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ELEIÇÕES ARGENTINAS

Venceu a renovação na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)

10/08/2015

Venceu a renovação na Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)

Importante triunfo da chapa 1-A na disputa interna da FIT, que encabeça Nicolás Del Caño, competindo com a chapa 2U, encabeçada por Jorge Altamira do Partido Obrero e Juan Carlos Giordano, da Izquierda Socialista. Se impôs depois de um escrutínio que durou mais de 17 horas. Com um importante aumento em relação as PASO de 2011, se consolida o espaço da esquerda classista.

Com 97,56% dos votos se impunha na apuração provisória das urnas, dentro da interna da FIT por um 51,09% a um 48,91%, a lista encabeçada por Nicolás Del Caño e Myriam Bregman. A FIT realizava uma grande eleição, obtendo mais de 723.838 votos, aumentando quase em 50% o resultado das PASO de 2011.

Junto ao triunfo da eleição nacional, a lista encabeçada por Nicolás Del Caño venceu em 13 províncias e de maneira contundente nas eleições de Mendoza, Jujuy, Neuquén, Tucumán e Santa Fe. Na manhã desta segunda-feira, o Partido Obrero reconhecia o triunfo da lista encabeçada por Nicolás Del Caño.

Em Mendoza a Lista 1-A “Renovar e fortalecer a Frente” obtinha, em relação a outra lista, 91,53% dos votos, ratificando o crescimento e a força de jovens figuras da esquerda, como o próprio Nicolás Del Caño e outros como Noelia Barbeito, que foi candidata a deputada federal e alcançou 82.516 votos para este cargo nas PASO.

Em Jujuy, Alejandro Vilca, o jovem operário municipal que se candidatava a deputado nacional conseguiu 18.584 votos, e 80% desses votos dentro da competição interna para essa categoria. Na categoria presidencial a FIT alcançava cerca de 4%, também com preeminência clara da candidatura de Nicolás Del Caño.

Em Neuquén, a chapa 1-A superava os 62% em comparação ã outra chapa e de conjunto a FIT fechava com 6,22% dos votos. Na categoria de deputados federais, encabeçada pelo dirigente do PTS e operário de Zanon, Raúl Godoy, a lista 1-A obtinha 14.272 votos, que é 62,55% em comparação com a chapa 2-U (fórmula que compreendia o Partido Obrero, a Izquierda Socialista, e outras oito organizações). Alcançando, nesta categoria, quase 8% dos votos totais.

Na província de Tucumán, a FIT obtinha 17.599 dos votos (2,04%) e na interna, a chapa de Nicolás Del Caño se sobressaía por 51,86% dos votos. Na categoria de deputados nacionais a jovem Alejandra Arréguez conseguia 51,70% dos votos e a nível de senadores nacionais, o combativo docente Juan Luis Véliz 51,72%.

Na província de Santa Fe a Frente de Izquierda alcançou 37.043 votos (2,23%) e a chapa Del Caño-Bregman 56,74% em comparação com a lista 1-A. Octavio Crivaro, dirigente do PTS, encabeçará a lista de deputados federais. Nesta categoria a chapa 1-A se sobressaía por quase 58% dos votos em relação ã chapa 2-U.

Além disso, a chapa 1-A ganhou em Rio Negro, San Luis, Corrientes, Chubut, La Pampa, Catamarca e Misiones, onde o PTS tem trabalhos iniciais.

Um ponto muito importante é a eleição construída na província de Buenos Aires, onde a chapa encabeçada por Del Caño obtém mais de 126 mil votos. Na província mais importante do padrão eleitoral, onde os grandes aparatos dos partidos que trabalham para o empresariado jogaram todas as suas fichas e onde tem peso a figura tradicional de Jorge Altamira, a chapa 1A teve de combater contra enormes aparatos durante os dias anteriores e com o roubo de fichas de votação ao longo da própria jornada eleitoral.

Em Córdoba foram bons os resultados da FIT, obtendo-se mais de 70 mil votos (3,69%). Na disputa interna, a chapa 1-A “Renovar e Fortalecer” alcançava cerca de 42% do total de votos da FIT. Contudo, a chapa 2-U encabeçada por Jorge Altamira, que levava como primeira pré-candidata a histórica Liliana Olivero (IS), conseguiu 58%.

Há de se recordar os acordos de 2013 assinados entre as forças que integram a FIT (PTS-PO-Izquierda Socialista) com respeito ã rotação de cargos que obtiveram a Frente e que agora essa rotação se fará em função dos resultados destas eleições prévias.

