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Brasil - Editorial Palavra Operária

Nossas batalhas no movimento operário depois de junho e da histórica greve dos garis do Rio de Janeiro

20/03/2014

Nossas batalhas no movimento operário depois de junho e da histórica greve dos garis do Rio de Janeiro

As jornadas de junho no Brasil abriram uma nova etapa na luta de classes e por isso abriram novas possibilidades para pensar a inserção no movimento operário com as ideias e a prática do marxismo revolucionário. A partir da última Plenária Nacional da LER-QI, que reuniu delegados de vários estados, expressamos neste artigo parte dessas reflexões e como encaramos a tática e estratégia nas batalhas cotidianas no movimento operário.

Assim como nas jornadas de junho, a greve dos garis comprova a falência da esquerda atual

A greve dos garis foi um salto de qualidade em relação ao processo de greves operárias que vem se desenvolvendo no país. Já apontávamos que de conjunto, a esquerda não se preparou para fazer diferença na luta de classes em junho. Isso somente se comprovou com as greves e lutas operárias que vieram. Na direção da greve de professores do Rio de Janeiro, o PSTU e o PSOL entregaram a luta quando ainda havia disposição para o combate e esta luta poderia se transformar em uma grande causa nacional. Depois, o PSTU não se preparou para enfrentar as já anunciadas demissões da GM em janeiro, período de férias, aceitando um acordo ruim para os trabalhadores. Quanta diferença com a greve dos garis que sacudiu o Rio de Janeiro em pleno carnaval! Eles ensinaram ã esquerda que a luta de classes não tira férias.

Por isso atuamos nos espaços de organização da esquerda como a CSP-Conlutas, ANEL e Movimento Mulheres em Luta batalhando justamente para lutar por outra política. A esquerda – PSTU e PSOL – não tem nenhuma vitória contundente, ou até mesmo uma derrota que tenha sido fruto de uma luta intransigente e preparada para triunfar. É sintomático que justamente depois de junho a grande luta operária vitoriosa tenha se dado não somente em combate com a burocracia sindical, mas totalmente por fora desta esquerda.

Nós, como uma pequena organização, pudemos ser um fator real de solidariedade na greve dos garis do Rio de Janeiro. No suplemento especial “Lições da greve dos garis” impulsionado pelo movimento “Nossa Classe” apresentamos toda a nossa intervenção a partir da Juventude As Ruas e do grupo de mulheres Pão e Rosas, nos piquetes, manifestações, na discussão programática, solidariedade e relação orgânica com os trabalhadores. Apresentamos também os 5 pontos fundamentais de lições que podem ser tiradas desta greve, sendo eles: organização de base por local de trabalho, soberania das assembleias, representantes eleitos com mandatos revogáveis, aliança com a população e a juventude, varrer a burocracia sindical. Essas lições para nós são as bases da construção de uma corrente ou movimento nacional de trabalhadores. A greve dos garis, portanto, é também um impulso subjetivo para a organização dos trabalhadores, e por isso estamos organizando um Encontro Nacional de Trabalhadores chamando todos a seguir este exemplo.

Uma nova tradição classista no Metrô de São Paulo

No Metrô de São Paulo viemos há cerca de dois anos construindo um forte trabalho junto com independentes na agrupação Metroviários Pela Base, que hoje é reconhecidamente na vanguarda da categoria uma força importante entre os metroviários, tendo influência e trabalho de base. Estamos lutando por um novo sindicalismo na categoria e por isso durante as jornadas de junho defendemos que os metroviários assumissem as demandas das ruas como suas, sem separar a campanha salarial da luta de toda a população. É por isso que hoje estamos batalhando por uma campanha pela estatização dos transportes com gestão dos trabalhadores em aliança com os usuários, que consideramos ser possível vincular com as demandas estruturais dos metroviários, organizando a luta desde a base e com métodos radicalizados como greve e liberação das catracas.

Ao mesmo tempo, estamos buscando colocar no centro de nossa orientação, como em todos os trabalhos operários que estamos, a necessidade de chegar nos setores mais precários da classe, que os sindicatos oficiais não chegam como as mulheres, negros e trabalhadores precários. Por esse motivo fomos linha de frente da campanha pela investigação da morte de Regina, terceirizada, na Estação Santa Cruz organizando um impactante ato. Atuamos através de reuniões de unidade, da bancada da CIPA junto com os terceirizados e em denúncia permanente contra a patronal. Fizemos uma impactante campanha de solidariedade ativa ã greve dos garis, com fotos em várias estações e dezenas de trabalhadores dando um passo a frente no classismo. O Sindicato dos Metroviários, dirigido pelo PSTU e pelo PSOL, não pôde fazer “vistas grossas” e teve que publicar na capa do jornal sindical “Plataforma” fotos de nossos militantes nas estações em apoio aos garis, mostrando que se tratou de uma campanha real e orgânica. Infelizmente esta direção não fez campanha de apoio aos garis.

Entre professores e bancários, varrer a burocracia sindical

Como demonstrou a greve dos garis é uma tarefa de primeira ordem a luta por recuperar os sindicatos das mãos dos pelegos e governistas. Na categoria de professores estaduais em São Paulo e entre os bancários de São Paulo e Osasco estamos construindo agrupações com este fundamento, na luta contra o governo Dilma e os patrões. É por isso que estamos impulsionando a Chapa 2, junto com os militantes do PSTU, com nosso camarada Edison Salles candidato a Secretário-Geral. Ao mesmo tempo encabeçamos junto ao companheiro Messias, símbolo da luta contra a perseguição política na categoria bancária, a Chapa 3 para a Associação de Funcionários da Caixa Econômica Federal. Infelizmente sem a presença do PSTU que não aceitou o nome de Messias como elemento programático fundamental em defesa dos trabalhadores, respondendo ao ataque patronal ã Messias. Nossas candidaturas representam a contribuição que demos na radicalização dos métodos nas greves dos bancários, com piquetes como o da Agência 7 de Abril da CEF, além de piquetes em concentrações históricas como Osasco, na ligação real com os terceirizados como no prédio do Brás e na frente-única para combater a burocracia.

