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Grande Encontro reúne mais de 800 trabalhadores e jovens de todo o país
por : LER-QI, Brasil

03 Nov 2013 | Foram mais de 800 inscritos e vários outros presentes no Encontro de trabalhadores, estudantes, mulheres, negros e negras e lutador@s pela liberdade sexual realizado no sábado, dia 2/11, na Casa de Portugal em SP, atendendo ao chamado a um Encontro Nacional para debater as "Lições de Junho para uma perspectiva revolucionária", organizado pela (...)
Grande Encontro reúne mais de 800 trabalhadores e jovens de todo o país

Foram mais de 800 inscritos e vários outros presentes no Encontro de trabalhadores, estudantes, mulheres, negros e negras e lutador@s pela liberdade sexual realizado no sábado, dia 2/11, na Casa de Portugal em SP, atendendo ao chamado a um Encontro Nacional para debater as "Lições de Junho para uma perspectiva revolucionária", organizado pela LER-QI.

As representações vinham desde o Norte do País, com companheiras e companheiros do Pará e do Amapá, até o Rio Grande do Sul e Paraná, passando por delegações de várias dezenas vindas de Minas Gerais e Rio de Janeiro, além da maioria de militantes e ativistas de São Paulo, incluindo a região metropolitana e interior do estado com uma destacada delegação de Campinas.

Foi muito expressiva a representação de diversas categorias de trabalhadores. Éramos dezenas de trabalhadores da indústria, desde metalúrgicos, alimentação, sapateiros e outras. Dezenas entre efetivos e terceirizados da USP, dezenas entre efetivos e terceirizados do metrô de SP, além de petroleiros do RJ, bancários de SP e correios de SP. Os professores também compareceram em peso, com dezenas do estado de SP entre capital, Campinas, Marília, ABC e outras, além de representantes de MG, RS, além de uma representação particularmente importante dos professores do RJ que vem de uma greve histórica.

A juventude também esteve presente em peso e com representações dos mais distintos setores. Eram centenas de universitários de vários estados. De São Paulo, vieram em peso da USP, Unicamp, de vários campi da Unesp, além de importantes delegações da FSA, UFABC, Unifesp, PUC, Mackenzie e várias universidades privadas. De outros estados, vieram importantes delegações da UFMG, UFRJ, UERJ, IFRJ, UFRGS, além das federais do Amapá e Pará, entre outras. Foram dezenas de secundaristas de São Paulo, Campinas, ABC e de outros estados, além de estudantes de FATEC e ETEC.

Nos próximos dias disponibilizaremos vídeos e textos das falas, que deram um panorama bastante amplo do impacto das jornadas de junho em todo o país, e das lições que os ativistas e militantes vêm tirando a partir da nova etapa que elas abriram para a luta de classes no Brasil. Nesta breve nota, daremos destaque a alguns dos pontos altos do Encontro.

Na abertura, foram feitas saudações de diversos convidados ao Encontro, como o companheiro Jorge Luiz Souto Maior, professor da Fac. de Direito do Largo São Francisco (USP) e Juiz do Trabalho, conhecido aliado das lutas dos trabalhadores que se levantam contra a precarização do trabalho e da vida. Falou também a companheira Heloísa Greco, representando o Instituto Helena Greco de Direitos Humanos e Cidadania de Minas Gerais e sua defesa dos Direitos Humanos no marco da luta de classes. A companheira Letícia Pinho também fez uso da palavra, saudando o Encontro em nome da direção Executiva Nacional do Movimento Mulheres em Luta. Saudaram ainda o Encontro o companheiro Messias, da Oposição Bancária e militante dos movimentos sociais da região de Osasco; a companheira Camila Galetti, do coletivo Maria Lacerda de Maringá, o Prof. Gonçalo Rojas da Universidade de Campina Grande na Paraíba e o professor Luis César, da rede municipal do Rio de Janeiro dando também um informe da combativa greve dos professores e a política das direções; entre outros.

O Encontro teve início com Marcelo Pablito, diretor do Sintusp e dirigente operário da LER-QI saudando as diversas delegações, enfatizando que a própria composição do Encontro já era um reflexo das mudanças ocorridas no país após Junho, de como novas camadas de trabalhadores, de mulheres e jovens despertavam para a luta e, ao mesmo tempo, abriam seus olhos e seus ouvidos para as ideias revolucionárias e as bandeiras socialistas.

