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HISTÓRIA: ENTENDA POR NOSSAS ANTIGAS PUBLICAÇÕES O PROCESSO QUE LEVOU O POVO EGÍPCIO ÀS RUAS

Lutas operárias golpeiam o governo de Mubarak

11/04/2008

Sexta-Feira, 11 de abril de 2008

Em 6 de abril de 2008 ocorreu no Egito uma greve geral contra a alta do preço do pão, do custo de vida e pelo aumento de salários convocada pelos trabalhadores do setor têxtil - em especial a combativa fábrica Ghazl AL- Mahala - e grupos opositores. Em várias das manifestações se levantaram consignas contra o regime reacionário de Hosni Mubarak. Segundo vários analistas de jornais internacionais, o resultado da greve foi dispare. Com o norte do país tendo uma maior adesão do que no sul.

Isto aconteceu não tanto por que se tenha diminuído o espírito de luta que há mais de um ano os trabalhadores egípcios sustentam, mas por conta das terríveis medidas repressivas que o governo, em forma preventiva, utilizou para impedir toda manifestação opositora. Ruas militarizadas, fabricas ocupadas pela policia, prisões massivas de sindicalistas e opositores, além dos mortos nas poucas manifestações que ousaram desafiar a presença das forças da ordem. Soube-se de assassinato por parte de forças paramilitares de um jovem e um menino de 9 anos que participavam de uma marcha em repudio ao governo repressor e pró-imperialista de Mubarak.

“Crise do Pão” e uma inusitada onda de greves operárias

A chamada “crise do pão”têm sua origem na espetacular alta do preço que registrou este componente básico da dieta da maioria da população. O preço – mesmo sendo subsidiado pelo estado – aumentou durante o ano em torno de 50%. Produzindo o desabastecimento e longas filas em frente ás padarias a em alguns casos atritos entre os moradores na procura por um pedaço de pão que deixou dezenas e dezenas de mortos e feridos em uma guerra de pobres contra pobres. A isto se pode somar uma inflação que ja jogou para as nuvens o preço de outros produtos vitais e fez disparar os preços dos aluguéis, se tornando em um problema estrutural onde milhares devem morar nas ruas pela falta de um teto.

Esta greve é o desenvolvimento de mais de um ano de diferentes experiências de luta que vem realizando os trabalhadores egípcios.

Sem dúvidas a vanguarda deste movimento são os trabalhadores têxteis da fábrica estatal de Ghazl AL Mahala (segundo o jornal Il Manifesto de 8/4/08 é a greve operária mais importante dos últimos 30 anos no mundo árabe) que vem se mobilizando desde dezembro de 2006 localizada no norte da capital, Cairo. As trabalhadoras e os trabalhadores desta fábrica conseguiram arrancar do governo algumas concessões, entre elas um aumento salarial. Segundo o site egípcio arabist.net, a fábrica de Mahala se tornou um símbolo para os trabalhadores. O mesmo site conta que no primeiro semestre de 2007 realizaram-se 350 greves. As fábricas de cimento, os ferroviários, os metroviários e outras fábricas têxteis seguiram o caminho da fabrica têxtil de Mahala. Isto não é pouca coisa tendo em conta que o regime de Mubarak governa em estado de excessão por mais de 4 anos. A central sindical única ETUF esta totalmente subordinada ao governo e para que uma greve seja legal, deve ser avaliada pela maioria da diretoria da central estatizada. Tampouco é pouca coisa que na vanguarda da luta estejam as mulheres, já que a mão de obra no ramo têxtil é fundamentalmente feminina. Esta questão junto a unidade entre trabalhadores muçulmanos e de origem árabe com os trabalhadores da minoria cristã, chamada copta, não tem precedentes. Além disso, durante os últimos meses de 2007 a onda de greves se estendeu a algumas empresas privadas. É importante destacar também, que ã greve geral do domingo 6/4 se somaram os professores e estudantes universitários do Cairo que agitavam consignas diretamente anti-governamental como Abaixo Mubarak! ou Mubarak ladrão! Mostrando um extenso sentimento de lutar por liberdades políticas.

