FT-CI

Bolivia

Frente ã ofensiva da direita e os pactos de Evo Morales: lutar pela independência de classe

18/05/2008

Frente ã ofensiva da direita e os pactos de Evo Morales: lutar pela independência de classe

No dia 4/5 na província boliviana de Santa Cruz, a direita obteve um triunfo político importante, apesar de limitado, com a vitória do ’sim’ no referendo pela autonomia da província. Agora, enquanto o governo trata de diminuir a derrota e insiste em negociar, o calendário autonomista da região da "meia-lua" segue em frente. O "diálogo nacional" que o governo de Evo Morales propõe só pode se dar ás custas dos interesses dos operários e dos setores populares. O povo trabalhador está disposto a combater, mas os dirigentes têm desmobilizado a serviço do governo. Para liberar toda a força das massas há que romper a subordinação da Central Obrera Boliviana (COB), e das organizações populares ã política pacifista do governo. Cada luta operária e popular que triunfe ajudará a construir a contra-ofensiva dos trabalhadores, camponeses, povos originários e setores populares.

Apresentamos uma entrevista com Javo Ferreira, dirigente da LOR-CI, organização irmã da LER-QI na Bolívia e integrante da Fração Trotskista - Quarta Internacional. A LOR-CI foi a única organização trotskista a intervir com uma posição classista e independente na concentração em Plaza San Francisco, que reuniu milhares de camponeses, trabalhadores e setores populares do Altiplano e de Yungas.

- 1 O que foi o referendo autonômico e quais são seus resultados?

O referendo autonômico levado a cabo no dia 4 de maio no departamento de Santa Cruz, foi um passo a mais na ofensiva política que os latifundiários e a burguesia nacional vêm impulsionando detrás do Comitê Cívico e da Prefeitura do departamento.

As tentativas do governo de Evo Morales de chegar a um diálogo antes desta ação política fracassaram e hoje os prefeitos restatantes com processos de referendos autonômicos em marcha declararam que antes de ir ao diálogo continuaram com a aprovação de seus respectivos estatutos. Nestes momentos, para além da luta pelas cifras do referendo, o nível de abstenção - cerca de 40% - é certo que a reação burguesa obteve um importante ponto de apoio na demanda de autonomia, demanda que contraditoriamente vem legitimando com referendos ilegais. Porém, como também mostraram os massivos cabildos [1] e mobilizações em La Paz, El Alto, Oruro e Cochabamba, assim como as ações de boicote ativo do referendo em pelo menos quatro centros urbanos importantes do Oriente, como são Camiri, rica região petroleira, Yapancani, San Julián e Montero, mostram que a vontade de luta do movimento de massas existe e que o único que impede passar ã ofensiva é a política das direções sindicais operárias e camponesas.

- 2 Qual foi a política do governo?

A política do MAS teve coerência com o que vem declarando nos últimos meses. Durante todo este tempo tentaram inutilmente chegar a um acordo com as prefeituras e os comitês cívicos da direita, buscando compatibilizar a nova Constituição e os referendos. Durante todo este tempo e apesar de ser evidente que já não havia possibilidades de diálogo, pese a que o governo financiou campanhas na TV dizendo que o referendo tinha caráter fraudulento e ilegal, já que até a Corte Eleitoral de Santa Cruz fazia campanha a favor do “sim”, o governo pediu ã população apenas que se limitasse a não votar, a se abster. Com esta política os movimentos sociais de Santa Cruz ficaram isolados e toda a energia que podiam ter posto em um boicote ativo ficou profundamente limitada graças ã ação do governo. Neste afã de dialogar com a direita, o governo suspendeu a inspeção de vários latifundiários onde existem cerca de 2000 famílias guaranis em condição de semi-escravidão, reprimiu as ações da Juventud Antifacista de La Paz e Cochabamba, enquanto os grupos como a Unión Juvenil Cruceñista ou Jóvenes por la Democracia golpeiam e intimidam com absoluta impunidade os filhos dos trabalhadores e o povo.

- 3 Que perspectiva se abre para a situação política na Bolívia após o referendo?

O mais provável, e é o que vários analistas prevêm, é que entraremos em uma situação na qual o que primará são as tentativas de aproximação para estabelecer um diálogo e uma negociação que facilite a compatibilização dos estatutos autonômicos e da nova Constituição do MAS. Porém, esta negociação se fará em condições cada vez mais favorável ã direita. Mas se reação se excede da relação de forças, não se pode descartar novos curtos-circuitos que levem toda a tensão política ás ruas.

- 4 Qual é o papel da OEA e da Igreja?

Evo Morales clama pela mediação da Organização de Estados Americanos (OEA) como se fosse garantia de algo favorável para o povo. A OEA que não por acaso sempre foi a instituição que coordenava a submissão dos governos da América Latina aos EUA, intervém como garantidor da ordem semicolonial regional. Em 3/5 sob a pressão de Washington corrigiu seu “excessivo” apoio ao governo com uma nova declaração que enquanto insiste no diálogo, na verdade aprova e deixa correr as consultas autonomistas. Seu objetivo é evitar o risco de uma maior desestabilização na Bolívia e impedir que na crise política possa intervir o movimento de massas. Tendo conseguido que o MAS mantenha sua "moderação", aceitam que os autonomistas imponham melhores condições na busca de uma saída favorável ã burguesia de conjunto. Por sua vez, o cardeal Julio Terrazas, principal figura da Igreja, fez uma missa e em seguida foi votar, legitimando o referendo. A reacionária cúpula católica não se privou tampouco nesta oportunidade de demonstrar que está firme e sem dúvidas a serviço dos ricos e da reação. Agora o MAS protesta, mas até o dia anterior, chamou com todas as forças a confiar nestes "mediadores".

- 5 Qual foi a política da COB, e qual a política que a LOR-CI está levantando para fazer frente a esta situação?

Lamentavelmente a direção da COB, encabeçada por Pedro Montes, demosntrou ser uma burocracia colaboracionista com o MAS. Nos últimos meses houve dezenas de greves por salário, condições de trabalho e diversas questões setoriais como Huanuni, Colquiri, Correios, Makitesa, Saúde, Magistério, Limpeza Urbana de El Alto, etc., nos quais a COB se negou de fato a centralizar ou coordenar estas lutas. Assim mesmo, frente o referendo e a ofensiva reacionária da burguesia, repete a mesma política que Evo Morales e o MAS de não organizar nenhuma resistência ativa e militante. Se limita a falar sobre a “unidade do país” com o governo sem fazer nenhum chamado à luta. Tanto em 1° de maio como em 4 de maio em todas as ações que se deram, Pedro Montes optou por participar nos eventos mais oficiais, e inclusive no mesmo palco que o presidente.

Desde a LOR-CI, junto a vários sindicatos e organizações, estamos exigindo o adiantamento com caráter de urgência do próximo congresso da COB, no qual devem participar os novos sindicatos e direções que surgiram no último ano, para expulsar uma direção que abertamente tem pisado sobre a independência de classe da COB e dos sindicatos, definir um programa e ação que esteja ã altura das circunstâncias, e que comece a coordenar e centralizar de forma democrática as lutas em curso. Vemos que é urgente preparar este congresso para dar a luta por um instrumento político dos trabalhadores, que permita ir construindo a “terceira” posição, a da classe operária, capaz de enfrentar a reação burguesa e latifundiária e a política de conciliação de classe e reformismo sem reformas do MAS, que alimenta.

  • TAGS
Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Jornais

  • PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)