A companheira Isabelle, petroleira do Rio de Janeiro, contou sua experiência na greve que enfrentou a privatização do petróleo e a entrega de Dilma do campo de Libra aos grandes monopólios imperialistas, numa luta que combinou a recuperação de métodos históricos como os piquetes combativos e auto-organização nas assembleias de base, com os enfrentamentos com a polícia nas ruas e a solidariedade entre os trabalhadores efetivos e terceirizados. Isabelle emocionou o plenário ao relatar como, no calor da luta e dos debates que se abriam dia após dia, se apaixonou pela revolução e pelas ideias marxistas. Tivemos uma grande rodada de intervenções de delegações operárias que expressaram, a partir de dentro, muitas das principais lutas que os trabalhadores protagonizaram no país de junho para cá, como as recentes greves de professores do RJ e dos bancários de SP e todo o Brasil, e as batalhas políticas em metroviários e professores de SP, entre outras. Falaram companheiros de distintas gerações sobre a necessidade de enfrentar não apenas os patrões e os governos, mas a burocracia sindical que é o seu braço dentro das organizações da classe, e tivemos importantes intervenções contando sobre os reflexos do novo momento pós junho dentro das estruturas industriais onde a ditadura patronal impõe a necessidade do trabalho clandestino paciente. Foi então a vez do companheiro Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP e demitido político do governo Serra, sintetizar os desafios colocados para todos aqueles setores que vinham se forjando como uma nova linha de frente da classe trabalhadora, chamando a todos os trabalhadores ali presentes, e todos os companheiros que constroem conosco agrupamentos comuns nas diversas categorias, assim como as companheiras do Pão e Rosas e da Juventude ás Ruas, a se somarem todos no desafio de construir uma grande Corrente Nacional de Trabalhadores, que unifique todos os nossos combates buscando atuar a partir da CSP-Conlutas por um pólo combativo, classista e antiburocrático para se colocar a altura dos desafios da realidade.

Brandão lembrou como, há 13 anos, eram apenas 7 os companheiros que, após a expulsão do PSTU por defender de forma intransigente a independência de classe e o internacionalismo proletário, se lançaram a construir uma nova organização revolucionária no Brasil, como parte da luta pela reconstrução de uma Internacional revolucionária, a Quarta Internacional. Lembrou que então "os amigos nos chamaram de sonhadores, e os adversários nos chamaram de loucos". E afirmou que, se foi possível, numa etapa de passividade, construir a partir de 7 militantes uma Liga capaz de organizar um Encontro daquela magnitude, então com a colaboração de todas aquelas centenas de companheiras e companheiros ali presentes, seria possível seguramente chegar a milhares e construir uma nova alternativa classista e revolucionária para a classe trabalhadora, "não em 13 anos, mas sim em 13 meses".

As companheiras do Pão e Rosas, que compareceram ás centenas ao Encontro e contagiaram todo o plenário com o espírito combativo de sua agitação, estiveram representadas na mesa pela companheira Rita Frau, que também é professora da rede estadual em Campinas e pela companheira Silvana Ramos, linha de frente da luta das trabalhadoras terceirizadas. Tivemos também intervenções de companheiros presentes em diversas lutas estudantis Brasil afora, com destaque para estudantes que cumpriram papel de destaque nas lutas em curso, ou recentemente encerradas, nas três universidades estaduais paulistas, além de companheiros secundaristas que vêm contribuindo para um importante processo de reorganização de grêmios livres. Dentre os convidados internacionais, falou o companheiro Ruben Matu, delegado sindical da fábrica Lear na Argentina, expressando o processo do sindicalismo de base no país, com seus exemplos emblemáticos em Zanon, no metrô de Buenos Aires e nas grandes concentrações da indústria alimentícia argentina; e o companheiro Zonyko, militante revolucionário e conhecido rapper chileno, contando das lições das grandes lutas da juventude pela educação gratuita no Chile desde 2011, das tendências ã confluência cada vez maior com a classe trabalhadora, e do processo de amadurecimento político dessa nova "juventude sem medo", como é chamada com justeza no país.

