FT-CI

Luta e Organização

Surge o Movimento Revolucionário de Trabalhadores

14/04/2015 Nova organização revolucionária no Brasil

Surge o Movimento Revolucionário de Trabalhadores

Artigo publicado por Esquerda Diário - www.esquerdadiario.com.br em 14 de abril de 2015

No último dia 12 de abril, foi fundado no país o Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), uma nova organização que luta pela revolução socialista, contra o sistema de exploração que vivemos hoje no capitalismo e busca uma sociedade sem classes, sem opressões e violência social, sem a soberania do capital: uma sociedade de fraternidade entre os trabalhadores livremente associados. Uma sociedade comunista.

O MRT surgiu a partir do Congresso da Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional, que votou em sessão extraordinária do seu V Congresso a mudança de seu nome. Quem presidiu o Congresso foi Pablito Santos, diretor do Sintusp. O debate teve início com abertura de Diana Assunção e Marcelo Tupinambá, e com a presença de Val Lisboa, dirigente e fundador da LER-QI.

O Congresso teve como mesa honorária a memória de Leon Trotsky, os lutadores da IV Internacional e o povo grego na luta contra os ajustes. Também começou, entre outras, com saudações ã greve de professores (principal luta em curso no país) e ao camarada Gaëtan, militante francês que se encontra na ameaça de ser preso por se mobilizar na França.

A alteração de nome e formação de uma nova organização expressa uma mudança decisiva: o fortalecimento da organização com novos trabalhadores, na USP, no metrô de São Paulo, em professores em greve, nos correios, em bancários, nas indústrias e em muitas outras categorias, de outros estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais, que foram parte ativa da discussão congressual da LER-QI. Essa nova composição exige uma nova organização, que corresponda aos objetivos e necessidades da nova etapa.

Além disso, tem relação com o enorme avanço que a organização pode oferecer aos trabalhadores com o lançamento do portal Esquerda Diário no Brasil, um instrumento latino-americano de notícias e ideias que viemos impulsionando internacionalmente com o intuito de forjar as bases para o desenvolvimento de alternativa política, inicialmente no caso nacional frente ã crise do PT e mais desenvolvido em outros países, como na Argentina frente ã crise do kirchnerismo. Um forte instrumento de opinião que tem chegado a centenas de milhares (com perspectiva de ultrapassar a casa do milhão nos próximos meses).

O objetivo de criar um partido orientado para a revolução socialista, que parecia distante em décadas passadas, se reatualiza com toda força no mundo a partir da grande crise capitalista iniciada em 2008 e, no nosso país, com as massivas jornadas de junho, que levaram massas ás ruas e modificaram em poucas semanas a história política do país.

Abriu-se uma nova etapa da luta dos trabalhadores e a juventude, que gerou em 2014 a maior onda de greves operárias das últimas décadas no país e já começaram a dar sinais para todos da força do verdadeiro sujeito da transformação social: a classe trabalhadora.

No entanto, essas lutas na nova etapa evidenciam um importante limite dos trabalhadores na sua luta pela revolução social: a necessidade de criar um instrumento político, um partido revolucionário, que seja verdadeiramente enraizado na classe e que possa ter capacidade de enfrentar o ódio das classes dominantes e as elites do país na defesa da população oprimida e o desenvolvimento da revolução socialista.

Acreditamos que um partido como esse deveria se basear na interação verdadeira das ideias da revolução social com a massa trabalhadora. Alguns partidos na esquerda internacional têm crescido em sua influência, como o Syriza grego ou Podemos espanhol, sendo muito conhecidos midiaticamente (por cima), mas sem ter uma militância verdadeira entre os trabalhadores (por baixo). Esse projeto não poderá realmente estar ã altura de uma revolução, mas sim da ilusão e de novas derrotas dos trabalhadores.

Uma alternativa internacional que aponta para esse tipo de partido revolucionário que necessitamos tem surgido na Argentina, com a atuação do Partido de Trabalhadores Socialistas (PTS) no movimento operário e na luta de classes e a composição da Frente de Esquerda dos Trabalhadores (FIT), uma frente de organizações que reivindicam a revolução socialista e tem oferecido uma alternativa política aos trabalhadores.

Nesse sentido, o movimento se orienta para confluir com jovens e trabalhadores que avançam no combate ã crise capitalista na perspectiva de construir um Partido Revolucionário dos Trabalhadores como solução classista e revolucionária ã crise de direção no movimento operário diante da confirmação, para nós, da passagem do PT para o lado dos capitalistas e a impotência da esquerda existente, que, apesar de muitos anos atuando em sindicatos (como o PSTU) e no parlamento (como o PSOL), fracassou em constituir para milhões de trabalhadores e jovens uma alternativa revolucionária ao PT e ao reformismo.

Justamente por isso consideramos que o novo momento da classe operária brasileira coloca o desafio de organizar uma unidade na ação com todos os setores anti-governistas e classistas para barrar os ataques em curso, sendo esta a base para debater o programa e a estratégia para a construção de um partido revolucionário dos trabalhadores verdadeiramente internacionalista, partindo das lições da experiência com o PT em nosso país.

*

Ao final do congresso, o Esquerda Diário entrevistou Pablito Santos, diretor do Sintusp, que expressou que "essa nova organização tem o desafio de lutar para que a tradição de auto-organização que existe entre os trabalhadores da USP se expanda para outras categorias e de desenvolva como uma nova tradição do movimento operário em todo o país"

Já Francielton Bananeira, delegado sindical do metro de São Paulo, afirmou que "necessidade de estender em nível nacional a batalha por um movimento sindical não corporativo, como hoje fazemos no metrô ligando as lutas econômicas dessa categoria estratégica com a luta pela estatização dos transportes sob controle dos trabalhadores e usuários como forma de responder ao que foi a principal demanda das jornadas de junho de 2013"

Por fim, Val Lisboa, histórico militante operário que participou da fundação do PT, expressou que "o MRT deve estar a serviço de construir um partido que tire até o final as lições do que foi a experiência como PT, tarefa que nem o PSOL nem o PSTU foram capazes de realizar, já que vêm mostrando sua impotência para expressar politicamente a onda de lutas operárias que tem sacudido o país nos últimos anos".

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Periódicos

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)