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18 de setembro: enfrentar as demissões e o novo corte de 26 bilhões

15/09/2015

18 de setembro: enfrentar as demissões e o novo corte de 26 bilhões

É importante construir um grande ato no dia 18, contra o governo e a direita. Que esse seja parte da construção de um alternativa dos trabalhadores para a luta de classes, com um programa operário de saída pra crise e um plano de luta. O PSOL deveria se somar de conjunto a essa luta, que não pode ser com a CGTB. 18 de setembro: enfrentar as demissões e o novo corte de 26 bilhões

No próximo dia 18 de setembro a CSP-Conlutas e as entidades do Espaço Unidade de Ação convocaram uma marcha com os eixos "Contra Dilma-PT; Cunha, Renan e Temer-PMDB e Aécio-PSDB!", "Derrotar o ajuste fiscal e a Agenda Brasil: que os ricos paguem pela crise" e "Por uma alternativa classista dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre". Diante de um cenário de agravamento da crise econômica e política no país, com o novo corte de 26 bilhões no orçamento, torna-se ainda mais fundamental e decisivo a construção de uma alternativa classista dos trabalhadores.

Agosto foi marcado por atos que não representavam os trabalhadores. De um lado a oposição de direita com Aécio Neves do PSDB no dia 16. De outro lado vários setores ligados ao governo, e o próprio PT, arrastando atrás de si parte da esquerda no dia 20. A marcha do dia 18 pode ser um passo importante na constituição de uma alternativa classista dos trabalhadores. É preciso construir essa marcha com toda centralidade, buscando colocar toda força que reunirmos nas ruas a serviço do triunfo das greves em curso, como do funcionalismo federal e das universidades, possivelmente a greve dos Correios, mas também dos operários da Ford e de vários lugares no país que sofrem com as demissões e a retirada de direitos. Não vamos pagar pela crise.

Como construir um polo classista, anti-governista e anti-burocrático?

Para nós, parte de se constituir como uma verdadeira alternativa classista é dar passos pra que as ações conjuntas dos setores classistas, de esquerda, anti-governistas não fiquem reduzidos aos atos ou Encontros, mas principalmente para que a força concentrada nestes espaços possa ser colocada a serviço de fazer triunfar a luta dos trabalhadores e da juventude. É preciso, com urgência, constituir um polo que reúna os sindicatos e oposições dirigidos pela esquerda, e que tenha agilidade suficiente para atuar frente aos importantes processos de greves que já vem ocorrendo como consequência do plano de ajustes do governo.

As iniciativas que a CSP-Conlutas e as entidades do Espaço Unidade de Ação tem tido são importantes, porém insuficientes. Mesmo com reuniões e plenárias, não se impulsionou um polo da esquerda classista para atuar nos principais conflitos operários, como por exemplo na GM de São José dos Campos, em que pese a grande disposição de luta dos operários, o que vimos foi que não se conseguiu ir além de um acordo que, daqui a 6 meses significará a demissão de centenas de trabalhadores. Acreditamos que um polo classista, combativo, anti-governista não poderia ter continuado sua "agenda" de reuniões sem girar todos os esforços para tentar impedir esse cenário na GM de São José, mantendo a luta contra as demissões (agora e daqui a 6 meses) com o objetivo de transformar a greve da GM em uma forte batalha de classe que pudesse ser um exemplo nacional.

Neste sentido, o Encontro Nacional no dia 19 de setembro deve ser um espaço para debater com prioridade como construir esse polo: deve ser ligado a luta de classes e portanto com grande peso pra greve dos trabalhadores dos Correios e de fábricas como a Ford, deve ser independente do governo e de qualquer fração da oposição burguesa e precisa aprovar um plano de luta ligado a base de todas as categorias para também se dirigir a base das centrais sindicais governistas dialogando com os trabalhadores.

Não haverá "campo dos trabalhadores" com CGTB e PPL

Nos materiais de convocação, a CSP-Conlutas tem reafirmando a necessidade de construir um “campo dos trabalhadores”. A importância de avançar nesta perspectiva, como colocamos com a constituição de um "polo", é tamanha que não se pode fechar os olhos para algumas alianças que surgiram no último período. Tem participado das reuniões do Espaço Unidade de Ação a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) dirigida majoritariamente pelo Partido Pátria Livre (PPL, ex-MR-8). A CGTB inclusive assina um documento em comum com a CSP-Conlutas convocando a marcha, onde não fica claro se irão participar do Encontro Nacional já que não assinam os documentos públicos em comum.