Pablito retomou a palavra dialogando com o conjunto das intervenções de onde claramente se desprendiam uma série da campanhas políticas como a luta contra a repressão policial e a perseguição aos lutadores, pela liberdade imediata de todos os presos políticos e pela punição dos assassinos de Amarildo e de todos os mortos pela polícia nos últimos meses. Uma campanha retomando as bandeiras de junho mas indo além das consignas mais imediatas e lutando pela estatização de todos os serviços públicos, sob controle dos trabalhadores e sem indenização a partir do não pagamento da dívida externa e dos impostos progressivos aos empresários e capitalistas. Também a luta contra o racismo e contra a opressão ás mulheres unificará todos os setores presentes em intervenções comuns no dia 20 de novembro, o chamado dia da “consciência negra” e no dia 25 de novembro, dia de luta contra a violência ás mulheres. Uma campanha pela punição de todos os torturadores, civis e militares bem como o apoio irrestrito a todas as lutas em curso de trabalhadores e estudantes.

Finalmente, no bloco de encerramento do Encontro, o companheiro Oscar Coria, dirigente operário do PTS argentino, trabalhador demitido da multinacional Kraft e candidato nas recentes eleições como parte da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em castelhano), que contou como a FIT elegeu três deputados nacionais e oito estaduais, contando com mais de 1 milhão e 200 mil votos, sem precisar rebaixar seu programa, nem contar com o dinheiro que as grandes empresas dão aos candidatos burgueses, nem com o aparato que o governo oferece aos seus candidatos. Oscar explicou que isso foi possível porque a FIT se apoiou, não numa estratégia eleitoralista de fazer de tudo para ganhar votos, mas sim no trabalho profundo e paciente no movimento operário, que despertou a milhares e milhares de trabalhadores que vêm de uma experiência de anos de luta nas fábricas e nas ruas contra a patronal e a burocracia sindical, e agora compreenderam a necessidade de elevar esse combate ao patamar político apoiando os candidatos da FIT, que chegaram a ter mais de 50% dos votos em algumas das principais estruturas operárias onde o PTS desenvolve sua militância todos os dias.

Depois disso, o companheiro Gilson Dantas, editor da Revista Contra a Corrente, veterano trotskista do final dos anos 1960, preso político na ditadura militar e militante da LER-QI, falou sobre como as novas gerações que vão protagonizar o próximo ascenso operário e popular, do qual o mês de junho foi só uma pequena antecipação, terão a oportunidade de tirar as lições dos erros da esquerda brasileira nos ascensos passados, e que essa lição pode ser sintetizada na necessidade de levar ã prática da luta de classes uma estratégia efetivamente revolucionária, quer dizer, uma estratégia soviética, no sentido da auto-organização dos trabalhadores e dos oprimidos a partir das fábricas, estruturas e locais de trabalho, e construção a partir dali dos organismos de poder da classe, ao contrário das estratégias fracassadas da esquerda que privilegiaram sempre os aparatos superestruturais, seja dos sindicatos ou das eleições burguesas.

Fechando o Encontro, em nome da direção nacional da LER-QI, a companheira Diana Assunção, também diretora do Sintusp e perseguida por lutar em defesa dos terceirizados, falou sobre a potência que representavam aquelas centenas de companheiras e companheiros unidos numa grande corrente nacional de trabalhadores que possa levar nossas vozes e nossos exemplos de luta mais longe, mas chamou a todos a um outro nível de reflexão, que se impõe pela própria realidade. Diana retomou a dimensão histórica da crise capitalista mundial, e como os processos revolucionários mais profundos que ela originou, como vemos hoje no Egito, confirmam uma vez mais a necessidade imperiosa de um partido revolucionário para levar a luta contra o capitalismo até o final. Relembrou que não podemos medir nossos desafios a partir das forças que temos hoje, e que frente ã enorme magnitude do proletariado brasileiro, se torna ainda mais apaixonante a tarefa de construir um forte partido revolucionário, capaz de unificar todas as lutas e conduzir a classe trabalhadora e o conjunto das massas exploradas e oprimidas ã tomada do poder. Apresentou aos presentes a proposta de construir um Movimento pela Internacional da Revolução Socialista, a IV Internacional. E finalizou retomando a confiança do grande revolucionário russo Leon Trotski, no futuro comunista da humanidade, uma sociedade livre de toda violência e opressão, em que as novas gerações possam gozar a vida plenamente.

 

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