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Brasil: Escândalos de corrupção, crise no governo Lula, no PT e no congresso

Organizar a classe trabalhadora com independência política é a única forma de dar uma saída para a crise

03/08/2005

A crise do governo Lula que se aprofunda cada dia mais é assunto em todos os lugares do país, do congresso, ás fábricas e bairros populares. Em todos os meios de comunicação a burguesia discute sem vergonha nenhuma a sua própria podridão. Cada dia que passa surgem novos escândalos de corrupção. A “democracia dos ricos” mostra a sua verdadeira cara, inclusive a sua face petista, que não consegue mais segurar sua máscara de “ética na política”.

Os burgueses e partidos mais corruptos, principalmente o PSDB, tentam enganar os trabalhadores e a juventude se apresentando como os novos portadores das bandeiras da “ética” e da “moral”. Nada mais falso. Na verdade, cada setor da burguesia tenta se utilizar das cartas que tem na manga para tentar redividir o “bolo” do poder frente ã crise do governo e do PT de olho nas eleições de outubro de 2006.

Essas disputas entre as diferentes alas da burguesia e seus partidos, o desgaste que vem sofrendo o governo, o congresso e o PT abriram enormes “brechas” nas alturas. Quando há divisões entre os “de cima” é que surgem os momentos mais favoráveis para que os trabalhadores e a juventude possam colocar as suas demandas na ordem do dia com os seus próprios métodos. Onde estão as organizações tradicionais do movimento de massas que deveriam esclarecer os fatos e organizar os trabalhadores e o povo de forma independente, não deixando na mão desse “ninho de cobra” que é o congresso a apuração das denúncias e punição dos culpados? As direções governistas da CUT, da UNE e do MST que compõem a CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) criam o “fantasma” do “golpismo” para justificar sua política de salvar o governo e o regime, tentam iludir as massas que (agora sim) seria possível pressionar o governo ã esquerda.

Infelizmente teremos poucas linhas para cumprir o nosso papel de um jornal operário revolucionário de informar, esclarecer e ajudar a que nossa classe possa tirar as conclusões necessárias do atual cenário político nacional, mas com o conjunto dos artigos desse jornal, queremos contribuir ao máximo para que o resultado desse processo não seja o ceticismo, o ódio indistinto ã política e a prostração. Para nós da Liga Estratégia Revolucionária, estamos vivendo um momento histórico de experiência com o petismo e seus aliados que abre espaço, se tiramos as lições necessárias e levantamos a cabeça, para ir até o final na tarefa que Lula e seus amigos nunca quiseram tomar: avançar na independência de classe dos trabalhadores e organizar os principais batalhões da nossa classe para lutar seriamente, sem trégua, contra os patrões, o governo e a burocracia sindical. É para isso que estamos concentrando as nossas forças revolucionárias.

O escândalo do “mensalào” aprofunda as crises no governo, no PT e atinge o congresso

Foi-se o tempo de estabilidade do governo Lula que se baseava nos altíssimos índices de aprovação popular e nos índices de recuperação econômica que os trabalhadores não chegaram a sentir. A primeira estremecida foi com o escândalo de corrupção no “caso Waldomiro Diniz” no início de 2004, que envolvia o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu. Depois vem uma forte derrota do governo na eleição para a presidência na Câmara dos deputados, na qual o PT se dividiu mostrando o agravamento das crises internas e Severino Cavalcanti do PP, um burguês aventureiro que ninguém conhecia vence com um único lema absurdo: aumentar ainda mais os privilégios dos parlamentares! Nada melhor para conseguir o apoio nesse “ninho de cobras”.

Essa derrota abriu um período no qual o governo não consegue aprovar como antes as suas políticas no congresso, chantagens de Severino, escândalos de corrupção com membros do governo como o Henrique Meirelles (Presidente do Banco Central) e Romero Jucá (Ministro da Previdência Social) e sucessivas derrotas vão desgastando o governo e o PT e se fortalece a oposição burguesa com o PSDB ã cabeça.

É nesse cenário complicado para o governo que surgem fitas de vídeo revelando esquemas de corrupção nos Correios envolvendo o Presidente Nacional do PTB, Roberto Jefferson, um homem que já foi da “tropa de choque” do governo Collor e que Lula já chamou de “parceiro” e anunciou publicamente que era capaz de “dar-lhe um cheque em branco”! O PT, que na oposição era o mestre das CPI’s (Comissão Parlamentar de Inquérito) para “investigações” desse tipo que como se diz “sempre acabam em pizza”, não sem crises internas no partido, se transforma no principal opositor da CPI. Tenta de todas as formas evitar a sua instalação, desgasta a sua relação com a base aliada e mais uma vez é derrotado. A CPI é instalada e o governo utiliza seu peso parlamentar para conformar uma CPI totalmente “chapa branca” com o presidente e o relator aliados do governo e de José Dirceu.

