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México: A ofensiva patronal e a direitização do regime

Editorial: Rumo a uma situação de retrocesso dos trabalhadores?

11/12/2005

Editorial: Rumo a uma situação de retrocesso dos trabalhadores?

Por: LTS

Fonte: Estrategia Obrera n.47

Os últimos fatos da política nacional mostram uma maior direitização do regime da alternância, que pode levar a um fortalecimento das instituições da classe dominante, e a um grande retrocesso das lutas dos trabalhadores e de suas organizações. Hoje estão primando os elementos de caráter reacionário que buscam reverter a potencialidade mostrada pelas tendências progressivas expressas nas lutas dos trabalhadores desde as mobilizações do final de 2003 quando demonstraram seu descontentamento com a política econômica do governo foxista e os partidos do novo regime. Para fortalecer esta perspectiva reacionária, o clero, os partidos da alternância, as cúpulas empresariais - com o apoio dos intelectuais “progressistas” e os analistas “marxistas antineoliberais” -, tratam de desviar o descontentamento popular ã confiança no Congresso da União e nas eleições de 2006.

Ao mesmo tempo, aparecem elementos bonapartistas que demonstram a preocupação do regime frente ao desgaste da política da “mudança democrática” e de suas instituições oxigenadas com a “transição pactuada” legitimada em 2000. Isto se mostra no plano do governo de fazer do CISEN uma secretaria para a espionagem, onde a polícia política vigie e controle os cidadãos como é costume nos governos ditatoriais. É uma política preventiva frente a um eventual desbordamento do descontentamento popular ou prováveis explosões sociais, e seria um salto no papel policialesco da já por si mesma intervencionista Secretaria de Gobernación.

Fica cada vez mais claro que o ex-presidente Carlos Salinas (e os setores do PRI que são afins a ele) e Fox impulsionam uma aliança reacionária contra as massas trabalhadoras (como no ataque ã previdência social e a aprovação do orçamento para 2006) e uma maior subordinação ao governo de George W. Bush, como se pode ver na provocadora e lacaia atitude de Fox e da SRE impulsionando a ALCA na Cúpula da Américas em Mar del Plata. O programa do foxismo é a continuidade da política econômica priista neoliberal.

O evento radiofônico entre o salinista Roberto Madrazo e a quase panista Elba Esther Gordillo, mostrou a existência do pacto deste para fazer passar os planos da miséria e antidemocracia, seja com Madrazo como presidente ou com Calderón Hinojosa. De sua parte, o PRD tem rompido suas promessas democráticas com setores populares e empobrecidos, para ficar bem com os setores conservadores do país e dar uma imagem de confiança rumo a 2006. Na Assembléia de Representantes do Distrito Federal propuseram uma lei para regulamentar manifestações, uma medida antidemocrática e intimidatória que mostra como este partido divide as tarefas com o governo federal no controle da população trabalhadora. Neste clima de direitização da política do regime e de clericalismo governamental é que a Igreja exige ter representantes populares no reino da terra. Por sua vez, o reitor “centro-esquerdista” da UNAM exige uma “impostergável” reforma da lei de ISSSTE (que liquidaria uma conquista central dos trabalhadores). A isto se soma a direitização da política da direção da UNAM e a reaparição aberta do porrismo que tenta evitar qualquer atividade independente nas escolas, como parte das medidas para impor a ordem necessária para a conjunta eleitoral e contra o descontentamento com a política econômica, trabalhista e educativa. Antes a CTM já havia ameaçado com seus grupos de choque se os trabalhadores do IMSS deflagrassem greve, apelando deste modo a medidas que eram comuns no priato.

Avançam os planos dos ricos e seus partidos

Parte importante desta conjuntura é o golpe ao regime de pensões e aposentadorias dos trabalhadores da Previdência Social (com a aberta cumplicidade da direção sindical nacional) para avançar no desmantelamento da previdência social e os direitos dos sindicatos. Este golpe foi a pauta para que a patronal e o governo anunciassem uma ofensiva nacional contra esta importante conquista social. A burguesia necessitava romper a espinha dorsal do sistema de aposentadorias e contratos coletivos dos demais sindicatos. E se fosse deflagrada greve no IMSS (e ainda mais se triunfara), haveria dado força a outras lutas e pressionado ás direções sindicais que se reivindicam combativas a dar passos ã esquerda em defesa das conquistas dos trabalhadores, que há algum tempo pressionam com suas demandas. Da mesma forma, se outros setores de trabalhadores fossem ás ruas, potencializariam os efeitos das lutas de Sicartsa e Bachilleres e poderia ter sido combinada com a “outra ofensiva” do EZLN, aprofundando a polarização política e social. O que significa dizer, se abriria um cenário nacional de instabilidade que dificultaria a sucessão presidencial e possibilitaria que um setor de massas questionasse conscientemente a transição.

