FT-CI

ENFRENTAMENTOS NA BOlà VIA CUSTAM A VIDA DE UM TRABALHADOR

Mineiros cooperativistas exigem nacionalização e abrem crise política nacional

22/09/2012

Por LOR-CI, Bolívia

Em 18 de setembro, e como parte de um plano de mobilização nacional das cooperativas mineiras contra os trabalhadores cooperativistas, ocorreu um atentado provocador contra a sede dos mineiros assalariados da Bolívia, a FSTMB, que deixou como resultado um companheiro de Colquiri assassinado pela explosão de dinamite no tórax e uma dezena de companheiros feridos. Esse ataque pôde ser feito graças ã colaboração da polícia nacional que deixou descoberta a zona minutos antes do ataque.

As causas do conflito

Depois dos acordos sobre nacionalização do mês de junho com o MAS, o governo de Evo Morales e Garcia Linera, que mantêm um acordo com a Federação Nacional de Cooperativas Mineiras (FENCOMIN), emitiu o Decreto Supremo 1337 que concede a veia Rosário da jazida de Colquiri (com uma riqueza avaliada em 300 milhões de toneladas do mineral) ã cooperativa 23 de fevereiro. Diante desta situação e do não cumprimento dos acordos, o setor mineiro assalariado, organizado ao redor do Sindicato Misto de Trabalhadores Mineiros de Colquiri (SMTMC) e a FSTMB ocuparam a jazida, e montaram guardas para defende-la das tentativas de tomada de posse por parte das cooperativas e por parte do exército e a polícia como exigem os representantes da FENCOMIN.

A ocupação da jazida por parte dos cooperativistas exigindo a nacionalização de toda a mina, que tem contado com o paio e colaboração de cooperativas pobres e humildes que preferem passar ao sistema assalariado, assim como das comunidades indígena-campesinas que enxergam que a luta mineira está ao serviço de todos os trabalhadores e de todo o país e não dos pequenos grupos empresariais. De fato o companheiro Hector Choque assassinado dia 18 no atentado ã sede sindical era ex-membro da cooperativa 23 de fevereiro e atual filiado ã FSTMB.

O que são as cooperativas mineiras?

São as que agrupam 100 mil trabalhadores em âmbito nacional, a grande maioria dos associados são pessoas pobres que trabalham obtendo um salário médio de 250 dólares ou menos por mês, enquanto dentro deste meio existem empresários que se beneficiam do não pagamento de impostos e regalias além de contar com força de trabalho, diaristas e trabalhadores cooperativistas pobres a quem não se paga nenhum tipo de benefício social, aposentadoria ou estabilidade no trabalho. Ou seja, que sob o nome de cooperativas se escondem verdadeiras camadas empresariais do trabalho ilegal e precário que buscam elevar a produtividade para explora-la em sociedade com transnacionais ou saqueando os recursos sem realizar investimentos de prospecção e exploração mineira, esgotando as jazidas e deixando povoados fantasmas para trás. Este é o motivo pelo qual um amplo número de trabalhadores pobres se inscreveram nas listas de novos trabalhadores cooperativistas no caso de uma nacionalização da jazida de Colquiri. Esta mesma situação é a que tem motivado uma violenta resposta por parte da cooperativa de 23 de fevereiro que busca o respaldo de milhares de cooperativistas do resto do país para evitar a nacionalização.

Importante crise política atinge o MAS

Diante desta situação o governo do MAS tenta obter uma trégua para evitar ter de assumir uma posição diante de uma das principais crises políticas do ultimo ano. Por um lado os pactos e acordos de te governo com o setor empresarial, parecido com o de Huanuni em 2006, o governo quer evitar ter que se pronunciar, buscando que os trabalhadores cooperativistas cedam diante das demandas das cooperativas. O papel do MAS contra a nacionalização e a defesas das cooperativas apenas tem conseguido radicalizar as posições e uma tendência ã nacionalização do conflito onde professores, profissionais do saneamento, e trabalhadores em geral já começam a se mobilizar em respaldo aos mineiros cooperativistas que exigem a nacionalização de toda a jazida. Dia 20 e 21 a COB se viu obrigada a convocar uma paralização nacional, que enquanto se desenvolviam assembléias nos centros mineiros e ampliados regionais e departamentais, determinarão as medidas a serem tomadas desde a COB. No dia 19 num ampliado nacional de cooperativistas mineiros se determinou o início de um bloqueio nacional de estradas para obrigar o governo do MAS a militarizar o distrito de Colquiri exigindo o cumprimento do DS 1337.

Tirar a poeira das teses de Pulacayo para vencer

As teses de Pulacayo foram um avançadíssimo documento sindical dos trabalhadores mineiros aprovado em 1946, cuja base fundamental se encontra no programa de transição elaborado por Leon Trotski para a fundação da IV Internacional. Estas teses, apesar de serem bem antigas, são de uma vitalidade ímpar para a tradição e linguagem dos trabalhadores mineiros. Mesmo que cada vez menos conhecidas no movimento operário boliviano, jovem, produto da ofensiva neoliberal das últimas décadas, têm um peso e um valor importante no seio da classe operária mineira. Desde a LOR-CI, temos convocados os trabalhadores a atualiza-las e a coloca-las na prática nesta grande luta mineira que supera os estreitos limites corporativos para se transformar em uma luta de todos os trabalhadores e o povo boliviano. Diante do ataque patronal cooperativista que conta com as vistas grossas do governo do MAS, temos chamado a se colocar de pé comitês de vigilà¢ncia e autodefesa para que não se levem nenhuma vida operária a mais, para defender nossas sedes sindicais e direitos de mobilização e organização operárias. Mas isso apenas não é suficiente. É necessário impor ã COB um plano de luta nacional, que unifique aos mineiros com os trabalhadores fabris e de serviços assim como também com os camponeses e o povo pobre numa luta pela nacionalização total da jazida sem indenização e a transnacional Sinchi Wayra, titular das concessões mineiras até meses atrás. A administração operária coletiva dos jazidos nacionalizados pode ser uma grande escola de planificação para setores de trabalhadores assim como um valioso instrumento de luta contra a corrupção estatal. No dia 21 de setembro devera ser levado a cabo o ampliado da COB que determina os passos a serem seguidos. A convocatória na cidade de Cochabamba argumentada por motivos de insegurança, longe do epicentro do conflito pode motivar o receio dos trabalhadores com o comitê executivo. Não podemos permitir que se negocie menos que a nacionalização total do jazido. Temos que exigir a convocatória a um comitê nacional de luta formado por delegados de base e revogáveis de todos os distritos mineiros mobilizados. Só assim serão os trabalhadores de base que garantirão o cumprimento das resoluções votadas.

Chamamos os trabalhadores e estudantes a impulsionar imediatamente uma grande campanha de respaldo ás luta mineira pela nacionalização sem indenização e pela administração coletiva dos operários mineiros.

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