FT-CI

Bolivia

Entrevista com Edwin Gutiérrez, Secretario Geral da SITRASABSA

02/04/2007

Em artigos anteriores (Bolívia: novo movimento operário e o desafio para os trotskistas) viemos dando conta do processo de recomposição que se vem dando entre o movimento operário boliviano, particularmente em El Alto.

Nesta oportunidade, conversamos com Edwin Gutierrez, Secretario Geral da SITRASABSA (Sindicato dos trabalhadores da SABSA, do aeroporto de El Alto) e militante da Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional (LOR-CI).

- O que está acontecendo na Central Obrera Regional (COR) de El Alto?

No último período a COR esteve muito debilitada porque sua direção, que apóia o governo, a usou para frear e desmobilizar todo o movimento, como em janeiro quando estava colocado um enfretamento com o prefeito direitista "Pepelucho" Paredes.

Agora os trabalhadores estão despertando, depois de muito tempo. Está sendo preparado o Congresso da COR. Um grupo de sindicatos, composto por trabalhadores assalariados arrancou da atual direção um ampliado de emergência no dia 21 de março. Com o voto de 20 organizações contra 6 que apoiavam Edgar Patana (Secretário Executivo da COR de El Alto), impusemos, entre outras resoluções, que se chame a um Congresso orgânico antes do Congresso ordinário. À camarilha não lhe serve nem as manobras nem as tentativas de "amarrar" de costas da base.

- Nos explique um pouco este problema...

Bem, a COR atualmente é dirigida por uma camarilha burocrática, que se apoia nos grêmios (autônomos, artesãos, pequenos comerciantes), artesãos e outros setores, onde há gente do MAS e outros que estiveram com a direita e agora se acomodaram com o oficialismo. De 37 organizações bastante conhecidas no ano de 1999, quando ocorreu o último congresso orgânico, somente 9 eram de. Em tanto tempo, alguns setores deixaram de participar regularmente das atividades da COR ou se dissolveram, outros estão sobre representados. Por exemplo, os grêmios têm 60 representantes no Congresso; entretanto, no Comitê Executivo não há um só trabalhador.

Setores de grande importância, com força para parar a produção e o movimento em El Alto, como os petroleiros da YPFB em Senkhata, nós do Aeroporto e outras empresas temos nos organizado no último período. É preciso fazer um Congresso orgânico para reconhecer esta nova realidade e democratizar a nossa COR. Isso tem que servir de ponto de apoio para continuar organizando os trabalhadores. Em El Alto existem 100 mil operários e a maioria não tem sindicatos.

- O que propõe a SITRASABSA aos trabalhadores de El Alto?

Estamos nos reunindo com outros sindicatos, como o dos professores, YPFB, SUCOTEL (telefônicos), FUTECRA (açougueiros), transporte pesado, gastronômicos, EMU (Empresa Municipal de Manutenção Urbana), limpeza urbano (lixeiros) e outros. Nestas reuniões, além de dar a luta pelo Congresso Orgânico e pela rearticulação do movimento dos, estamos discutindo um projeto de teses política para o Congresso da COR, com base em uma proposta que temos elaborado e aprovado em nosso setor.

Nós propomos lutar pela organização operária independente, por uma COR de classe, independente do governo e dos partidos de direita, com plena democracia sindical e um programa de luta, pelas demandas operárias e dos setores populares e camponeses com os que estamos unidos na COR.

- A Assembléia Constituinte terminou em El Alto faz poucos dias, buscando melhorar sua imagem e fortalecer as ilusões de que mudará o país...

Sim, e nós dissemos aos trabalhadores que não devemos acreditar que vão "refundar o país" com uma nova Constituição Política do Estado nesta Assembléia atada pelos acordos e condicionantes entre o MAS e a direita. Porém não é por isso que devemos deixar de aproveitar a oportunidade de apresentar as demandas operárias e fazer escutar a nossa voz como classe trabalhadora no terreno político. Isso pode ajudar a mobilização por nossas demandas, que será a única forma de conseguir o salário de acordo com a necessidade familiar, o respeito a jornada de 8 horas e a nossos direitos sindicais, trabalho para todos e colocar um freio ao despotismo dos empresários.

Por isso, e para ajudar também a outros companheiros a fazer a experiência com as promessas da Constituinte, fomos ás comissões da Assembléia que terminaram aqui no dia 21. Falamos e apresentamos uma pauta de demandas operárias que estamos elaborando e discutindo em vários setores. Fomos os dirigentes SITRASABSA, a direção de TEA (ex Taller Externo de El Alto), a direção da Limpeza Urbano, setor com 700 companheiros que estão em conflito pela defesa da fonte de trabalho, salário e outras reivindicações. Esta primeira experiência nos serviu para fazer escutar uma boz operária de El Alto.

- Quer acrescentar algo mais?

Que hoje uma tarefa central é ajudar a rearticulação do movimento dos que somos uma grande força social que pode parar a produção e temos que nos fazer sentir. Esta organização tem que ser com independência política do MAS, que como mostra o escandâlo dos contratos petroleiros, não quer uma verdadeira nacionalização dos recursos naturais e negocia todo o tempo com a direita e as transnacionais. Por isso necessitamos dos sindicatos e uma COR de classe, que seja um referencial para a organização e a luta, que dê uma saída operária frente aos grande problemas nacionais.
Convidamos aos sindicatos combativos, que compartilham conosco essas idéias e querem ajudar a pôr em pé os demais trabalhadores de El Alto, a fazer um bloqueio para seguir essa pelea, no Congresso de nossa COR e depois.
Outros companheiros que também apoiamos desde a Casa Operária Juvenil de El Alto e a LOR-CI, como companheiros da ex Christies, também simpatizam com estas propostas e estamos discutindo-as. A idéia é impulsionar um grande movimento pela organização operária e existe bastante acordo nisso.

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