A burocracia sindical contra os trabalhadores

A UNT, esta central sindical “opositora”, se mostrou tão pelega quanto a direção do SNTSS (integrante de sua direção colegiada), uma vez que impôs em seu congresso sindical uma proposta patronal a seus agremiados, por isto foi felicitada pelo presidente Fox. Assim, a direção da UNT, em Teléfonos, Stunam, Previdência Social, Volkswagen e transportistas de trens, negociou salários miseráveis, “fechamentos técnicos”, demissões e produtividade, sob o argumento de atuar “responsavelmente” com a patronal. E se prometeram deflagram greve por solidariedade, em apoio aos trabalhadores do IMSS foi porque sabiam que seu membro Veja Galina já havia pactuado com o governo a mutilação ao CCT do SNTSS e que não recorreria ã greve. Ao mesmo tempo, estas direções buscam cargos eleitorais para fortalecer seu papel de agentes dos patrões dentro do movimento operário, seja sob o registro do PRI, do PRD ou do PT. Nem a eles nem aos “esquerdistas” que estão em seus partidos interessa - para além de sua fraseologia demagógica - defender um programa a serviço dos trabalhadores. É graças a este aparato de controle sindical que se sustenta o regime da alternância e suas instituições, e se impõe a reacionária estabilidade política e social.

Lamentavelmente, a Promotora Nacional contra o neoliberalismo (que agrupa setores da esquerda) segue chamando a que se confie nestes pelegos “antineoliberais” e não denuncia seu papel traidor. A direção da Promotora - onde estão a CUT e o FPR - deve definir se fará frente única com a base trabalhadora do IMSS, ou continuarão sua aliança com o CEN do SNTSS sob seu ponto de vista muito particular sobre a frente única operária. Sua política é alheia à luta pela independência de classe nos sindicatos. Nos “Diálogos Nacionais” conviveram comodamente com o salinista-lopezobradorista Camacho Solís e Muñoz Ledo. A luta pela independência de classe das organizações dos trabalhadores é um desafio para a classe operária.

Pela organização independente e classista

Frente a este panorama, os trabalhadores em sua luta contra os planos anti-operários têm que superar o cerco ideológico que significa a política eleitoral rumo a 2006. onde os intelectuais de “esquerda”, não só defendem ao “Peje” das críticas válidas de Marcos, mas que sob uma suposta cruzada democratista contra o sectarismo e o dogmatismo chamam a votar pelo “mal menor” (um representante do capital menos selvagem). Este cretinismo parlamentar crítico é feito desde um ponto de vista “marxista” para legitimar estas eleições entre os partidos da alternância. Para eles o voto em um partido patronal, repressor e corrupto como o PRD (como o denunciou o EZLN e outros movimentos) seria um avanço de consciência dos trabalhadores. Sob esta visão, “acumular forças” é tudo; e por isto, o programa e a estratégia independente dos trabalhadores são qualificadas como dogmatismos da velha esquerda que não se renova.

Para reverter esta armadilha, os trabalhadores e organizações que se reivindicam independentes e combativas devem se organizar e dar continuidade ás tendências progressivas que os trabalhadores mostraram desde o final de 2003 e retomando o caminho dos trabalhadores combativos do IMSS. Do contrário, serão impostas as tendências reacionárias que mostra a atual conjuntura: nenhum representante do capital aplicará seus planos sem restringir as liberdades democráticas e os direitos sindicais da população trabalhadora.

As organizações da classe trabalhadora e seus aliados de classe, têm o desafio de superar esta ofensiva que busca desarticular suas forças e as conquistas que lhes restam. Sindicatos como o SME devem discutir no FSM e no FNRCPIE uma política independente, alheia a qualquer negociação de cargos eleitorais com os partidos do congresso, e que esteja baseado na consigna: “nenhum voto aos partidos do regime e da burguesia (nem o PRI, nem o PAN, nem o PRD, nem PT)”. A estas mobilizações deveria se somar o EZLN e os simpatizantes da “outra campanha”, pois como já mostrou o conflito do IMSS, sua política foi insuficiente para mobilizar ao redor desta resistência combativa.

Nós acreditamos que deve ser convocado um Encontro Nacional de organizações operárias, sociais e camponesas baseado em delegados de base onde se acorde um programa contra o regime e sua enganadora “democracia para os ricos”, sobretudo, agora que também os trabalhadores eletricistas enfrentam o risco de liquidação de seu regime de pensões e aposentadorias, e um plano de luta que nos permita sair como um só. Em particular o SME (que denunciou a traição do dirigente do SNTSS), a CNTE e os sindicatos que saíram a lutar por seus direitos, podem avançar neste caminho se, por exemplo se solidarizam nas práticas com os trabalhadores do IMSS que resistem ã traição de Veja Galina, e contribuem a sua reorganização, impulsionando junto uma frente nacional contra a privatização da previdência social que rechace as reformas da lei do IMSS e a do ISSSTE e lute pelas demandas dos camponeses e indígenas zapatistas.

Neste Encontro os trabalhadores e as organizações ali presentes poderíamos discutir uma política eleitoral independente, classista e combativa. Pois não é “punindo” aos “maus” com o voto (para favorecer outra opção patronal) que se avançará a uma saída independente e combativa. Falta uma política eleitoral e uma estratégia operária.

Por isto é que devemos retomar as ruas, lutar por uma alternativa que não se baseie nos resultados eleitorais ou os cargos no congresso para os sindicalistas. É necessário que os trabalhadores rompam toda ilusão em uma opção “antineoliberal” como o PRD. Já Lula no Brasil, Lúcio Vázquez no Equador, Toledo no Peru e Tabaré Vázquez no Uruguai nos mostraram onde que nos levar os intelectuais “de esquerda”.

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