FT-CI

LUTAS OPERáRIAS

Unificar as lutas em curso

26/09/2013

Em junho a juventude foi ás ruas por muito mais do que vinte centavos, mostrou para todos que é possível conquistar, que é possível ir além da miséria do possível do lulismo. As paralisações nacionais de 11 de julho e 30 de agosto colocaram os trabalhadores em cena. No entanto, as direções das principais centrais, ligadas aos governos ou ás oposições patronais, impediram que a luta dos trabalhadores se unificasse com a juventude. Chamaram a parar “pela pauta da classe trabalhadora” e não pela “pauta das ruas”. A chamada pauta das centrais contém uma série de reivindicações, como o fim do fator previdenciário, que interessa aos trabalhadores e a todo o povo. Essas demandas apareceram separadas da luta por um transporte público, gratuito e de qualidade e outras demandas contra os gastos da Copa, contra a corrupção, por saúde, educação e moradia digna.

Apesar desta divisão imposta pelas burocracias, as campanhas salariais do segundo semestre estão expressando que o país mudou. Depois de junho as condições para sair à luta estão mais favoráveis e o trabalhador está sentindo isso. A inédita greve dos professores e funcionários da educação do município do Rio, a primeira em mais de 19 anos, mostra isso em sua massividade e resolução, já que resistem ao corte de ponto, multas de mais de R$ 300 mil diários aplicadas pela justiça, e depois do prefeito Paes descumprir acordo retornaram ã greve (com a mesma massividade) em menos de 15 dias. A campanha salarial dos metalúrgicos em São Paulo, mostra que agora o processo grevístico que se iniciou nos setores da construção civil e nos mais precarizados está chegando na grande indústria. A greve de quatro dias na Scania é simbólica nesse sentido. A pressão das bases é o que explica a CUT aceitar a unidade com a CSP-Conlutas e a Intersindical, o que abre a possibilidade de influenciar na base dos metalúrgicos do ABC.

Em bancários a burocracia sindical também está sendo obrigada a tomar algumas medidas de luta para tentar evitar possíveis revoltas, e para pressionar os banqueiros e o governo a apresentar alguma proposta que possa encerrar a mobilização com o mínimo desgaste com os trabalhadores. Em São Paulo, no segundo dia de greve o Sindicato, dirigido pelo PT, paralisou a maior concentração do país – a Cidade de Deus, centro administrativo do Bradesco, onde trabalham cerca de 15 mil bancários. Ao mesmo tempo, a oposição, organizada através de delegados sindicais e do ativismo de base mostrou uma força renovada e paralisou o prédio da Caixa Econômica Federal da Praça da Sé, no centro. Em ambos os casos, as empresas evitaram chamar a policia. A patronal é obrigada a atuar com cuidado, pois é uma categoria que tem uma grande composição de jovens universitários, que engrossaram massivamente as mobilizações de julho.

Nos Correios, apesar da traição da CTB em São Paulo e no Rio de Janeiro, a greve segue forte em nível nacional. Os petroleiros ameaçam greve e a Refinaria Abreu e Lima (Suape, em Pernambuco), realizou paralisação de 24 horas no último dia 23 contra a terceirização das “atividades fim” na refinaria.

A divisão nos Correios, a unificação das lutas e a necessidade de um polo combativo

Na greve dos Correios a burocracia sindical governista mostra a quem serve. A CTB, dirigida pelo PCdoB, que integra o governo Dilma, rompeu a unidade nacional dos trabalhadores dos Correios e tenta impor essa divisão traindo a greve nos sindicatos que dirige e se aliando a empresa. No entanto, como dissemos, a greve segue forte. Em bancários, a CUT tenta impedir que se expresse algum ativismo por fora do sindicato que faça vir ã tona uma grande revolta acumulada na base da categoria contra o excesso de trabalho, a falta de funcionários e as metas cada vez maiores.

Em metalúrgicos, a burocracia cutista tenta conter a insatisfação dos trabalhadores apresentando a aliança com a esquerda e paralisações pontuais nas fábricas como mostra de que estão fazendo alguma coisa. Ao mesmo tempo, a Força Sindical se faz de morta, e aguarda o fim das atuais mobilizações para iniciar de fato a campanha salarial em metalúrgicos de Osasco e São Paulo. Como se vê, essa burocracia sindical (CUT, Força Sindical, CTB e Cia.) mesmo quando se vê obrigada a mobilizar, na verdade prepara manobras para trair as lutas dos trabalhadores, impedindo que se unifiquem e se radicalizem para impor ã patronal e ao governo o atendimento das reivindicações.

Para fazer frente ã burocracia sindical, que em julho buscou dividir os trabalhadores do movimento da juventude, que tentou trair a luta nos Correios e que vai fazer o mesmo nas demais categorias chamamos a unidade de todos os setores de oposição e sindicatos combativos. Essa unidade poderia representar uma alternativa de direção em relação aos sindicatos governistas e pró-patronais nos processos de luta em curso.

A primeira tarefa deste polo combativo e antiburocrático seria propor em todas as categorias em luta a realização de atos unificados em todas as regiões do país. Atos que levantem as demandas salariais e especificas de cada categoria, mas que se unifiquem também pelas demandas da juventude, contra a repressão, por transporte, saúde e educação. Precisamos massificar ainda mais a luta para barrar a PL4330 que aprofunda a terceirização, e lutar por iguais direitos e salários em cada local de trabalho, brigando pela incorporação ao quadro efetivo de todos terceirizados. Bancários, ecetistas, professores e funcionários da educação, metalúrgicos, petroleiros, juntos com a juventude, em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, poderiam levar a uma nova inflexão política no país. Em São Paulo e Rio de Janeiro este polo teria a tarefa urgente de chamar os trabalhadores dos Correios a reunificar a greve da categoria superando a burocracia da CTB.

Além das oposições e sindicatos combativos, aglutinados sobretudo na CSP-Conlutas e na Intersindical, a juventude também seria parte fundamental de um polo combativo e antiburocrático. As centenas de entidades estudantis que se aglutinam em torno da Anel e da oposição na UNE, a juventude do MPL e o Black Block poderiam ser a linha de frente de um movimento de unidade operário-estudantil nas lutas em curso, buscando dar mais força para a luta pelas demandas de junho

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