Com a instalação da “CPI dos Correios”, o governo e os partidos da base aliada (incluindo o PTB) decidem “rifar” Roberto Jefferson, que se nega a afundar na lama sozinho e resolve revelar o “mensalào”. Jefferson denuncia que o PT, com José Dirceu como “mentor”, Sílvio Pereira (Secretário Geral) como “gerente”, através de Delúbio Soares (tesoureiro nacional) pagaria mensalmente R$ 30 mil para 80 deputados federais do PL e do PP, totalizando R$ 3 milhões mensais, 1 milhão de reais de “bônus” a cada um por ano e o dinheiro viria de estatais e empresas privadas. O escândalo envolveria também outros da cúpula do PT (José Genoíno, Presidente Nacional e Marcelo Serelo, Secretário Nacional de Comunicações) e alguns dos mais próximos de Lula no governo (Palocci e Miro Teixeira do PT, Aldo Rebelo do PC do B e Ciro Gomes do PPS). José Dirceu foi o primeiro a cair e a tentativa de dizer que se afasta para “organizar a luta” não consegue tampar o tamanho da crise.

O único acordo entre todos, governistas e opositores burgueses, é de preservar a figura de Lula pois seria um risco muito grande e evitar que a crise desgaste ainda mais a imagem do congresso e das outras instituições de domínio da burguesia. Mas não será fácil, Segundo pesquisa Datafolha de 16/06, a parcela de brasileiros que considera a atuação dos parlamentares ruim ou péssima passou de 36%, a poucos dias do escândalo, para 42%. "As denúncias abalaram mais o Congresso Nacional do que o governo Lula", afirmou Mauro Paulino, diretor do Datafolha. A imagem de Lula perante as massas segue boa: 73% dos eleitores (não apenas petistas) avaliam que o presidente é honesto, apesar de colocarem que tinha conhecimento do “mensalào”. As massas mostram que não se enganam com a falácia de que todos saberiam menos o “intocável” Lula.

A podridão da “democracia dos ricos” e o papel do PSDB e opositores burgueses

A corrupção não é presente em um governo ou outro e está para além de um problema “ético” ou “moral”. A corrupção historicamente é parte inseparável do Estado burguês, da “democracia dos ricos” e está ligada ã política dos governos burgueses contra a classe trabalhadora e o povo pobre.

Há momentos em que por disputas internas entre as frações burguesas, e somente quando a classe trabalhadora não está atuando com seu peso social e seus métodos, por interesses imediatos, um setor da burguesia resolve revelar uma partezinha da podridão para tentar ganhar espaço político contra outra ala da burguesia. Não existe “limpeza” possível, principalmente com uma CPI nesse poço de lama que é o congresso. A CPI, apesar da presença da senadora Heloísa Helena do PSOL, é uma comissão de corruptos “contra a corrupção”.

É incrível como a burguesia subestima a capacidade do povo de perceber que os que hoje tentam aparecer como os “heróis da luta contra a corrupção”, como o PSDB, são os grandes e tradicionais ladrões. O PSDB de FHC passou oito anos roubando, entregando o país ao imperialismo e massacrando os trabalhadores com as privatizações e o pagamento da impagável dívida externa e foi por vontade de mudança que 53 milhões, iludidos com o PT, votaram em Lula.

Essa ilusão (que chamam de “esperança”), a ligação de Lula com as massas e o temor de que a crise que hoje é do governo, do PT e atinge o congresso, avance para uma crise no conjunto das instituições de domínio da burguesia, é que faz o PSDB ter “cautela” e não defender o impeachment de Lula como fazem alguns setores mais aventureiros. O PSDB avança o máximo que pode para obrigar o governo a ficar na defensiva e Lula a “cortar na própria carne”, como aconteceu com José Dirceu e vai se aprofundar na reforma ministerial em curso. Entre os aliados do PSDB está o PFL, outros partidos burgueses e a Força Sindical, uma central sindical pró-patronal. A disputa que está em jogo é por uma maior “fatia” do poder e uma melhor localização para as eleições de 2006. Nenhuma ilusão nos burgueses corruptos do PSDB, da oposição burguesa e no seu braço no movimento operário, a Força Sindical!

As direções governistas do movimento de massas mais uma vez tentam salvar o governo e o regime

Mas não é ã toa que quem está ganhando espaço é a burguesia. O PSDB começa a subir nas pesquisas para 2006. A responsabilidade é das direções governistas (principalmente o PT e o PC do B) que controlam as organizações do movimento de massas como a CUT, o MST, a UNE, que compõem a CMS. Para manter os seus cargos e todos as “mesadas” que recebem para trair as lutas dos trabalhadores e da juventude, precisam sustentar esse governo, falsear a realidade e amordaçar as massas. Para eles não importa a super-exploração nos locais de trabalho, os ataques das “reformas” neoliberais ou que Lula esteja de mãos dadas com (ou de joelhos para) o imperialismo.

