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NÃO AO GENOCÍDIO DO POVO PALESTINO!

O “pogrom ” palestino como política de Estado

13/07/2014

O “pogrom ” palestino como política de Estado

“Pogrom ”: Termo que designa a matança e perseguição aos judeus, ocorridos historicamente em diversos países da Europa.

A ofensiva israelense sobre Gaza já deixou mais de 121 mortos, e 900 feridos, tendo despejado 800 toneladas de bombas. Somente no dia 11/07 foram assassinadas 22 crianças. Combina-se a isso uma prisão massiva de 400 palestinos, sem qualquer alegação. Simplesmente por serem palestinos. Estamos frente a um novo capítulo da política genocida levada adiante pelo Estado sionista de Israel. Agora, o governo israelense chefiado por Benjamin Nethanyahu anuncia que realizará uma nova ofensiva terrestre, evidentemente sob o beneplácito do imperialismo norte-americano, bem como dos europeus.

A Faixa de Gaza e o povo palestino uma vez mais vertem sangue pelas mãos da burguesia sionista. Para tratar apenas dos episódios recentes, se pode relembrar do assassinato em massa pelo ataque com armas de fósforo branco em 2008, além do bloqueio econômico e de ajuda humanitária ã Faixa de Gaza em represália ã eleição do Hamas, e da infame construção do muro. Agora o Estado sionista de Israel já anunciou uma possível incursão terrestre, para a qual já estariam convocando 40 mil soldados da reserva. O imperialismo norte-americano chefiado por Barack Obama anuncia sua disposição de “mediar” o conflito, isto é, pactuar mais uma saída a serviço dos interesses de seu aliado, Israel.

A atual ofensiva tem dessa vez como estopim a morte de três jovens israelenses, cujo governo sionista responsabilizou o Hamas, sem qualquer evidência. Em represália bombardeios ã Faixa de Gaza. Como se não bastasse a degradação que expressa em si mesma a ofensiva contra a Faixa de Gaza, há que ver com mais atenção o que ela indica sobre a sociedade israelense atual. Em primeiro lugar, o racismo propagado pela burguesia sionista é flagrante, sendo um dos pilares desse Estado ilegal, que cumpre um claro papel de prover uma unidade nacional reacionária. Uma verdadeira campanha pela “vingança” contra os palestinos foi propagada pelo governo sionista.

O general israelense Ofer Vinter, que comanda a brigada de infantaria Givati na fronteira com a Faixa de Gaza, escreveu cartas nas quais declara que “com a ajuda de Deus, faremos tudo para cumprir a missão de destruir o inimigo terrorista de Gaza que profere blasfêmias e xingamentos contra o Deus de Israel”. E isso não foi a expressão do fanatismo de um general isolado. É a política do governo sionista.

Como bem resgatou Uri Avnery, durante os últimos dias os altos mandatários do governo insuflavam a sede por mais sangue palestino: “Danny Danon, vice-ministro da Defesa: "Se um menino russo tinha sido sequestrado, Putin teria esmagado aldeia após aldeia!", Uri Bank, ex-secretário de Uri Ariel, ministro da Habitação e construtor dos assentamentos: "Este é o momento certo. (...) Exigimos o desmantelamento da Autoridade Nacional Palestina, a anexação da Judéia e Samaria (Cisjordânia), a execução de todos os prisioneiros que foram condenados por assassinato, bem como o exílio de membros da família de terroristas! ". Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, declarou sobre o povo palestino: "Eles não são como nós. Nós santificamos a vida, eles santificam a morte! ". “Eles não são como nós”, é o lema que qualquer um que minimamente conheça um pouco de história sabe ter sido ã exaustão como premissa da atuação dos nazi-fascistas.

Como consequência dessa campanha, um adolescente palestino foi incendiado vivo. Mas isso não bastou para impedir que a mescla de fanatismo religioso e reivindicação do “castigo coletivo” rapidamente ecossem pelas redes sociais. Uma página de facebook intitulada “O povo de Israel exige vingança” chegou a ter mais de 35 mil curtidas, enquanto manifestações declaradamente de “caça aos árabes” reuniu centenas de pessoas nas ruas. E é impossível esquecer-se da aterrorizante cena de israelenses sentados em cadeiras de praia na rua ã noite, assistindo os bombardeios ã Gaza pela noite, e aplaudindo cada explosão, no que ficou conhecido como “cinema de Sderot”, enquanto fotos de crianças destroçadas pelas bombas israelenses infestam os meios de comunicação. O macabro “cinema de Sderot” expressa a ideologia beligerante e racista, que remonta ás próprias raízes da formação do Estado de Israel, e que tem atingido níveis inéditos de direitização, e que agora promove um pogrom anti-árabe como política de estado.

