FT-CI

Após a oficialização do plano de demissões e de fechamento por Varin*

A raiva cresce em PSA

06/08/2012

Por Vincent Duse, CGT e Peugeot Mulhouse, e Nicolas Rossel (departamento 93)

"Mentirosos!". "Canalhas!". A palavra esta em todas as bocas na manha de quinta-feira, no estacionamento, diante das catracas da usina PSA em Aulnay-sous-Bois em Seine-Saint-Denis. Mais de 3000 postos de trabalho diretos na produção é o que representará o fechamento da planta no horizonte de 2014, são 1500 postos ameaçados na planta de Rennes-La Janais e outros 3500 além da produção, a saber dentre eles, trabalhadores administrativos, técnicos, engenheiros e quadros. Ninguém será poupado pela PSA. Todos os funcionários o sentem há meses.

Conhecemos a música para justificar o injustificável. Os argumentos do grupo são sempre os mesmos. “O custo de produção na França é 10% mais elevado do que na Europa Oriental”. “PSA passa por dificuldades”. “É a crise”. E, no entanto, nunca os caixas do grupo estiveram tão cheios, repletos entre outros, de dinheiro público. Nunca as remunerações dos “dirigentes” estiveram tão altas. Nunca também seus acionistas foram tão bem pagos.

Compreendemos ainda mais a emoção dos trabalhadores. E, no entanto, o plano já havia sido revelado pela CGT. Isto não impediu a direção de negar sua existência durante doze meses. Durante um quarto de hora as informações que foram tomadas nos ateliês quinta pela manhã em Aulnay, os chefes bombardearam as notícias que os havia comunicado a direção antes da reunião extraordinária da Comissão da Comunidade Européia (CCE) convocada para 12 de julho. Como se nada tivesse acontecido, no meio da lista desses mesmos chefes, que há um ano transmitem o discurso de Varin segundo o qual Aulnay não estaria ameaçada, foi cometido o deslize de afirmar que a planta seria fechada. A reação foi imediata. Em várias oficinas, os chefes não pediram suas férias e partiram imediatamente. Programada para 13h30, a mobilização chamada pela união dos sindicatos durou toda a manhã e foi ouvida durante uma parte da tarde. Tanto quinta, quanto sexta-feira, a produção estancou nas plantas de Aulnay e Renner, com uma greve selvagem na quinta-feira em Aulnay, e no dia seguinte com uma greve massiva em Rennes.

No estacionamento da planta de Seine-Saint-Denis, os capatazes continuaram levar os trabalhadores do turno da tarde que recebiam na notícia. Vários eram os que colocavam seus crachás para saírem imediatamente depois para encontrarem seus colegas do turno da manhã que se uniam a outras delegações sindicais vindas de vários outros centros de produção (PSA Saint-Ouen, Renault Cléon, etc) bem como do departamento (CGT Plaine Commune,Roissy, etc.).

A raiva era palpável, não somente contra a direção do grupo, bem entendido, mas igualmente contra os representantes locais do Partido Socialista (PS), Gérard Segura, prefeito de Aulnay. Os trabalhadores nunca previram que o governo da “mudança é agora”, lhes tenha enviado policiais (CRS, divisão policial especializada em repressão de manifestações, nota da tradução) durante a manifestação diante da sede do grupo, na avenida Grand-Armée, no dia 28 de junho, ainda que ele tenha sido apoiado pelas delegações vindas de toda a França [1]. Alguns ovos foram atirados e do outro lado, grades, onde se encontravam agentes da prefeitura e chefes. “ Não é nada que diz respeito ao que vai ocorrer em setembro (após as férias de verão que começam em 27 de julho)” advertiam vários trabalhadores, diante dos jornalistas presentes. Sobre os 3000 assalariados de Aulnay, a metade será realocada internamente, notadamente em Poissy, onde 700 demissões são igualmente anunciadas. Procure o erro! A outra metade será realocada para a bacia de empregos, já inexistente. Varin tem mesmo inventado um novo conceito: a revitalização da planta de Aulnay após seu fechamento! Sem esquecer o conjunto dos empregos tocados diretamente ou indiretamente, no nível das subcontratações, no departamento, etc. Bastante é o bastante e a cólera dessa vez pode se espalhar.

É a CGT de Aulnay que tem dirigido a mobilização que ocorreu diante dos 600 trabalhadores presentes e também numerosos apoios sindicais e políticos, notadamente da extrema esquerda (Nouveau Parti Anticapitaliste - NPA e Lutte Ouvrière – LO), vindos do departamento de outras localidades. Por sua vez Marie-Georges Buffet, deputada da circunscrição, e Segura, prefeito da cidade, a “esquerda plural moída” brilhava por sua ausência, a Frente de Esquerda aí incluída. A hora é de resistência e a perspectiva, é de fazer Varin recuar. É a mensagem que entregou Jean-Pierre Mercier na tribuna, sem ainda levar ambiguidade sobre o que quer dizer “nós vendemos caro a nossa pele”: impedir as demissões em Aulnay em particular e do grupo em geral ou a negociação das indenizações, como foi feito durante o ciclo de lutas operárias contra os fechamentos entre 2008 e 2009?

