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	<title> Fracci&#243;n Trotskista Cuarta Internacional </title>
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		<title>O que foi feito na &#193;frica do Sul?</title>
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		<dc:date>2013-12-10T11:39:28Z</dc:date>
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		<dc:creator>Leticia Parks</dc:creator>


		<dc:subject>Movimiento Obrero</dc:subject>
		<dc:subject>Actualidad</dc:subject>
		<dc:subject>&#193;frica</dc:subject>
		<dc:subject>Libertades Democr&#225;ticas</dc:subject>
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		<dc:subject>Sud&#225;frica</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;No &#250;ltimo dia 5 foi noticiado em todas as m&#237;dias a morte de Nelson Mandela. Diz-se que seu funeral ser&#225; o maior evento p&#250;blico j&#225; realizado em toda a &#193;frica, compar&#225;vel apenas com o funeral do papa Jo&#227;o Paulo II e de Winston Churchill. Tal refer&#234;ncia se deve, certamente, ao papel chave que Mandela assumiu na luta contra o Apartheid na &#193;frica do Sul. Tal papel, distante de ser decisivo para a vit&#243;ria da luta contra o Apartheid, foi fundamental para calar as massas negras mais revoltosas e convenc&#234;-las de uma transi&#231;&#227;o &#8220;pac&#237;fica&#8221; &#227; democracia.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="https://www.ft-ci.org/Sudafrica" rel="tag"&gt;Sud&#225;frica&lt;/a&gt;

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 <content:encoded>&lt;img src='https://www.ft-ci.org/local/cache-vignettes/L150xH82/arton7324-0dc05.jpg?1695442663' class='spip_logo spip_logo_right' width='150' height='82' alt=&#034;&#034; /&gt;
		&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Leticia Parks &#233; estudante de Letras da USP&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Sobre a morte de Mandela e aquelas mortes das quais n&#227;o ouvimos falar&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;blockquote class=&#034;spip&#034;&gt;
&lt;p&gt;&#8220;O que n&#243;s fizemos? Nossa sina &#233; ser negro? Nossa sina &#233; a verdade Eles est&#227;o nos matando Os Boer s&#227;o cachorros Os Boer tem que morrer Deixe a &#193;frica retornar&#8221;&lt;br class='autobr' /&gt;
&lt;i&gt;Senzeni Na?, m&#250;sica popular de protesto contra o Apartheid&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/blockquote&gt;
&lt;p&gt;No &#250;ltimo dia 5 foi noticiado em todas as m&#237;dias a morte de Nelson Mandela. Diz-se que seu funeral ser&#225; o maior evento p&#250;blico j&#225; realizado em toda a &#193;frica, compar&#225;vel apenas com o funeral do papa Jo&#227;o Paulo II e de Winston Churchill. Tal refer&#234;ncia se deve, certamente, ao papel chave que Mandela assumiu na luta contra o Apartheid na &#193;frica do Sul. Tal papel, distante de ser decisivo para a vit&#243;ria da luta contra o Apartheid, foi fundamental para calar as massas negras mais revoltosas e convenc&#234;-las de uma transi&#231;&#227;o &#8220;pac&#237;fica&#8221; &#227; democracia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O surgimento do Apartheid e as primeiras lutas de resist&#234;ncia No p&#243;s segunda guerra mundial, as consequ&#234;ncias pol&#237;ticas e econ&#244;micas de uma Europa destru&#237;da eram profundamente amea&#231;adoras para o poder da burguesia inglesa presente na &#193;frica do Sul. Vendo a forma&#231;&#227;o de organiza&#231;&#245;es pol&#237;ticas comunistas e de trabalhadores no pa&#237;s e o aprofundamento do questionamento sobre a segrega&#231;&#227;o racial, os afric&#226;ner (brancos da &#193;frica do Sul) se unificam no processo eleitoral ao ultra conservador Partido Reunido Nacional (PRN). Conseguem maioria dos votos em uma elei&#231;&#227;o da qual foram vetados os votos de nativos africanos, e tinham como carro chefe da campanha o aprofundamento da segrega&#231;&#227;o racial, implementado judicialmente o chamado apartheid.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O apartheid dividiu a popula&#231;&#227;o nos grupos raciais com hierarquia de direitos na seguinte ordem: &#8220;brancos&#8221;, &#8220;indianos&#8221;, &#8220;de cor&#8221; e &#8220;negros&#8221;. Para efetivar a divis&#227;o, o governo sul africano do PRN implementou cerca de 300 leis de segrega&#231;&#227;o, tendo como principais a Lei de Registro Populacional, que obrigava cada cidad&#227;o maior de 18 anos a portar uma carteira de identidade que o identificasse por ra&#231;a; a Lei de &#225;reas de Agrupamento, que atribu&#237;a &#225;reas espec&#237;ficas do pa&#237;s para cada ra&#231;a; a Lei de Proibi&#231;&#227;o dos Casamentos Mistos e a Lei de Reserva dos Benef&#237;cios Sociais, que discriminava qual localidade da cidade, bem p&#250;blico ou de seguridade social deveria ser dedicado &#227; cada ra&#231;a. Tais leis diziam respeito diretamente a prote&#231;&#227;o da propriedade privada branca, garantindo o direito de repress&#227;o a cada negra ou negro que ousasse ultrapassar seus limites de terra ou da cidade, na tentativa de produzir alimento ou de perpetuar moradia. Leis de car&#225;ter cultural foram seguidas a essas, como as leis que institu&#237;ram escolas pr&#243;prias para negros e as que impediam a circula&#231;&#227;o de negros em ruas ou avenidas de determinados locais a partir de algum hor&#225;rio espec&#237;fico.