O regime de Mubarak

O profundo descontentamento social, a onda de greves e contestação por liberdades políticas é uma resposta ao reacionário e pro norte-americano regime de Hosni Mubarak que governa o país desde 1981 com uma série de eleições fraudadas. Egito, país semi-colonial do extremo norte da África, se transformou durante seu regime no segundo maior receptor de ajuda econômica e militar (depois do Estado de Israel) por parte dos EUA.

Pela sua posição geopolítica na região, sua diplomacia é funcional tanto ã política dos EUA como ao do racista Estado de Israel em detrimento do direito de auto-determinação do povo palestino.

Nos últimos anos têm aplicado uma política econômica neoliberal que mergulhou na miséria a grande maioria dos trabalhadores, levando o desemprego aos 20% da população economicamente ativa enquanto um quanto da população ( de um total de 80 milhões de habitantes) vive com dois dólares diários.

Ao mesmo tempo, as prisões estão lotadas de presos políticos entre eles centenas de militantes de esquerda e do grupo islà¢mico Irmãos Muçulmanos que fez um chamado para o boicote das eleições municipais desta semana. No entanto, a Irmandade Muçulmana tem como objetivo político de estabelecer um Estado islà¢mico e se negou a apoiar a greve dos trabalhadores, demonstrando uma vez mais seu profundo desprezo pelo movimento operário e suas lutas e mostrando que representa um setor da burguesia egípcia deslocado dos negócios do Estado. Os revolucionários internacionalistas devem seguir com atenção este processo de jornadas grevistas no Egito em um momento em que Mubarak se prepara para conduzir uma transição transferindo o poder a seu filho.

O desenvolvimento desta jornada de greves operárias – em uma conjutura de fragilidade do governo de Mubarak – seria um ingrediente extremamente importante de instabilidade para o conjunto da região e poderia dar novos contornos a luta do povo palestino que busca sua autodeterminação.

De Nasser a Mubarak

Dois momentos chaves que caracterizam a política do Egito Moderno

Governo do General Nasser: Em 1952 Gamal Abdel Nasser e o Movimento de Oficiais Livres depois de um golpe de estado que derruba uma corrupta monarquia, inauguram a República Árabe do Egito. Nacionalizou o canal de Suez e se enfrentou militarmente com a França e a Inglaterra. Seguiu uma política nacionalista parecida em alguma medida com a de Perón na Argentina. Fez parte do movimento de Países Não Alinhados, ainda que no tabuleiro da “guerra fria” buscava apoiar-se na URSS. No entando, Nasser, apesar de algumas medidas nacionalistas, nunca buscou rsolver os problemas estruturais da grande maioria da população. Esta situação, somada sua derrota frente a Israel na chamada “Guerra dos seis dias” foi um golpe mortal a política do “nacionalismo árabe” impulsionada por Nasser.

Governo de Anwar El Sadat: Quando da morte de Nasser em 1970 seu sucessor foi o vice-presidente Sadat. Este efetuou uma virada política com respeito ao anterior. Rompeu com a União Soviética e se valeu das formações islà¢micas para conter e reprimir a oposição de esquerda e nacionalista para com seu governo que havia adquirido um contorno liberal. Sadat, junto com o presidente americano Carter e o premier de Israel Beguin, firmaram os acordos de Camp David que colocavam o Egito como o primeiro país árabe a reconhecer ao Estado de Israel. Este fato foi o começo da ruptura de uma lua de mel com as formações islà¢micas.

O descontentamento com sua política de ajuste, somada a percepção em amplas camadas da população de que Sadat havia traído o povo palestino, tornou o regime totalmente repressivo com a população e seus antigos aliados muçulmanos. Em 1981 foi assassinado por um grupo islà¢mico opositor a sua política pro Israel e pró norte-americana. Mubarak sucessor de Sadat desde 1981, tem aprofundado a orientação política de seu antecessor. Em Números: 13% é a inflação acumulada em 2008 50% de aumento do Pão em um ano 20 milhões de habitantes vivem com 2 dólares por dia 54 dólares mensais é o salário dos trabalhadores têxteis em luta 389 greves e protestos se realizaram nos 3 primeiros meses de 2008

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