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Solidariedade internacional

México: centenas de presos e feridos na volta do PRI ao governo

11/12/2012

Peña Nieto chegou ao Congresso para a mudança de governo em meio ao repúdio em quase todas as capitais do país, além da forte repressão aos protestos. Assume a presidência entre a indignação popular, com os representantes políticos da classe dominante tentando chegar ao Congresso, com seus carros e roupas de luxo, com a sede do parlamento cercada por tanques de água, gás lacrimogêneo, balas de borracha, milhares de policiais federais e militares. Essas foram as “medidas preventivas” anunciadas por Peña e orquestradas pelo Estado Maior para o retorno do PRI ã presidência. Peña Nieto, em suas primeiras horas de governo e com ajuda do governo perredista (PRD) do Distrito Federal, já tinha mais de uma centena de detidos, centenas de feridos e a criminalização iniciada pelos meios de comunicação, marcando o início de um novo governo repressor. Com mais de uma centena de detidos na Procuradoria da Capital e a ordem de “ir até o fim” por parte do perredista Marcelo Ebrard (chefe de governo), para impor penas que vão de 5 a 30 anos de prisão, pela condenação de “desordem pública” e dano ã propriedade privada.

As condenações dos meios de comunicação e funcionários do governo buscam minimizar o repúdio ao recém eleito Peña Nieto, assim como as calúnias de que nossos feridos foram produto de pedras lançadas pelos próprios manifestantes e não pelos disparos policiais. Os tiros de balas de borracha e gás lacrimogêneo voavam enquanto Juan Kuy Kendall se debatia entre a vida e a morte devido a um traumatismo craneoencefálico, provocado por uma bala perdida, assim como Uriel Sandoval, que perdeu um olho. A ação de setores da juventude, entre os quais se contavam muitos integrantes do movimento #yosoy132 e jovens independentes, pode ser um sintoma de que o descontentamento que percorre a juventude e que já havia se expressado com a emergência do #yosoy132, pode dar um salto, avançando para métodos radicais de luta.

A LTS e a Juventude Anticapitalista, Socialista e Revolucionária – que impulsionamos junto a coletivos e estudantes independentes – participamos da mobilização que foi chamada pela Convenção Nacional contra a imposição de Peña Nieto, o magistério democrático, o #yosoy132 e organizações sociais e populares, colocando a necessidade de preparar uma grande mobilização e uma greve nacional encabeçada pelos trabalhadores e suas organizações para enfrentar o governo de Peña Nieto e seus planos. Com mais de 100 companheiros que participaram de nossa coluna, estivemos presentes desde muito cedo. Depois da selvagem repressão nos somamos desde o primeiro momento ã campanha pela liberdade dos presos políticos, que também impulsionam nossos companheiros da FT na Argentina e outros países da América Latina e Europa.

Fracassou a tentativa de uma mudança ordenada no poder

Após as medias repressivas, pretendia-se transmitir ao mundo uma imagem ordenada da mudança de governo que permitiria a Peña Nieto iniciar seu mandato em aparente estabilidade. Ocorreu o contrário. Os principais diários do mundo publicaram na primeira página as manifestações e a brutalidade policial, mostrando o novo governo sem legitimidade. A violenta repressão e a dura resposta do PRD no DF são mostra do pacto no regime contra os que enfrentam seus planos e sua “governabilidade”. Os fatos de 1/12 mostram o que espera por esse governo, que se inicia com muito questionamento, onde o descontentamento popular será a constante. A dura repressão também nos coloca a necessidade de defender os detidos e lutar pela sua liberdade incondicional. Isso nos permitirá estar em melhores condições para reorganizar a luta contra os planos de miséria que o governo quer nos impor, além de não permitir que as instituições repressoras do regime saiam fortalecidas e se imponha a criminalização dos protestos.

Repudiamos a repressão e exigimos a liberdade imediata e incondicional de todos os presos. A LTS, junto com outras organizações, pais de família e organismos de direitos humanos, redobramos esforços pela liberação de todos os detidos e um advogado nosso é parte da equipe jurídica que toma os casos dos companheiros. Chamamos todas as organizações operárias que se reivindicam independentes como a CNTE, o SME e a UNT a encabeçar um grande movimento nacional nas ruas, somando ás organizações de direitos humanos, intelectuais, organizações políticas, sindicais e sócias, indígenas e camponesas a impulsionar uma campanha internacional unitária pela liberdade de todos os presos e contra a repressão.

É fundamental uma luta ampla , democrática e massiva pela liberdade dos presos e que os sindicatos chamem a ações e preparem uma paralisação nacional para exigir sua libertação imediata. Se atacam um, atacam todos! Responsabilizamos o governo de Peña Nieto e o governo da capital por qualquer agressão que podem sofrer os companheiros que se mobilizam pelos presos.

PRI, PAN e PRD firmam pacto para estabilizar o regime mexicano

Apesar do questionado triunfo eleitoral, Enrique Peña Nieto buscará recompor o sistema de alternância, tão debilitado logo após o panismo concluir seu sexênio comais de 70 mil mortos. Para isso, apelará a medidas repressivas, como se viu na ação policial de 01/12 e em seu primeiro anúncio: “o exército se manterá nas ruas”. Com o novo gabinete saíram à luz uma dezena de nomes ligados política, familiar ou financeiramente ao ex-presidente Carlos Salinas de Gortari. Velhos políticos reciclados que de “novo PRI” não tem nada e encarnam a década de mais feroz ofensiva neoliberal da burguesia e da patronal contra os trabalhadores no México.

Contudo, ainda que o PRI conte com o apoio dos partidos e do Congresso, deverá enfrentar a crise econômica e o descontentamento social. Já em sua posse Peña Nieto lançou um discurso de “unidade nacional” em busca de estabilidade que lhe permita avançar com os planos contra as massas, no que será fundamental o papel do Congresso da União. Além disso, mostrou a histórica relação do PRI com o exército: no primeiro discurso do recém eleito Secretário de Defesa Nacional, disse que respeitaria o direitos humanos, nada mais falso, quando ao mesmo tempo os manifestantes fugiam das balas e bombas de gás lançados na frente do Congresso.

Os acontecimentos de 1/12 e o antecedente da reforma trabalhista imposta pelo Congresso nas semanas passadas deixam ver um regime que se posiciona para avançar na ofensiva mandatada pelo imperialismo, onde o PRD aparece como uma oposição cada vez mais leal e adaptada ao PRI e ao PAN, começando pela reforma trabalhista, em negociações com o PRI e alianças com o PAN antes da votação. Além disso, o PRD (que governa o Distrito Federal) é hoje a ponta de lança da repressão desatada durante a posse de Peña Nieto, com centenas de detenções arbitrárias. Um governo que inicia com respaldo empresarial e que buscará negocia as reformas estruturais para implementar seus planos, entre eles, seu grande objetivo: privatizar Pemex (empresa de petróleo).

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