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Rússia

Vergonhosa condenação das ativistas feministas Pussy Riot na Rússia

25/08/2012

Por Celeste Murillo, PTS

No dia 21/2, a banda de punk feminista russa Pussy Riots realiozou uma ação de repúdio a Igreja Ortodoxa e ao presidente recentemente reeleito Vladimir Putin. As ativistas entraram na principal catedral de Moscou e com uma ação totalmente pacífica realizaram uma “Pregação Punk” pedindo a Virgem Maria que proteja a Rússia de Putin. As ativistas são três mulheres: Nadesda Tolokonnikova, de 22 anos, Marina Alyojina, de 24, e Yekaterina Samuzevich, de 30.

Esta ação se realizava logo após as eleições presidenciais em que Putin foi declarado vencedor, apesar das denúncias de fraude e o crescente repúdio entre a população, especialmente entre a juventude. O governo já vinha endurecendo as medidas repressivas e reduzindo as liberdades democráticas, com objetivo de restringir as expressão de setores opositores ao regime.

A acusação contra as ativistas feministas busca avançar não apenas contra os setores que se opõem ao regime, mas também contra quem se atreva a questionar a instituição da Igreja Ortodoxa russa. O objetivo da ação de protesto era evidenciar o enorme peso que tem a instituição religiosa no regime. Muitos destacaram também a relação do alto comando da Igreja, Vladimir Mikhailovich Gundyayev, denominado “Patriarca Kirrill” segundo a hierarquia eclesiástica, com o presidente Putin, a quem Kirill chama de um “milagre de Deus”. Além do mais, tem se criticado recorrentemente Gundyayev por seu estilo de vida de ostentação, algo que a própria Igreja tentou esconder quando o fotografaram usando um relógio de 40.000 dólares.

A igreja vem apoiando Putin com objetivo de que este defenda seus interesses. Durante seu mandato, Putin devolveu a Igreja Ortodoxa uma grande parte das propriedades que haviam sido expropriadas pela revolução de outubro de 1917. E se havia alguma dúvida em relação a separação artificial entre o Estado e a Igreja, o próprio Gundyayev declarou em uma entrevista na Polônia que a Igreja e o Estado na Rússia estão separados mas perseguem os mesmos interesses morais.

Liberdade para as Pussy Riot!

No dia 17/8 foi divulgada a condenação contra as 3 mulheres por “vandalismo motivado por ódio religioso” com 2 anos na prisão por terem cantado uma canção dentro de uma Igreja e, segundo a juíza, realizar “danças diabólicas”. A isto, os promotores agregaram que as ativistas “feriram os sentimentos dos crentes russos”.

Está claro que a dura pena contra as ativistas nada tem haver com a suposta ofensa religiosa ou desrespeito ã “fé do povo”, como tentaram justificar os promotores do governo. É uma tentativa de disciplinar todas as pessoas e organizações que desafiam o regime e suas instituições. Com isso, o regime busca perseguir e condenar ativistas prendendo-as em jaulas de vidro as expondo como se fossem criminosas perigosas. Esta medida reacionária busca fortalecer, com mão dura, a já questionada legitimidade do regime, mas com isto não faz mais que aprofundar a politica de restrição das liberdades democráticas. Neste caso, para salvaguardar uma instituição reacionária como a Igreja, seguindo a perspectiva de blindar seu regime frente os protestos que, ainda que sigam descontínuos e heterogêneos, parecem não diminuir. Do lado de fora do julgamento centenas de ativistas explodiam de indignação ao saberem do veredito, e a manifestação terminou com várias detenções de ativistas e personalidades que foram ao julgamento em solidariedade as Pussy Riot.

O rechaço ás prisões já haviam percorrido o mundo todo, somado ao apoio de organizações políticas, de direitos humanos, e personalidades da música que fizeram pedidos formais para que se liberte as jovens. No mesmo dia em que proferiu-se a sentença contra as Pussy Riot se conheceu a decisão da Suprema Corte de rejeitar a apelação que havia apresentado o advogado defensor dos direitos da comunidade LGTB da Rússia contra a sentença previa do tribunal de Moscou, que proibia a celebração da marcha do Orgulho Gay na cidade durante os próximos 100 anos. A justiça russa ratificou a sentença da cidade e, desta forma, empreende uma nova investida contra aqueles que necessitam de maiores liberdades de expressão e manifestação.

A luta pela liberdade das Pussy Riot tem sido tomada em mão por muitas organizações, não apenas feministas, porque a luta por liberdade se expressa no repúdio ao endurecimento do regime de Putin e sua ofensiva repressiva sobre os setores que se opões ao seu governo.

Claro está que todas as declarações de indignação de Obama e da União Européia não são mais do que demonstrações de cinismo descarado. Eles mesmos limitam as liberdade democráticas da população dentro de suas fronteiras, nos Estados Unidos sustentando as leis reacionárias da “guerra contra o terrorismo”, e na Europa perseguindo descaradamente milhões de imigrantes que vivem e trabalham em seus países. Nenhuma declaração nem denuncia nos organismos internacionais debilitará o regime repressivo de Vladimir Putin e suas instituições reacionárias, somente o farão com suas mobilizações independentes as trabalhadoras e trabalhadores, mulheres e jovens.

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