Adversários multiformes para os trabalhadores

A CGT enviou, no entanto, uma nota de anúncio da direção que desmentiu um a um todos os argumentos lançados pelo grupo PSA. Os sindicalistas fizeram igualmente uma lista dos inimigos e adversários os quais iriam ter que fazer diante dos trabalhadores nos próximos meses: Varin e os seus, bem entendido: mas também o governo que, como a oposição de direita, ficou mudo e simulou uma surpresa: “PSA esperou o fim das eleições para anunciar o fechamento”, declarou François Hollande durante seu pronunciamento de 14 de julho, ainda que o estivesse escrito preto no branco no plano secreto da direção que a CGT havia publicado no último verão; “É um choque para a nação”, se superou Arnaud Montebourg, ministro da Recuperação Produtiva, “o Estado não aceitará o plano da PSA na forma em que está”. O governo de conjunto, ao final, num chamado antecipado de consulta, não afirma recusar o plano enquanto tal, mas o plano “no estado em que está”. Nuance. Sabemos como esse gênero de afirmação termina em geral. Temos todos em mente o que fez Lionel Jospin, em 1997, que depois de ter jurado por seus deuses que Renault Vilvorde não fecharia, terminou por dizer que “o Estado não pode tudo”, condenando assim, milhares de famílias operárias belgas a miséria.

É por isso que os trabalhadores de PSA, começando pelos assalariados das plantas em questão, bem como do conjunto dos subcontratados, devem se organizar, imediatamente, na base, para exigirem a revogação do plano de supressão, a não negociação das demissões “em troca” de uma degradação das condições de trabalho (como Varin gostaria de impor a SevelNord), bem como exigir, se necessário, a nacionalização, sob controle operário, das plantas ameaçadas, e que sua produção seja colocada a serviço das necessidades socializadas da população (transportes públicos, carros coletivos, etc.). Para isso, os trabalhadores devem contar apenas com suas próprias forças. No dia do anúncio do plano, nenhum responsável sindical nacional estava presente ao lado dos trabalhadores para defender sua causa. Sem dúvida eles dormiram em suas duas rodadas de discussão com Hollande e Ayrault no Encontro de 9 e 10 de julho durante o qual seria negociada a paz social para a volta das férias. Ao ouvir as declarações, a começar por aquelas de Bernard Thibault, mais interessado em sua sucessão ã cabeça da CGT do que pelo destino das plantas ameaçadas, temos a impressão de ouvir uma “versão bis” do governo: foi preciso enviar peritos e renegociar os PSE. Eis em essência o que declarou Thibault no programa matinal de França Internacional no último dia 12.

Coordenação de um comitê de greve

No palanque sobre o estacionamento em Aulnay, Phillippe Julien, responsável pela CGT, declarou o quanto era necessário que os trabalhadores da planta se dirijam ao conjunto de seus colegas bem como ao conjunto dos trabalhadores, começando por aqueles que estejam com seus empregos ameaçados [2]. Há alguns quilômetros da fábrica, em Roissy, Air France prepara uma verdadeira sangria em eu efetivo. Deve se colocar de pé a coordenação das plantas ameaçadas e das equipes sindicais combativas, na unidade, a fim de se prepararem para se contrapor, ao menos a partir do fim das férias de verão, aos planos da patronal.

Em uma planta como Aulnay onde apenas uma minoria dos assalariados são sindicalizados, e além disso em vários sindicatos diferentes, é justo que uma equipe de agitação da luta seja criada, aberta tanto aos sindicalizados quanto aos não–sindicalizados, revogável e agindo em nome dos trabalhadores em luta. Esta proposta também foi aprovada pelos trabalhadores reunidos no estacionamento da fábrica.

Por um grande movimento de solidariedade com os trabalhadores de PSA: as demissões? “Não passarão!’’

Resta saber agora como o conjunto das equipes combativas e dos comitês de apoio vão poder se estruturar para apoiarem os trabalhadores que votaram a criação de uma coordenação e de um comitê de greve, mas também para apoiar sua luta, os apoiar politicamente e financeiramente, na ação militante e nas mobilizações tanto nos departamentos envolvidos, Seine-Saint-Denis e Ille-e-Vilaine como em outras plantas do grupo. Um embrião de um tecido de solidariedade será necessário para enfrentar o que Hollande chamou, em seu pronunciamento de 14 de julho de “esforço partilhado”, ou seja, austeridade, que envolverá a todos, trabalhadores do setor privado e público, jovens, aposentados e pensionistas. Sobre as demais plantas, mesmo quando os sindicatos locais de todos os tipos estão se esforçando de forma criativa, para dizerem aos trabalhadores que suas plantas não serão afetadas, a solidariedade também deve se reforçar, a exemplo do que fizemos em 28 de junho, quando vieram carros de apoio dos quatro cantos da França, até mesmo de Opel Bochum e da PSA de Madri.

É nesse sentido que as lutas de Aulnay e de Rennes são centrais que é preciso seguir o mesmo caminho do 28 e do 12, com um plano de luta para o conjunto dos assalariados do grupo. Queremos dar aos delegados 15 horas de delegações suplementares para estudar em detalhes as 500 páginas de documentos confidenciais comunicados pela direção ao fim das reuniões do comitê de empresa do fim de julho, que devem definir os cortes e as demissões. Mas são 15 horas que devem ser utilizadas para discussão com os colegas, para se coordenar, para refletir todos juntos como se organizar para fazer recuar Varin.

Se PSA consegue passar ã força, a patronal se sentira ainda mais forte para fazer avançar em outros setores (e já foram anunciados numerosos planos, do setor aéreo, em Sanofi** etc.). Se a solidariedade se ampliar, ela poderá servir de escola de formação para toda uma geração de militantes, bem como para os mais antigos, mulheres e homens que batalham há anos contra os maus cortes dos governos sucessivos e da patronal. É nesse sentido que Aulnay é a bomba social que temem a patronal e o governo. Cabe a nós fazer de tudo para ajudar os trabalhadores a acenderem o pavio.

* Presidente do monopólio francês do setor automobilístico, PSA Peugeot-Citroën.

** Sanofi-Aventis, monopólio francês do ramo da indústria farmacêutica.

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