O PPL e a CGTB estiveram com Eduardo Campos (PSB), e posteriormente com Marina Silva (REDE) nas eleições de 2014, e continuam as negociações com ambos partidos. O PPL faz parte de uma coligação de oposição burguesa chamada Unidos Pelo Brasil, junto com PSB, PPS, PRP e PHS. Dos 13 prefeitos que o PPL tem em aliança com vários partidos da ordem como PT, PMDB, PSDB, DEM e inclusive o PP de Jair Bolsonaro, há denúncias de abuso de poder econômico, captação ilícita de votos e nepotismo. Em 2013, seu representante no Senado, João Costa, foi importante combatente do direito ao aborto.

Ou seja, um breve resumo que já demonstra como não é possível conformar um campo dos trabalhadores com estes "aliados". É claro que as ações comuns de frente-única devem ser levadas adiante, mas sempre com a premissa de "golpear juntos, marchar separados" e para tanto é fundamental debater com clareza os aliados que "surgem" na luta dos trabalhadores. A CSP-Conlutas, ao não dizer claramente quem é a CGTB e o PPL acabam "marchando juntos" ou seja, misturando as bandeiras classistas com as bandeiras de uma oposição burguesa, e não desmascarando esta ala da burocracia sindical diante de suas bases, uma tarefa central para fortalecer este polo antiburocrático no movimento operário.

O PSOL precisa fortalecer uma alternativa classista dos trabalhadores

Somente algumas correntes do PSOL vão compor a iniciativa do dia 18. Ao mesmo tempo, várias correntes como o campo Unidade Socialista, Insurgência e LSR, e a central sindical Intersindical compuseram o ato governista do dia 20 de agosto, encabeçado pelo MTST mas com grande peso da CUT, PT e outras centrais e organizações ligadas ao governo. Acreditamos que é um importante erro ir para as ruas junto com o PT quando a tarefa central da esquerda é construir uma alternativa independente. Na prática, o dia 20 não foi apenas um ato em defesa do governo, mas também pra calar e disciplinar a esquerda anti-governista e por essa via impedir o surgimento de qualquer alternativa independente ao governo, pela esquerda.
O PSOL deveria estar, com todas suas correntes, construindo a marcha do dia 18 com todo o peso que conquistou eleitoralmente. Poderia colocar todos os seus parlamentares e suas figuras públicas como a ex-candidata a presidente Luciana Genro para construir a marcha. Poderiam ter utilizado os 10 minutos de programa eleitoral na TV para convocar a manifestação do dia 18. O PSOL não somente esteve longe de fazer isso, nem citando a presidente Dilma no programa, como são poucas correntes que estão convocando o ato do dia 18. Ainda é tempo de um giro imediato pra que o PSOL construa com força o ato do dia 18.
Ao mesmo tempo, o MTST diante do novo corte de orçamento que vai atingir o programa Minha Casa Minha Vida chama um ato com convocatória que não cita a presidente Dilma, pro próximo dia 23. Acreditamos que o MTST deveria romper com o governo e ao invés de chamar um novo ato, se somar à marcha do dia 18 levando com força a demanda por moradia.

Um programa operário pra enfrentar a crise

Precisamos nos mobilizar contra o plano de ajustes, as MP´s 664 e 665, o PL 4330 da terceirização, a Agenda Brasil, o Programa de Proteção ao Emprego, as demissões, os cortes de orçamento e todos os ataques que estão atingindo de forma mais cruel os trabalhadores, a juventude, as mulheres, os negros e a população pobre.

Precisamos lutar pela redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Reajuste automático de acordo com o aumento do custo de vida. Por um plano nacional de obras públicas (moradia, creches, hospitais, escolas etc.) sob controle dos trabalhadores. Efetivação de todos os trabalhadores terceirizados sem necessidade de concurso público. Salário mínino do DIEESE. Pelos direitos das mulheres, LGBT, negros e negras. Que todo político e funcionário político (juízes, promotores, assessores etc.) ganhe como uma professora. Impostos progressivos sobre as grandes fortunas e não pagamento da dívida pública.

Construir um plano de luta contra o plano de ajustes

A partir da marcha do dia 18 e do Encontro Nacional é preciso colocar de pé um polo classista, anti-governista e anti-burocrático que vote um plano de lutas com novos atos nos estados e nas categorias, debate nas bases, e que exija que a CUT e as outras centrais governistas rompam com o governo e comecem imediatamente a enfrentar o plano de ajustes. Precisamos avançar na construção desta alternativa classista dos trabalhadores.

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