FT-CI

Viva a luta dos trabalhadores e estudantes franceses

Pela greve geral para derrotar o CPE e o governo!

22/03/2006

Pela greve geral para derrotar o CPE e o governo!

Fonte: Declaração da FT-QI

Há mais de um mês os estudantes franceses vêm travando uma grande luta contra o CPE. Ventos do maio de 68 circulam pela França. Os estudantes universitários, que há muitos anos não saiam ás ruas de forma massiva, voltam ao centro de cena fazendo com que a burguesia francesa tenha pesadelos. O regime francês está entrando em um estado de crise profunda. A primeira expressão disso se deu em abril de 2002 quando o Partido Socialista não chegou ao segundo turno, e se configurou uma “união sagrada” em torno de Chirac, que havia obtido apenas 20% dos votos. O rechaço ao projeto de Constituição Européia (apoiada pela UMP, UDF, PS e os Verdes) mostrou a enorme oposição das massas aos distintos representantes da classe política do regime da V República.

A revolta das periferias (banlieues) foi uma resposta espontânea ã tentativa da burguesia de sair do impasse buscando reforçar o Estado Imperialista através de medidas repressivas, em particular contra os imigrantes e a juventude. Porém a impotência do governo o conduz a medidas que só contemplam mais repressão e mais exploração. Em meio ás medidas ultra-repressivas de Sarkozy, e ainda que pareça ridículo, propõe-se inclusive controlar "As crianças hiperativas...desde os três anos(sic)... e durante todo seu percurso educativo e trabalhista para impedir o surgimento de futuros delinqüentes". Entre tais medidas se insere o Contrato Primeiro Emprego.

Porém os partidos do regime (UMP, UDF, PS, PC, Verdes, etc.) exercem pouquíssima influência entre os jovens, e não contam com importantes burocracias como na classe operária. Por isso primeiro estouram as banlieues e hoje se trata da universidade e dos liceus. Pelo que podemos constatar, o fim do projeto “europeísta”, o fim do “Estado providência” e do “modelo social francês” (de certas concessões aos trabalhadores em consenso com as burocracias sindicais) é que o conjunto do regime da V República vem arrastando consigo em seu afundamento.

Este ataque aos trabalhadores e aos oprimidos não é um fator isolado na Europa. Tanto os governos social-democratas como os conservadores deram início a duros planos de “ajuste” e de incremento da repressão nos últimos anos. Na França, o CPE acompanha as privatizações e a flexibilização trabalhista, levadas a cabo seja pelo governo PS-PC-Verdes de 97 a 2002, como pela aliança UMP-UDF a partir de 2002. Na Itália, os centro-esquerdistas Romano Prodi e Massimo D‘Alema implementaram a precariedade com o chamado “Pachetto Treu”, caminho aprofundado por Berlusconi.

No Estado Espanhol, Rodríguez Zapatero (o presidente que usa uma máscara progressista) mostrou seu verdadeiro rosto com as duras repressões aos trabalhadores dos Estaleiros de Izar que lutavam contra a privatização e com os monstruosos muros da infâmia instalados nos enclaves coloniais africanos de Ceuta e Melilla, onde morreram centenas de africanos que tentaram entrar no território europeu.

O social-democrata Schroeder também não perdeu tempo com o plano de supressão de conquistas dos trabalhadores chamado Hartz IV, que o co-governo aplica em equipe com a direitista Angela Merkel. Ainda assim, almejam o pagamento da crise, incrementando a semi-colonização dos ex Estados Operários do leste europeu, recém ingressados na UE. É o caso emblemático do governo arqui-reacionário polonês de Marcinkiewicz, sustentado pela extrema direita cristã de “Autodefesa” e pela “Liga Nacional das Famílias Polacas”.

O Contrato de Primeiro Emprego para jovens de até 26 anos, contempla um « período de experiência » de dois anos em que o patrão pode despedir impunemente. O CPE forma parte de um plano mais amplo, batizado cinicamente por « igualdade de oportunidades », que contempla contratos de « aprendizes» desde os 14 anos e o trabalho noturno desde os 15. Trata-se de um ataque ao conjunto da classe operária, já que a patronal visa opor os jovens precarizados aos trabalhadores de maior idade para reduzir de conjunto o salário e as conquistas do conjunto da classe. De concreto, 70% dos franceses se opõem ao CPE. A burocracia sindical da CGT, FO, CFDT, FSU, chamou a uma manifestação rotineira contra o CPE no dia 7 de fevereiro, na expectativa de que se amenizasse o ambiente, para depois chamar a uma manifestação mais recente para o 7 de março.