Breves antecedentes de um Estado ilegítimo

Isso é o resultado da existência de um Estado ilegítimo, Israel, fundado sobre o despojo do povo palestino, e cuja violência exercida contra aqueles é uma decorrência lógica de suas premissas. A mentira propagada de que a Palestina seria uma terra sem povo, para um povo sem terra, legitimando a votação na ONU da criação desse enclave imperialista chamado Israel no Oriente Médio há exatos 65 anos, é desmascarada todos os dias até hoje, a cada vez que uma notícia sobre as condições sub-humanas sob as quais os palestinos vivem vem ã tona, a cada vez que mais incursão militar sionista é feita sobre a Faixa de Gaza, a cada vez que fotos com crianças palestinas atirando pedras contra os tanques são publicadas.

Antes da criação do Estado de Israel, os sionistas financiados pelo imperialismo britânico e depois pelo norte-americano, se utilizaram de diversas medidas para favorecer a imigração judia para o território palestino, incluindo imensas facilidades econômicas. A administração britânica na Palestina fez com que as aldeias palestinas foram cortadas ao meio por um número cada vez maior de propriedades judias, enquanto se formavam bandos paramilitares de sionistas que se dedicavam a aterrorizar os camponeses palestinos protagonizando diversos crimes, como o massacre de Kibiya em 1936, Deir Yassin em 1948 etc.

Esses bandos foram comandados por Ariel Sharon e Menahem Begin, formando a base do Estado sionista e de seus atuais partidos políticos. Um exemplo é Zeev Jabotinksy, principal ideólogo do movimento de direita do sionismo revisionista e posteriormente pai ideológico do Likud, que nunca escondeu sua admiração por Mussolini, de quem fora amigo e a quem o ditador chamava de “cidadão fascista”. Em uma de suas declarações mais famosas, afirma: “Que queremos nós? Queremos um império judeu, igual ã Itália”.

Portanto, o Estado sionista formou-se em base ã ocupação colonial, dando início ã escalada de expulsão e repressão dos palestinos. Utilizando-se do horror gerado pela política de extermínio dos judeus na Segunda Guerra Mundial, o imperialismo cria no Oriente Médio o enclave que hoje conhecemos como Israel. Desse modo, o imperialismo resolveu a questão da aspiração judaica ã “sua maneira”: de minoria oprimida a transformou em uma maioria opressora, responsável pela expropriação das terras palestinas, dezenas de milhares de presos políticos, milhões de palestinos exilados.

Forjou um Estado-teocrático e racista contra todos aqueles que não professam a religião judia, fundado na negação do direito democrático elementar aos palestinos de se constituir como povo. Israel é um Estado de cidadãos-soldados que se direitiza cada vez mais, sustentado pelo imperialismo norte-americano, e que sobrevive em um regime de apartheid, em que 20% da população constituída de árabes-israelenses não têm sequer os mesmos direitos formais que os judeus. Um Estado que não para de se expandir e tem como objetivo ocupar toda a Cisjordânia.

Esses antecedentes são úteis quando estamos diante de mais ofensiva criminosa, para que lembremos que as demandas dos povos oprimidos jamais podem encontrar uma resposta progressista das mãos do imperialismo, e da burguesia. Portanto, jamais haverá paz enquanto o Estado sionista seguir existindo. Tanto é assim, que frente a escalada reacionária anti árabe que está se dando hoje, um setor da juventude israelense está dando o exemplo, e negando-se a servir o exército de Israel, se dispondo inclusive a enfrentar a cadeia. É preciso que essa juventude corajosa se alie aos trabalhadores e ao povo palestino, na defesa do direito de retorno de todos os refugiados palestinos, rumo a uma Palestina laica, socialista e não-racista.

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