Até agora, para conter a insatisfação esses pelegos (que em matéria de corrupção são experientes) diziam que todos os problemas eram por causa da política econômica da “banda podre” do governo que seria composta pelos burgueses, que teriam Palocci como aliado e Lula como vítima. E o que dizem agora que há corrupção e que estão envolvidos os “aliados do povo” no governo e no PT? Se apóiam nas declarações dos setores minoritários e mais aventureiros da burguesia que chegam a falar de impeachment de Lula e transformam essas ameaças no “espectro” do “golpismo dos setores conservadores” para justificar toda a sua política de sustentação do governo que chamam de “democrático e popular” e vão tentar taxar os que estão contra o governo, contra o PT, contra os partidos da políticos da burguesia e contra essa “democracia” dos ricos como “agentes” da “direita golpista”.

Para ameaçar a oposição burguesa por um lado e conter possíveis explosões das massas por fora do controle por outro, estão chamando ações controladas “a ferro e fogo” “em defesa do governo”, contra “a corrupção e o golpismo” e para realimentar as ilusões das massas nesse governo, “pela mudança na política econômica”. É preciso ficar claro: a política econômica que defendem é a mesma da burguesia industrial desenvolvimentista corrupta e rapina. Esses burocratas não estão dispostos a satisfazer as necessidades dos trabalhadores pois seria necessário romper com esse governo e seus aliados e levantar um programa que rompa com a submissão ao imperialismo e ataque os capitalistas que estão de braços dados com eles.

O trunfo que tem a burguesia, o governo e a burocracia governista é que a luta de classes ainda é o elemento mais atrasado da situação. Mas nessa conjuntura tão dinâmica e instável nada fica tão cristalizado e as atuais movimentações que tem ocorrido “por baixo” podem ter um caráter explosivo. É para romper as barreiras que impõem essa direções que colocamos nossos esforços para colocar de pé um pólo classista contra os patrões, o governo e a burocracia sindical.

Organizar a classe trabalhadora com independência política é a única forma de dar uma saída para a crise

Nada se pode esperar da burguesia, do congresso, do governo, do PT e da burocracia governista. Nenhum tipo de batalha séria contra a corrupção e muito menos uma saída para o desemprego e o arrocho salarial será dada se os trabalhadores não tomarem a iniciativa. É preciso organizar urgentemente a classe trabalhadora com independência de classe para aproveitar as crises “nas alturas” e com a mobilização popular, a luta nas ruas e nos locais de trabalho, acabar com essa “bandalheira”, julgar e punir duramente os corruptos e impor as nossas demandas estruturais, que como mostra o último período nem passam pela cabeça dos parlamentares. Nessa batalha os antigovernistas tem enormes responsabilidades e uma força brutal se deixam de olhar somente para o próprio umbigo e unificam-se em torno dessa tarefa.

O mais urgente, e primeiro passo independente que é necessário dar é impor uma Comissão de Investigação Independente dos trabalhadores e do povo organizada pelos setores antigovernistas. Só o povo pode combater seriamente a corrupção! Nenhuma ilusão na CPI! Impondo essa investigação independente nos fortaleceremos para impor uma saída classista de conjunto para a crise.

As lutas que estão ocorrendo pelo país mostram o caminho e podem ser uma enorme força se coordenam-se para golpear com um só punho os inimigos de classe. Vêm ocorrendo greves e paralisações em diversos setores: Infraero, metalúrgicos da Volks de São Bernardo, da GM de Mogi das Cruzes e São Caetano, servidores municipais de Terezina, professores de municipais de Niterói, na Sabesp, servidores federais e estaduais, INSS e a campanha salarial dos metalúrgicos se inicia. Soma-se a isso “explosões” contra os escândalos de corrupção e os privilégios dos parlamentares sendo a mais radicalizada em Rondônia. Florianópolis está se levantando contra o aumento das tarifas de ônibus em Florianópolis e ocupações de terra seguem acontecendo.

Para nós, marxistas revolucionários, se trata justamente de não só fortalecer as lutas pelas demandas locais, setoriais e imediatas, mas de ver nessas lutas um primeiro reconhecimento de forças que permita avançar na superação das direções governistas, principalmente do PT e PC do B, que cumprem um papel nefasto onde quer que estejam. A presença dirigente dos principais batalhões da classe operária da indústria e dos serviços é indispensável para golpear decisivamente o governo e cada uma das instituições de domínio da burguesia como o congresso e a polícia que reprime em todos os lados. Se trata de fazer pesar os 75 milhões de assalariados na vida política nacional, hoje dominada pela política burguesa. A questão decisiva desde o ponto de vista político para golpear a burguesia e dar uma saída dos trabalhadores para a crise é a superação do PT e das direções governistas que semearam durante anos a conciliação de classes. Avançar na independência política por parte dos trabalhadores é a tarefa estratégica do atual período. Chamamos os trabalhadores e jovens, especialmente os da “Dissidência do PT”, dos Núcleos de Ação e Reflexão Socialista, do PSOL e do PSTU a impulsionar essa tarefa.

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