Mas o tiro saiu pela culatra. Os estudantes aproveitaram esse tempo para se organizar e preparar a mobilização geral. Durante esse período, os estudantes universitários deram início a um processo de assembléias e ocupação de universidades. No dia 7 de março havia 49 das 80 universidades paralisadas, e hoje são mais de 60. As assembléias contaram (e contam) com alta participação. A partir delas foram decididas as ocupações com bloqueios das faculdades. A pequena burocracia estudantil da UNEF (ligada ã CGT e ao PS) não pode frear este grande movimento.

Desde o início, em Rennes e Toulouse, organizaram-se coordenadorias nacionais. Atualmente continuam, rondando por todo o país e cada vez abarcam um número maior de estudantes. "Todos juntos ganharemos: universitários, liceístas, assalariados. Portanto chamamos aos trabalhadores, particularmente aos que estão em luta e aos precários (desocupados, imigrantes ilegais, intermitentes) ao comprometimento no combate contra o CPE e ã precariedade" dizia o comunicado de Toulouse. Milhares de pessoas participam da coordenação nacional e os delegados devem ser votados a cada semana em cada faculdade. Considerando que se organizam grupos de choque de direita e tratam de se infiltrar nas assembléias para desmoralizar, o estado de ânimo é bastante elevado.

Até agora, os traidores do movimento tem sido rechaçados, mesmo que nos últimos dias tem se tornado particularmente violentos. Precisamos nos organizar com urgência na questão da autodefesa dos universitários em greve para fazer frente ás provocações. A tomada da Sorbona, pela primeira vez desde 68, foi um grande acontecimento simbólico. A lembrança do maio de 68 voltou com força nas consciências dos franceses.

A entrada em cena dos liceístas, como se constata nesta última semana, desarma a propaganda governamental de que esta luta é travada apenas por jovens de classe média, e que o CPE servia de auxílio aos jovens da banlueue. Ao abarcar aos liceístas, o movimento compreende a maior parte da juventude francesa, e unifica uma luta comum aos universitários e aos que se rebelavam nas periferias no final de 2005. A Coordenadoria Nacional de Estudantes, reunidos em Dijon, chamaram ás centrais sindicais para que convoquem uma greve geral.

A marcha do 7 de março demonstrou o quão massiva é a luta contra o CPE. As imensas manifestações do 16 e do 18 (particularmente esta última) deixaram evidente que a imensa maioria dos trabalhadores e os estudantes querem a retirada do CPE. O governo não expressa intenções de recuar. A entrada da classe operária para pressionar o governo se converge em necessidade. Depois do dia 18, as centrais sindicais “ameaçam” adotar uma medida de força. Sem dúvida, até agora, os principais sindicatos, se negaram rotundamente a chamar ã greve geral contra o CPE, apesar de a imensa maioria dos trabalhadores e a juventude se posicionarem contra.

A CGT, principal sindicato da França (particularmente na indústria) afirmou que iria « fazer de tudo para que as manifestações dos dias 16 e 18 tenham êxito »... tudo, menos chamar ã greve. Com a CFDT, ocorre o mesmo. A FSU (de grande peso entre os docentes) isola os professores que, sem nenhuma direção sindical que os sustente, começam a fazer greve nas universidades y liceus. Lamentavelmente, nem a SUD faz uma proposta concreta nesse sentido. Curiosamente a Force Ouvrière (sindicato amarelo) chama a « greve geral », sendo um sindicato minoritário, e ao não chamar a assembléias em exigir aos outros sindicatos que se pronunciem, sua convocatória se dissolve em palavras ocas que os permitem localizar-se entre os estudantes. Para que a greve geral se concretize, é preciso impô-la a estas direções vendidas.

O papel dos partidos da “esquerda” oficial (PS e PCF) se limita a pedir no parlamento pela retirada do CPE, sabendo que constituem um setor minoritário. Chegaram ao extremo de “criticar a violência” (Jean-Luc Melenchon, PS)... mas referindo-se aos ocupantes da Sorbonne e não ã polícia. Como não tem o controle do movimento juvenil, tentam conseguir que o governo modifique ou retire o CPE para que a situação não se radicalize. Não nos esqueçamos que foi no governo PS-PC-Verdes que a precarização do trabalho mais avançou, e que mesmo sem o CPE, a facilidade para demitir já é enorme. Estes partidos têm una decisiva influência nos sindicatos importantes como a CGT, a CFDT e o FSU. O mesmo Partido Comunista Francês pede que “as empresas tenham responsabilidade social” e não dizem nada a respeito de uma eventual greve. Como disse “Le Parisien” do dia 19/3 os dirigentes da chamada esquerda plural “tiveram o decoro de não pedir a demissão de Villepin”.

