FT-CI

América Latina

Continuidade… com giro (direita)

06/11/2014

Continuidade… com giro (direita)

Em outubro, ocorreram as eleições presidenciais no Brasil, Bolívia e Uruguai. Nelas, confirmou-se a continuidade dos governos progressistas nesta parte do continente e a oposição de direita fracassou em impor uma mudança política mais abertamente reacionária. No entanto, os novos mandatos progressistas são anunciados com um marcado giro ã direita.

A chave estava no Brasil, pelo peso objetivo do gigante sul-americano e pela importância de Lula e do PT (Partido dos Trabalhadores) como referência política a nível internacional. Dilma Rousseff foi reeleita no segundo turno por uma estreita margem de votos. Foi um triunfo com sabor amargo que não pode ocultar a desilusão em importantes setores operários e populares mesmo que ao final, tenham votado em Dilma como “mal menor” frente ao neoliberal Aécio Neves.

Na Bolívia, Evo Morales, arrasou com dois terços dos votos, assegurando uma cômoda maioria parlamentar. Contou a seu favor, porém, uma boa situação econômica e a aliança com setores das elites de Santa Cruz, enquanto que a oposição de direita continua em crise e dividida.

No Uruguai, o candidato da Frente Ampla, Tabaré Vásquez, conseguiu cerca de 48% dos votos frente a 44% dos partidos tradicionais em que pese a recomposição da direita, sua presidência estaria assegurada no segundo turno do dia 30 de novembro.
No entanto, a continuidade dos governos progressistas por um novo período não significa que se disponham a ceder maiores concessões e melhoras para os trabalhadores e o povo pobre que neles votaram. Pelo contrário, se preparam para governar mais alinhados com as exigências do grande capital.

“Agora sim, menos”

Como mostra do rumo em que tomaram, estão os primeiros passos de Dilma Rousseff. Ela não era a preferida por uma parte do stablishment, que recorreu ás baixas na Bolsa de Valores de São Paulo como forma de demonstrar sua impaciência. A presidente respondeu com gestos de conciliação, prometendo dialogar sobre a política econômica a seguir, o que abre portas para medidas mais “ortodoxas” para frear a inflação e reativar a economia, alinhados com o que pede o empresariado, os bancos e os “agrobusiness” exportador.

Desde que a crise internacional começou a ser sentida na América do Sul, estes governos começaram a “moderar” mais do que nunca sua política, colocando um freio ás aspirações de melhorias no trabalho e outras demandas do povo trabalhador. Sua política foi se aproximando do famoso “nunca menos”, de Cristina Kirchner. Mas a medida que a situação econômica, como o Brasil e Argentina, escancara os limites e fissuras dos “modelos” progressistas, chega ao momento do “agora sim, menos”, preparando maiores ataques ao salário, ao emprego e ás condições de vida populares pela via inflacionária, políticas repressivas e outros sinais de regressão. Entre eles, o retrocesso em questões democráticas básicas como a criminalização e repressão dos protestos, adotar temas como a agenda reacionária com a “segurança”, ou a restrição ao direito ao aborto.

As bases da decadência progressista

A fase de crescimento sustentada pelo boom das matérias-primas e a recomposição do mercado interno durante a década passada, ficou para trás. Os preços do minerais, o petróleo e a soja estão caindo e a recente alta nas taxas de juros dos EUA, ameaça atrair capitais que viriam em direção a América Latina. Esta evolução da economia internacional afeta a região em seu conjunto: os “modelos neoliberais”, estão se debilitando, como no Chile, Peru ou México; mas também faltam os “modelos progressistas” como no estagnado Brasil, ou a Venezuela e Argentina que enfrentam situações recessivas.

Já não há “círculo virtuoso” de crescimento que possa satisfazer ao capital e conter as demandas operárias e populares. Os governos progressistas não tomaram nenhuma medida de fundo que atacasse a situação de dependência: pagadores da dívida externa, nem sequer reverteram as privatizações dos anos 1990 e apostaram em que a associação com o capital estrangeiro e como os grandes empresários, os bancos e os proprietários serviria para o “desenvolvimento”.

Os governos progressistas basearam sua “governabilidade” em um complexo equilíbrio de mediações entre as classes sociais, o que, com as dificuldades econômicas e fiscais, começa a faltar o chão em baixo dos pés. Para se manter, entre discursos e promessas, cada vez mais sujas, giram ã direita, acomodando-se ás pressões da classe dominante que quer uma política para que a crise seja paga pelo povo trabalhador.

Perspectivas de resistência operária e popular

Isto tudo começa e enterrar as modestas concessões obtidas nos últimos anos, que são consideradas um “piso” para grandes setores dos trabalhadores e da juventude, que aspiram ã algo mais, porém se chocam com a deterioração econômica. Esta é a fonte de um crescente descontentamento, que se expressou nos protestos como os de junho de 2013 no Brasil, e em paralisações, greves e mobilizações como as que foram vividas na Argentina, Chile ou Bolívia.

A direita tratou de renovar sua imagem buscando capitalizar ao descontentamento, mas dificilmente pode “maquiar” seu programa de ajustes e de maior abertura ao capital imperialista. O que alimenta seu fortalecimento é precisamente a política dos progressistas em funções de governo, com seus pactos com o empresariado, as Forças Armadas, a Igreja e as burocracias sindicais, sua política de ajustes contra os interesses populares e sua busca por novos sócios imperialistas. Ocultando isso, a partir da centro-esquerda e certas correntes reformistas, com o argumento de frear a reação, chamou-se ao apoio a o PT, a Frente Ampla ou ao MAS, aprovando seus ajustes e medidas reacionárias.

No entanto, a inevitável e justa resistência operária e popular em defesa de seus interesses básicos diante dos ajustes governamentais e o ataques patronais, coloca mais do que nunca a luta para armar-nos com um programa anticapitalista e antimperialista e conquistar a independência política dos trabalhadores. Estas são as ferramentas imprescindíveis para que a crise seja paga pelos seus verdadeiros responsáveis, os capitalistas, e abrir as portas para uma verdadeira transformação, operária e socialista.

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Periódicos

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)