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A luta contra o apartheid data dos prim&#243;rdios das leis, com protagonismo j&#225; naquele momento do Congresso Nacional Africano (CNA), fundado em 1912 e que contou com Mandela em suas fileiras. A t&#225;tica do CNA sempre esteve ligada ao enfrentamento com as leis de segrega&#231;&#227;o a partir de boicotes organizados, frequentando ou ocupando locais proibidos, for&#231;ando a entrada de crian&#231;as negras em escolas de brancos, etc. A partir da d&#233;cada de 1960 e especificamente em seu Congresso de 1961 decidem por armar-se e entrar em guerrilha contra o Estado Afric&#226;ner, estrat&#233;gia que j&#225; v&#234;m associada a rela&#231;&#227;o com os sindicatos de trabalhadores brancos e negros e com setores organizados da esquerda nacional, entretanto, a estrat&#233;gia da guerrilha, assim como em outros processos pol&#237;ticos espalhados pelo mundo, n&#227;o conseguia colocar a classe trabalhadora como centro da luta pol&#237;tica contra o Estado burgu&#234;s, colocando-a com um papel acess&#243;rio &#224; luta armada e n&#227;o vendo a import&#226;ncia dos conselhos de f&#225;brica, greves e ocupa&#231;&#245;es como parte dos mecanismos de duplo poder que poderiam dar exemplos de um Estado dirigido pelos trabalhadores, onde o racismo e a segrega&#231;&#227;o n&#227;o encontrariam lugar e que terminaria por colocar a frente a estrat&#233;gia de tomada do poder pelos trabalhadores, e n&#227;o de enfraquecimento do Estado pela via de guerras civis internas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A t&#225;tica da Guerra Civil, a &#193;frica em frangalhos e a pris&#227;o e soltura de Mandela&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A partir da carta com o chamado &#224; luta armada, publicada pelo CNA em 1961, uma s&#233;rie de enfrentamentos armados passaram a ocorrer por todo o pa&#237;s. Em um deles, em 1963, Nelson Mandela e outros militantes do CNA foram levados a pris&#227;o, todos que levaram a cabo &#8220;A Lan&#231;a da Na&#231;&#227;o&#8221;, o bra&#231;o armado do CNA durante os quase 30 anos que se seguiram &#227; carta de 1961.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Esses enfrentamentos foram levando o pa&#237;s &#227; proximidade do fracasso pol&#237;tico e econ&#244;mico visto por pa&#237;ses africanos que passaram por processos semelhantes de enfrentamentos armados, como Mo&#231;ambique e Som&#225;lia. Se haviam come&#231;ado com um cen&#225;rio nacional e internacional de uma classe oper&#225;ria forte e organizada durante as d&#233;cadas de 60 e 70, em 80 viram essa mesma classe definhar-se, enfraquecer-se e ser, rapidamente, jogada &#227; mis&#233;ria social de um pa&#237;s destru&#237;do. Em fins de 80, com a hist&#243;rica derrota dos trabalhadores da Uni&#227;o Sovi&#233;tica, o peso do stalinismo passa a pesar sobre os ombros de todos os trabalhadores, pela burocratiza&#231;&#227;o do &#250;nico Estado Oper&#225;rio de todo o mundo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nem a possibilidade de um desfecho oper&#225;rio e popular na &#193;frica do Sul ou o cen&#225;rio de cat&#225;strofe social interessavam ao imperialismo europeu, que sempre viu no pa&#237;s uma importante fonte de recursos naturais fundamentais a ind&#250;stria internacional. Em 1990, em meio ao avan&#231;o neoliberal ap&#243;s a queda do muro de Berlim, Nelson Mandela &#233; misteriosamente solto e tem como primeira Mandela, logo ap&#243;s sua soltura, de m&#227;os dadas com o presidente da &#233;poca, da ultra direita, defensor do apartheid atitude de liberdade &#8220;apertar a m&#227;o de Frederik Willem de Klerk, ent&#227;o presidente do regime de apartheid, que segregava os negros de uma maneira t&#227;o brutal que, quando come&#231;ou a acabar, em 1994, havia no pa&#237;s 750 mil piscinas, uma para cada duas fam&#237;lias brancas, ao passo que, na outra ponta, 10 milh&#245;es de fam&#237;lias negras n&#227;o dispunham de &#225;gua pot&#225;vel em suas habita&#231;&#245;es&#8221;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt; [&lt;a href=&#034;#nb1&#034; class=&#034;spip_note&#034; rel=&#034;appendix&#034; title=&#034;Extra&#237;do