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Brasil

Contra a demagogia dos candidatos capitalistas, lutemos para retomar o caminho de junho

17/09/2014

Contra a demagogia dos candidatos capitalistas, lutemos para retomar o caminho de junho

Uma saída dos trabalhadores frente ã enganação eleitoral

Os partidos que defendem os interesses dos capitalistas (Dilma, Marina, Aécio, Everaldo, Levy Fidelix, Eymael, Eduardo Jorge) querem enterrar as demandas de junho e fazer com que os trabalhadores paguem pela crise. Os candidatos que defendem a conciliação de classes desarmam a classe trabalhadora para lutar. A greve dos trabalhadores da USP, ao defender a saúde e a educação, mostrou o caminho para conquistar as demandas de junho.

Nenhum voto nos partidos que defendem os capitalistas

O desgaste eleitoral de Dilma, longe da força que teve o auge do lulismo e perto da crise econômica que começa a se instalar no país, mostra que amplos setores de trabalhadores e de jovens já não acreditam mais que vão melhorar gradualmente suas vidas sob o governo do PT.

Marina Silva, com um programa tão neoliberal quanto o de Aécio e uma campanha que se opõe aos direitos democráticos mais elementares, traz as propostas da velha direita do PSDB com uma cara renovada.

Na ausência de uma esquerda com peso nacional capaz de se lutar pelas demandas de junho e contribuir para o triunfo da onda de greves que tem percorrido o país, a desilusão com o lulismo se desvia para um "voto útil" em Dilma como "mal menor"; ou para uma descrente e desconfiada aposta em Marina como alternativa "viável" ao PT e ao PSDB.

Nenhum voto na conciliação entre trabalhadores e patrões

O PSOL de Luciana Genro e o PCB de Mauro Iasi, apesar de falarem em defesa dos explorados e oprimidos, ao se proporem a governar o capitalismo desarmam os trabalhadores para lutar. Ao receber dinheiro de grandes empresas, se coligar com partidos capitalistas nos estados e governar a capital do Amapá aplicando o receituário neoliberal, o PSOL mostra que trilha o mesmo caminho que o PT.

Retomemos o caminho de junho para lutar por saúde, educação e transporte

Ao lutar contra o arrocho salarial, a greve dos trabalhadores da USP deu um exemplo para toda a classe trabalhadora, que terá que enfrentar a política dos governos e da patronal de descarregar os custos da crise sobre as costas dos que menos têm para preservar seus lucros. Ao lutar pela contratação de mais funcionários, por mais verbas para a educação e pelo fim do vestibular, mostrou que a luta econômica pelos interesses da categoria pode e deve se ligar com a luta de todo o povo por um ensino superior mais democrático e de maior qualidade.

Ao travar um combate contra a tentativa de privatizar o Hospital Universitário da USP, mostrou que somente os trabalhadores, através de sua mobilização independente, podem defender essa, que foi uma das principais demandas de junho, junto aos transportes.

Essa greve foi forte, entre outras coisas, porque foi dirigida por um organismo com representantes revogáveis eleitos nos locais de trabalho. Cada local de trabalho criou uma forma de poder embrionária que passou a colocar em questão as ordens dos patrões e chefes de sempre, mostrando que são os trabalhadores que sabem como os serviços públicos podem melhor funcionar para atender os interesses da população. São os que conhecem as necessidades do povo e que têm maior interesse em cuidar de seus interesses, pois os usuários são seus filhos, pais, amigos e parentes.

É por isso que precisamos lutar para que a força da mobilização das distintas categorias da classe trabalhadora unidas possa impor a estatização de todos serviços públicos, sob controle dos trabalhadores e usuários.

Enquanto são os trabalhadores comuns que realmente atendem as necessidades da população, uma casta de parasitas que ocupa os parlamentos, os tribunais de justiça e os palácios de governo tem todo tipo de privilégios para servir os patrões. É por isso que devemos lutar para que todo político, juiz ou funcionário público de alto escalào receba o mesmo salário que um professor, e para que todos os cargos públicos sejam eleitos e revogáveis por aqueles que os elegeram.

Voto crítico em Zé Maria contra os patrões e os conciliadores

Contra o voto nos partidos que representam os interesses capitalistas, contra o voto nos partidos que defendem a conciliação entre os interesses dos patrões e dos trabalhadores, chamamos o voto crítico em Zé Maria (e na legenda do PSTU onde essa não se coliga com o PSOL nem o PCB, sendo voto nulo onde estão coligados).

Esta é uma candidatura que exclui o voto nas candidaturas burguesas e de conciliação de classes para presidente, e defende um programa que tem aspectos corretos (estatização dos serviços públicos sob controle dos trabalhadores, não pagamento da dívida pública, que os capitalistas paguem pela crise, por um governo dos trabalhadores sem patrões, contra a homofobia, o machismo e o racismo).

Chamamos os trabalhadores a votarem criticamente nesta candidatura para expressar sua própria consciência de classe, de que não podemos igualar os partidos dos exploradores (praticamente todos os que disputam a eleição) com os partidos que, por sua tradição e composição, ainda podem ser considerados como partidos da classe trabalhadora, como o PSTU. Consideramos como um passo ã frente na sua consciência de classe sempre que um trabalhador caminhe do rechaço geral aos políticos, que não faz distinções, para a compreensão de que a divisão de classes na sociedade também se expressa como diferença de classe entre os distintos partidos.

Ao mesmo tempo, damos ao PSTU apenas nosso voto crítico, pois não mudamos nossa avaliação de que se trata de um partido marcado pela adaptação ã estrutura sindical e por suas vacilações diante das propostas de conciliação de classes, sobretudo do PSOL. É por isso que, ao mesmo tempo em que chamamos o voto crítico em Zé Maria, chamamos a construção de um novo partido revolucionário que se constitua como uma alternativa ã falência das organizações da esquerda tradicional que existem hoje.

Construamos um novo partido revolucionário

Apesar de todas as energias que se expressaram em junho do ano passado, nessas eleições fica claro como ainda vivemos no mesmo sistema político. Agora, todos os velhos partidos carcomidos da burguesia falam o tempo todo em "mudança". Parecem mesmo estar "tirando sarro" das aspirações mais profundas do povo, que, apesar de todas as confusões, deseja de fato que as coisas mudem.

Precisamos de um partido que tenha em sua linha de frente os lutadores que protagonizaram as impressionantes greves que sacudiram o país de junho para cá (garis cariocas, rodoviários gaúchos e baianos, operários pernambucanos, metroviários e funcionários das universidades paulistas). Lado a lado com os estudantes, jovens e intelectuais que se colocam ao lado dos trabalhadores e suas lutas.

Para lutar por essa perspectiva nas distintas categorias, para combater por uma sociedade baseada na auto-organização dos trabalhadores e do povo pobre, hoje, mais do que nunca, precisamos tomar em nossas mãos a tarefa de construir um verdadeiro partido revolucionário de trabalhadores. Um partido que parta de tirar todas as lições das jornadas de junho, mostrando a falência da esquerda tradicional que nunca tirou as conclusões necessárias da experiência com o PT.

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