diferença nesses setores.

Segundo uma pesquisa da Reuters, o apoio a Sanders entre todos os afro-americanos não chega a 20%, mas ao observar a faixa entre 18 e 30 anos, o percentual chega a 33%, e este ainda pode não ser seu limite máximo. Cabe lembrar que em New Hampshire, Sanders surpreendeu ao obter o apoio de 87% das mulheres menores de 30 anos.

Não é de se estranhar a enorme simpatia pelo "socialista" Sanders entre essa geração conhecida como "millennial" que, como disse o jornalista britânico Owen Jones, está mais próxima da queda do Lehman Brothers que da queda do muro de Berlim. Se trata de uma geração que sabe que vai viver pior que seus pais, que não tem acesso à moradia, que está endividada por causa dos estudos, que só consegue trabalhos precários. São grande parte dos que questionaram a elite do 1% os que lutam pelo salário mínimo de 15 dólares por hora, contra o racismo e a xenofobia. Por isso a essência do fenômeno Bernie Sanders se encontra não em sua figura mas em seus eleitores.

Mas, quem é Bernie Sanders?

Bernie Sanders é senador pelo estado de Vermont desde 2007. Ainda que tenha ganho seu mandato como independente e costumem chamá-lo de "socialista", dentro do Senado norte-americano está alinhado com a bancada democrata. Em abril de 2015 anunciou que se apresentaria como pré-candidato nas internas do Partido Democrata.

Seu discurso contra as corporações e os bancos, sua proposta de educação universitária gratuita e programas contra a destruição do meio-ambiente, são parte do atrativo da sua candidatura, que se caracteriza por inúmeros atos, comitês de campanha locais e apoio entre grande parte dos movimentos sociais. Mas sobretudo o fato de que não pertença à elite que lidera os partidos tradicionais, particularmente que não seja um Clinton ou um Bush, o mostram como uma "figura nova", algo distinto no panorama bipartidarista. Uma característica diferente de sua campanha é a forma como é financiada, através de milhões de pequenos aportes, que não superam, em média, os 40 dólares cada.

Sanders é apresentado como um socialista, ainda que como ele mesmo explicou, seu "socialismo" não vá além de políticas relacionadas com o Estado de bem-estar social, especialmente o modelo dos países escandinavos. Em suas palavras, o "socialismo" significa:

"... que o governo deve cumprir um papel importante em assegurar que seja um direito de todos conseguir um plano de saúde (...) que não permitamos que as grandes corporações e interesses econômicos destruam nosso meio-ambiente, que acreditemos em um governo que não esteja dominado pelos grandes interesses econômicos (...). Para mim, significa democracia, francamente. Isso é tudo."

Começou sua carreira política em Vermont no início dos anos 80, onde foi prefeito da maior cidade do estado, Burlington, e representante na Câmara dos Deputados. Howard Dean, governador do estado de Vermont e ex pré-candidato democrata, se referiu a Sanders como um "democrata liberal, é um democrata que... se apresenta como independente porque não gosta da estrutura e do dinheiro que se utiliza... O importante é que Bernie Sanders vota com os democratas 98% das vezes". Sua carreira legislativa mostra a fidelidade da descrição.

Depois dos ataques de 11 de setembro, Sanders se uniu ao apoio quase unânime da "guerra contra o terrorismo", e votou a favor da resolução de autorização de uso da força (ainda que seus partidários assinalem que mais tarde se opôs a diferentes pontos particulares). Esta não foi a primeira vez que Sanders votou com o governo: nos anos 1990, havia apoiado o projeto do então presidente Bill Clinton para endurecer as leis de prisões e encarceramento (a mesma lei é apontada hoje como uma das responsáveis pelo encarceramento massivo de afroamericanos e a brutalidade policial racista). Em 2014 Sanders apoiou a resolução unânime do Senado para respaldar o Estado de Israel no bombardeio e invasão de Gaza. Não é difícil encontrar mais exemplos similares em suas votações, ainda que sua retórica seja mais exaltada ocasionalmente.

Além de votar com os democratas na maioria dos casos, a nível nacional, Sanders apoiou Obama nas duas últimas eleições. Os democratas têm sabido recompensar o apoio de Sanders ao não apresentar competidores a suas campanhas para renovar seu mandato legislativo em Vermont.

Apoia a demanda do salário mínimo a nível nacional, ainda que de forma gradual, e outras demandas progressistas como a igualdade salarial para as mulheres. No começo da campanha, um dos pontos polêmicos foi sua fraca denúncia da brutalidade policial racista, virtualmente à direita da própria Clinton que criticou inclusive as leis que acobertam a brutalidade policial. Isto lhe trouxe várias rusgas com o movimento Black Lives Matter, que não apoia nenhum candidato. No entanto, Sanders vem tentando ganhar maior apoio entre o eleitorado afroamericano, como demonstrou a reunião com o reverendo Al Sharpton, um dia depois de ganhar as eleições em New Hampshire, ou a adesão da filha de Eric Garner (assassinado pela polícia e um símbolo do Black Lives Matter).

Apesar de seus discursos acalorados, Bernie Sanders se comprometeu a apoiar Hillary Clinton se ela ganhar as primárias. Isso pode gerar curto-circuitos em seus eleitores, que são parte de um fenômeno social de descontentamento que supera sua candidatura e que não termina no último dia das primárias.

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