Estes partidos oxidados, vazios de militantes e repletos de funcionários, durante a revolta das banlieues só apontaram para uma saída repressiva: pedir mais reforços policiais de “proximidade”. Preparam-se para co-governar em 2007 numa versão mais descolorida da esquerda plural de Jospin e não querem que seja “as ruas quem governem” (como afirmou o ex primeiro ministro Raffarin). Nada de positivo se pode esperar dos partidos da esquerda plural que já demonstraram ser bons administradores do capital.

A “extrema esquerda”, LO e LCR, chama a uma “generalização da greve” para derrotar a CPE e ao de Villepin. A LCR critica justamente ã CGT pois poderia chamar a greve e não o faz. A LCR e a LO são partidos com milhares de militantes. Centenas entre eles são delegados de defesa ou delegados sindicais da CGT, o principal sindicato francês. Se bem a direção burocrática de Thibault faz o impossível para não chamar a uma greve contra o CPE, as centenas de militantes da LO e da LCR que são delegados desta organização poderiam chamar assembléias em seus postos de trabalho e/ou apresentar moções ã direção da CGT para exigir que se chame ã greve geral já e a um congresso urgente de delegados para organizá-la.

Da mesma maneira, graças a sua influência entre os estudantes e os trabalhadores combativos, poderiam organizar manifestações nas sedes sindicais para exigir diretamente a greve geral. É urgente que a “extrema esquerda” impulsione entre os trabalhadores combativos coordenadorias regionais inter-profissionais para pressionar os sindicatos “oficiais” para que tomem medidas reais de luta contra o CPE, e não apenas manifestações em um sábado. Temos que atacar ã patronal onde mais dói, nas ganâncias. Se a LO e a LCR não o fazem será una grave claudicação e prejudicarão enormemente o desenvolvimento da luta.

Uma discussão parecida se aplica aos sindicatos SUD, que se reivindicam combativos e nos quais a extrema esquerda tem influência. Posto que trata-se de uma organização relativamente pequena, SUD é uma organização importante entre os ferroviários, o correio, energia, etc. A direção da SUD poderia exigir publicamente da direção da CGT que chame a greve geral, uma vez que propõe aos delegados CGT de organizar assembléias e pronunciamentos nos lugares de trabalho. Já que se reivindicam combativos devem demonstrar isso nos momentos chaves das lutas dos trabalhadores.

Mesmo assim, os chamados da LCR ao PCF ã unidade só servem para criar ilusões em um partido capaz de cumprir um papel histórico sinistro, que veio a co-governar com Jospin contra os trabalhadores de 1997 a 2002. Não se trata de unificar todos os que chamaram o voto NÃO ã constituição Européia, em geral por distintos interesses de classe. Faz-se necessário preparar a resistência ao governo direitista e ao regime decadente da V República, organizando os trabalhadores e estudantes pela base para a luta, afastando-os de toda alternativa patronal. Nenhuma confiança nos partidos da “esquerda plural”!

A patronal e o governo afirmam que só se pode frear a desocupação com mais exploração e mais facilidades para demitir. Mentira! Em 2005 as patronais francesas tiveram importantes ganhos, mas o índice de desemprego continuou crescente, em particular entre os jovens e em maior medida nas banlieues, que alcança a 30%. Para acabar realmente com o desemprego é necessário repartir o trabalho entre todas as mãos disponíveis. Com as super-lucros das patronais é possível lançar um grande Plano de Obras Públicas, controlado pelos trabalhadores, capaz de incorporar de imediato aos jovens desocupados das banlieues e os jovens universitários que não vêem para si mesmos um futuro. Isto deve ser central no programa para contrapor ao CPE.

Nós, trotskistas da FT, estamos a favor de una França Operária e Socialista, bastião dos Estados Unidos Socialistas da Europa. Nesta perspectiva nos proclamamos hoje pela retirada do CPE e de todas as leis flexibilizadoras, pela retirada das forças repressivas das faculdades, pela organização das coordenadorias operárias, para que junto ás coordenadorias estudantis, pressionem ás burocracias sindicais pela greve geral contra as leis flexibilizadoras, a repressão e pela destituição de Chirac, de Villepin, Sarkozy e de todos os políticos da V República. Lutamos por um governo operário e popular provisório, dirigido pelas organizações operárias combativas.

>Viva a luta dos trabalhadores e estudantes franceses, Abaixo o CPE e todas as leis de flexibilidade trabalhistas
Fora Chirac, De Villepin e Sarkozy e todos os políticos da V Republica.

>Nenhuma confiança ã esquerda plural que quer utilizar a mobilização para se relocalizar como alternativa eleitoral ã direita: são flexibilizadores e neoliberais, como já demonstrou o governo de Jospin!

> Frente ã França do capital , só um governo operário e popular, dirigido pelas organizações operárias combativas, pode dar uma saída progressiva ã miséria e opressão que sofrem os milhões de trabalhadores e o povo pobre. Pela construção de um partido trotskista revolucionário na França!

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