Com dezenas de professores vamos batalhar por uma chapa a partir da Oposição Alternativa nas eleições para a APEOESP (professores estaduais de São Paulo) que busque colocar como eixos a luta contra a burocracia sindical, exigindo que Bebel (presidente da Apeoesp) e vários burocratas retornem para a sala de aula; a luta contra a precarização do ensino como um todo e a luta por um sindicato que possa fazer diferença na luta de classes. Para isso estamos em dezenas de escolas batalhando por um programa que responda ã situação dos professores, o que inclui a questão salarial (partindo do salário mínimo do DIEESE para jornada de 20 horas semanais) e a situação dos professores da categoria O (contratos precários, temporários) lutando pela efetivação dos mesmos sem concurso público. Para combater a burocratização na APEOESP levantamos a rotatividade dos diretores sindicais a cada ano, o fim dos privilégios de não trabalhar, ajuda de custo e outros benefícios que os professores não têm e que as assembleias sejam soberanas para que a base decida, com microfone aberto e não com burocratas em cima do carro de som!

Nas fábricas, pela inserção nos bastiões da classe operária brasileira

Já há algum tempo viemos impulsionando um giro ao trabalho operário industrial no ABC Paulista, em Contagem (Minas Gerais), na Zona Oeste de São Paulo e também em Campinas, além de Franca e outras cidades. Organizamos “boletins classistas” por local de trabalho em várias fábricas mostrando a luta cotidiana contra a ditadura patronal, contra a superexploração e ritmos alucinantes de trabalho, com discussões sobre PLR, terceirização, lucros exorbitantes das multinacionais.

Isso é parte da necessidade estratégica que vimos de avançar em nossa inserção no movimento operário, nos fundindo com setores proletários dos bastiões de nossa classe, combinando o trabalho clandestino na fábrica e nos utilizando de todas as brechas legais, como as CIPAs, delegados sindicais etc., para avançar na organização dos trabalhadores, buscando resgatar o melhor da tradição do movimento operário brasileiro organizando comissões de fábrica e levantando o programa de controle da produção e dos serviços pelos próprios trabalhadores. Neste trabalho se combina o apoio da juventude, com dezenas de jovens indo para as portas das fábricas de madrugada conhecer, aprender, viver a vida operária e ser parte desta apaixonante construção.

A luta contra a perseguição política a partir do Sintusp, um dos sindicatos mais perseguidos do país

Como minoria da Diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), e a partir de nossas referências no movimento operário como o companheiro Claudionor Brandão, demitido político pelo governo Serra e pela Reitoria da USP, viemos construindo um forte trabalho, num sindicato que é referência de combatividade e elementos de classismo na vanguarda operária do país. Não ã toa fomos um dos sindicatos que mais lutou durante todo o governo Lula e que conseguiu conquistas econômicas que, aquém do que merecem os trabalhadores, são acima da média de outras categorias, o que só foi possível com um sindicato não corporativo. Para isso combinamos muita política democrática, com aliados entre estudantes, intelectuais, artistas, com métodos combativos da classe operária como piquetes e ocupações.

Lutamos nos sindicatos para que sejam independentes da burguesia o que só pode se dar se são efetivamente contra a burguesia e as instituições do Estado capitalista (justiça, leis, parlamento, governos, órgãos de repressão etc.), para serem instrumentos de luta revolucionária da classe operária, e pela mais ampla democracia operária, com assembleias soberanas, reuniões de unidade e representantes revogáveis desde a base. Por isso também somos um dos sindicatos mais perseguidos do país e buscamos combinar a luta contra a repressão de hoje com a luta contra a impunidade que permanece ainda hoje dos anos da ditadura no Brasil.

Rumo ao Encontro Nacional, “façamos como os garis” e comecemos a criar uma corrente ou movimento nacional de trabalhadores

Todas estas batalhas nós consideramos que são parte da construção de uma organização revolucionária que se prepare para intervir e se fundir com o mais avançado da classe operária brasileira nos próximos acontecimentos da luta de classes. É por isso que coloca-se com urgência a necessidade de avançar posições na classe operária, construindo trabalhos orgânicos, desde a base, com eixos programáticos claros e que também levante, como um de seus pontos, a necessidade dos trabalhadores construírem um partido revolucionário internacionalista no Brasil.

É por isso também que para nós o internacionalismo proletário não é um detalhe. Estamos discutindo na Fração Trotskista – Quarta Internacional a necessidade de avançar para formas que organizem uma solidariedade de classe efetiva. Isso já se expressa na enorme campanha pela absolvição dos petroleiros de Las Heras na Argentina e no apoio ã greve da fábrica Panrico, no Estado Espanhol.

Somos uma pequena corrente revolucionária que avança em sua inserção na classe operária sendo parte de formar uma nova tradição no movimento operário brasileiro. As jornadas de junho e a greve dos garis criam as condições pra avançar na construção de uma corrente nacional de trabalhadores que generalize estas lições. O Encontro Nacional de Trabalhadores “Façamos como os garis!” estará a serviço desta política, trazendo para São Paulo dezenas de garis do Rio de Janeiro, uma força viva da classe operária negra e explorada do país “dando aula” de luta de classes, para juntar-se a centenas de trabalhadores de diversas categorias em defesa da união, organização, solidariedade e combatividade dos trabalhadores contra os patrões, os governos e os burocratas sindicais.

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