Em Mendoza o PTS tinha 50% do tempo de mandato dos legisladores obtidos e os outros 50% correspondiam ao PO. Nestas PASO de 2015, o PTS obteve 90,91% em comparação a outra chapa. Em Neuquén o tempo era repartido em 50% para PTS, 25% para PO e outros 25% para IS. O PTS obteve nessa PASO 56,74%. Na Província de Buenos Aires, a correspondência era de 37,5% para o PO, 37,5% ao PTS e 25% a IS. Na província de Buenos Aires a chapa 1-A obteve nessa eleição 42,22%. Na Cidade de Buenos Aires, o PO tinha 50%, 25% para o PTS e 25 para a IS. Agora na Cidade de Buenos Aires o PTS obteve na interna 43,72% dos votos. Em Tucumán ao PO correspondia a 50% e outros 50% ao PTS. O PTS saiu em primeiro e obteve 51,76%. Em Córdoba a IS tinha 50%, 25% do PTS e 25% do PO. A chapa 1-A obteve 41,89%.

O que mostrou essa eleição?

O resultado obtido pôs em evidência o que, ao largo da campanha, haviam assinalado constantemente os candidatos e candidatas da chapa 1-A, a necessidade de renovar a FIT, buscando formas de incorporar e expressar as novas camadas de trabalhadores, mulheres e jovens que se aproximam e se sentem identificados com a esquerda. Esse é o caminho para torná-la uma força poderosa sem o caráter testemunhal que nos quer reservar o sistema.

Isto se viu expressado nas listas, como mostraram os 1.800 candidatos operários que participaram das mesmas em todo o país, o peso de mulheres na porcentagem total de cada chapa, chegando a inverter o piso mínimo de 30% que a lei coloca (colocando 70% de candidatas mulheres em Buenos Aires e 60% de mulheres no total da chapa nacionalmente), e, junto a isso, expressando a juventude que se soma ã política desde a esquerda. Isso se expressou também na militância que pôs em movimento em todo o país ao longo da campanha.

É evidente que essa proposta não tinha nada de “artificial” como, por vezes, insinuou a outra chapa. Nicolás Del Caño se converteu em uma grande figura nacional da esquerda, capaz de se sobressair na disputa interna.

A identificação com centenas de milhares de votantes foi possível pelo fato de colocar uma clara denúncia ã casta política que governa para os grandes empresários. Não é por acaso, que os spots mais famosos mostram Nicolás enfrentando o chefe de Gabinete do governo, Jorge Capitanich, denunciando a casta política por enriquecer-se e propondo ganhar como uma professora. No Congresso, Del Caño fez uma contundente denúncia de classe, referindo-se ao conflito de LEAR, e acusou o chefe do Gabinete de atuar como “gerente da empresa” contra os trabalhadores. É evidente que para centenas de milhares, foi uma forma de rechaçar essa casta política.

A campanha eleitoral conseguiu sintetizar a intensa atividade dos parlamentares da chapa 1-A, iniciando por Nicolás Del Caño, que combinou uma ativa intervenção no Congresso para defender os direitos dos trabalhadores e dos oprimidos junto a uma participação muito destacada nas lutas operárias, com presença, por exemplo nos piquetes da rodovia Panamericana para defender o direito de protestar, onde o jovem deputado foi várias vezes reprimido pela Gendarmería e pela polícia.

Em sua campanha, a chapa 1-A também levantou os principais problemas dos trabalhadores, tais como a defesa dos salários e do emprego, com seus candidatos apoiando os trabalhadores em luta desde as usinas do Norte, Cresta Roja e os motoristas de ônibus da Linha 60.

Claramente, levou também sua perspectiva socialista nos numerosos debates públicos, onde seus candidatos puderam explicar concretamente o programa anti-imperialista e anti-capitalista de sua plataforma eleitoral, e a necessidade da mobilização dos trabalhadores e do povo para conquistar essas demandas. Essa discussão estratégica pode ver-se em programas de TV, por exemplo com a intervenção de Del Caño, Christian Castillo, Claudio Dellecarbonara, Javier “Poke” Hermosilla e María Victoria Moyano no programa Intratables que foi visto por mais de 600.000 pessoas.

A campanha da chapa 1-A se caracterizou, além disso, por difundir a ideia de que para enfrentar os planos dos “filhos políticos de Menem” como Scioli, Macri e Massa não é possível usando apenas o conquistado pela FIT nos anos anteriores. Que é necessário avançar em construir uma esquerda que conquiste a fortaleza para enfrentar esses planos de ajuste, tanto no Congresso, nas Legislaturas estaduais, nas ruas e com a mobilização popular de milhões de trabalhadores, mulheres e jovens.

Como disse Del Caño enquanto esperava os resultados com a militância, “é muito necessária a unidade da Frente de Izquierda de agora a outubro para que siga avançando como uma força classista da classe operária e não seja uma esquerda testemunhal”.

A chapa 1-A já declarou publicamente que, a partir desses resultados, buscará trabalhar em comum com aqueles que conformaram a outra chapa, com o objetivo de conquistar novos legisladores nas eleições de outubro. O candidato a presidente pela Frente de Izquierda, Nicolás Del Caño, anunciou que vai “convocar os companheiros da chapa encabeçada por Jorge Altamira para planificar de maneira conjunta como vamos desenvolver uma grande campanha de agora a outubro a fim de que a FIT conquiste novas bancadas no Congresso nacional”.

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