da reportagem de 06/12/2013 de Cl&#243;vis Rossi, da Folha de S&#227;o Paulo, (&#8230;)&#034; id=&#034;nh1&#034;&gt;1&lt;/a&gt;]&lt;/span&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sua postura conciliadora com o regime serviu para, rapidamente, coloca-lo como porta voz da passividade, agregando em torno de si a ala mais conservadora do CNA, que se fortaleceu com as mortes e pris&#245;es dos membros radicais do partido, como Steve Biko. Mandela serviu, naquele momento, como um silenciador das massas ainda revoltadas, que depois de d&#233;cadas de luta armada, se viam cada vez mais enfraquecidas. Ao aparecer Mandela, que pegou em armas junto com eles em d&#233;cadas passadas, como figura de concilia&#231;&#227;o de classe, a derrota pol&#237;tica da classe oper&#225;ria e dos oprimidos sul africanos foi selada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Qual o balan&#231;o da &#193;frica do Sul p&#243;s apartheid?&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O processo que deu fim ao apartheid, com a elei&#231;&#227;o de Mandela em 1994, longe de poder ser considerada uma Revolu&#231;&#227;o Democr&#225;tica, como setores da esquerda e do pr&#243;prio movimento trotskista a nomeiam, na verdade se deu como uma contrarrevolu&#231;&#227;o democr&#225;tica, ou seja, a &#250;nica via pela qual o Imperialismo via a possibilidade de manter sua domina&#231;&#227;o sobre o pa&#237;s.Em lugar de uma vit&#243;ria popular contra a burguesia afric&#226;ner racista e assassina, os trabalhadores sul africanos viram seu pa&#237;s ser redominado pela mesma burguesia, atrav&#233;s do fantoche de Mandela que por anos os iludiu de que haviam, finalmente, conquistado o poder.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Certamente houveram concess&#245;es democr&#225;ticas no sentido da luta contra o racismo e a segrega&#231;&#227;o, mas para qualquer morador do pa&#237;s uma s&#233;rie de leis segregacionistas, apesar de n&#227;o em papel, continuam vigentes nas escolas, ruas, avenidas e, principalmente, no sistema produtivo. Com o fim do apartheid, selou-se a ditadura sobre as terras, e as fam&#237;lias b&#244;er que ocupavam a grande maioria do territ&#243;rio do pa&#237;s aprofundaram em suas terras a superexplora&#231;&#227;o do trabalho, a vinda massiva de capital estrangeiro e a implementa&#231;&#227;o, como nunca, dos moldes neoliberais dos anos 90. Sendo assim, no cen&#225;rio internacional (que &#233; desde onde encaramos o avan&#231;o ou retrocesso pol&#237;tico dos pa&#237;ses), o CNA no poder abriu o mercado sul africano &#227; mais dura explora&#231;&#227;o do trabalho, no marco da ofensiva contrarrevolucion&#225;ria neoliberal advinda do fim da Uni&#227;o Sovi&#233;tica.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Pol&#237;cia sul africana assassina 36 mineiros da empresa Lonmin em repress&#227;o a dura greve de Marikana&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os grandes capitalistas do mundo seguem explorando a terra e o sangue desse povo brutalmente oprimido sob a prote&#231;&#227;o de Mandela e de todos os membros do Congresso Nacional Africano, mantendo os alicerces do apartheid, tra&#231;ando de Mandela at&#233; hoje o rumo para que o CNA tivesse suas m&#227;os sujas pelo sangue dos 36 mineiros de Marikana, assassinados em 16 de agosto de 2012 por fazerem greve contra a mineradora Lonmin.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em meio a celebra&#231;&#227;o que a burguesia e seus meios de comunica&#231;&#227;o fazem de Mandela, n&#243;s elogiamos aqueles que jamais desistiram ou entregaram sua liberdade ao capitalismo, e saudamos efusivamente a reorganiza&#231;&#227;o da classe oper&#225;ria sul africana, que depois de d&#233;cadas de ilus&#227;o no CNA, passa a se reorganizar, fundar seus novos sindicatos e demonstrar que tal figura&#231;&#227;o her&#243;ica de Mandela n&#227;o mais a representa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Viva a classe oper&#225;ria sul africana e sua reorganiza&#231;&#227;o pol&#237;tica e sindical!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Presentes os grevistas mortos pela pol&#237;cia do CNA!&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;hr /&gt;
		&lt;div class='rss_notes'&gt;&lt;div id=&#034;nb1&#034;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span class=&#034;spip_note_ref&#034;&gt;[&lt;a href=&#034;#nh1&#034; class=&#034;spip_note&#034; title=&#034;Observa&#231;&#245;es 1&#034; rev=&#034;appendix&#034;&gt;1&lt;/a&gt;] &lt;/span&gt;Extra&#237;do da reportagem de 06/12/2013 de Cl&#243;vis Rossi, da Folha de S&#227;o Paulo, caderno &#8220;Mundo&#8221;.&lt;/p&gt;
&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;
		
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