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Lutemos para que o dia 30 seja um dia de grandes paralisações!
por : Marcelo Torres

22 Aug 2013 | Depois das jornadas de junho, cada local de trabalho se transformou em ponto de debates como não se via há muitos anos. Os trabalhadores começam a se colocar a perspectiva de se organizar desde seus locais de trabalho para lutar por suas demandas.

Depois das jornadas de junho, cada local de trabalho se transformou em ponto de debates como não se via há muitos anos. Os trabalhadores começam a se colocar a perspectiva de se organizar desde seus locais de trabalho para lutar por suas demandas. A entrada em cena da classe operária permite hoje que muitos trabalhadores passem a discutir alternativas a tantos casos de corrupção, de acidentes de trabalho, horas extra, repressão policial, entre tantos outros temas que atingem a vida da maior parte da população. Para responder a essas questões é fundamental um programa classista e uma organização desde a base que permita aos trabalhadores conquistarem suas demandas, independente dos governos e dos patrões.

Lições das jornadas de junho e do dia 11/7

O dia 11 de julho marcou a entrada em cena da classe operária. Paralisações, cortes de rodovias, entre outras ações, foram realizadas por parcela importante de trabalhadores. Porém, muitos trabalhadores não pararam porque a burocracia sindical ligada ao governo, como a CUT e CTB, não organizaram a paralisação e os atos a partir da base. Essa vontade de luta estava presente principalmente nos setores mais explorados. Apesar de todo o controle imposto pela burocracia, o dia 11/7 se transformou em um importante dia de luta nacionalmente, com dezenas de cortes de rodovia, paralisações em algumas categorias importantes e manifestações.

Este novo chamado de paralisação nacional feito pelas centrais sindicais (as governistas CUT, CTB, a patronal Força Sindical, e a antigovernista CSP-Conlutas) não deve ser uma data a mais de luta. Ele deve ser preparado para que o país pare a partir de paralisações nas fábricas, nas rodovias e nos transportes. Se as demandas são corretas, devemos sim paralisar por elas, independente se a convocação é chamada também por setores da burocracia sindical. Quando os trabalhadores colocam-se em movimento, com a organização a partir da base, com assembleias, etc, buscando ligar-se a outras categorias, é quando a burocracia sindical se sente ameaçada. Se ficamos passivos é que eles se fortalecem, pois conseguem fazer apenas algumas paralisações e atos controlados para aparecer na mídia. Os trabalhadores têm que assumir em suas mãos a tarefa de fazer diferente, juntando as forças de todos os setores que se reivindicam anti-governistas, anti-burocráticos e classistas para construir o dia 30/8 de fato pela base.

Alguns trabalhadores comparam as mobilizações massivas protagonizadas pela juventude com as pequenas manifestações do dia 11/7 e começam a questionar se os sindicatos ainda servem como ferramenta. Não podemos confundir o fato de que a burocracia transforma os sindicatos em instrumentos dos patrões e os utiliza burocraticamente para ter privilégios e impulsionar uma política favorável aos governos e partidos burgueses, como se isso fosse uma expressão da debilidade dos sindicatos como ferramenta de luta. O que devemos fazer é nos organizarmos para expulsar a burocracia dos sindicatos e retomá-los para as mãos dos trabalhadores. Se o país mudou os sindicatos tem que mudar! Podemos sim ter sindicatos de luta, como é o caso do Sintusp (Sindicato de Trabalhadores da USP, do qual compomos a minoria de sua direção) que no dia 11/07 organizou desde assembleias a paralisação na categoria e formou um bloco com suas reivindicações desmascarando a reforma política de Dilma e lutando por um programa de independência de classe.

Por qual 30/8 lutamos?

É importante que saiam fortes paralisações no dia 30/8. Em primeiro lugar, porque as demandas de junho e do 11/7 seguem pendentes devido a intransigência da patronal e dos governos, sejam eles do PT, do PSDB ou de qualquer outro partido. Mas também é fruto das debilidades que ainda estão colocadas para que a força da classe trabalhadora se coloque em cena em um patamar superior e possa obter de fato conquistas, ao lado da juventude. O principal obstáculo a ser enfrentado no dia 30 será, mais uma vez, o papel da burocracia sindical atrelada ao governo, como a CUT e a CTB, que seguem se colocando contra a organização desde a base e buscam atrelar o dia 30 ás negociações com Dilma a partir da defesa de uma reforma política. Mais uma vez essas direções querem desviar a luta dos trabalhadores para melhor negociar seus privilégios junto a um governo que já forneceu 7 bilhões de reais de lucro ao Itaú e cerca de 6 bilhões ao Bradesco. Esses burocratas já mostraram de qual lado estão!

Nesse dia 30/8, devemos parar, mas nos delimitando claramente da política de setores das centrais sindicais governistas que seguem colocando a reforma política e o plebiscito que o governo federal está propondo (como insiste em fazer, por exemplo, a APEOESP, no dia 30), como uma demanda importante. Não podemos aceitar ser massa de manobra de uma política de desviar a mobilização das ruas com uma reforma cosmética, sem responder, por exemplo, ao problema dos serviços públicos de qualidade.

A CSP-Conlutas, central da qual compomos uma minoria, é uma das entidades que convocam o dia 30 de agosto. Apesar de ser uma entidade antigovernista a direção desta central levanta a política da mudança da política econômica, como se fosse possível o governo de Lula e Dilma romper seus acordos com as grandes multinacionais, banqueiros e patrões Brasil afora. A CSP-CONLUTAS deve ser motor para que setores de vanguarda da classe trabalhadora possam se organizar desde as bases buscando lutar por um programa de independência de classe e independente dos governos. Porém, não devemos esconder que grande parte dos trabalhadores estão nas bases de sindicatos controlados por pelegos e governistas, e que estes burocratas seguem sendo obstáculos para a organização e luta dos trabalhadores. Esses burocratas já escolheram seu lado! Apenas a organização independente e a exigência de assembleias de base é que pode fazer deste chamado unitário um dia para a verdadeira organização dos trabalhadores!

As paralisações devem expressar com toda força as demandas que surgiram das mobilizações nas ruas, como a luta pela estatização e maiores investimentos nos serviços públicos e a luta contra a repressão (Cadê o Amarildo?). Devemos lutar por mais verbas públicas nos serviços públicos, pela estatização dos transportes sob controle operário e popular. Chega de horas extras nas empresas: trabalhar todos para trabalhar menos! Pelo salário mínimo do Dieese! Nós trabalhadores também temos que responder ao problema da corrupção e da crise de legitimidade do regime, mas com uma política independente do governo e que toque na raiz do problema. Isso passa por levantar o fim do senado e que todos os parlamentares, juízes e funcionários de alto escalào ganhem o salário de um professor e que seus mandatos sejam revogáveis por aqueles que os elegeram. Além disso, devemos lutar pelo definitivo arquivamento do PL 4330, que permite terceirizar atividades fim, mas avançando no questionamento ã terceirização também das chamadas “atividade meio”, que hoje já divide enormemente a nossa classe, batalhando pela contratação imediata dos terceirizados nas empresas privadas e efetivação sem concurso público nas instituições públicas.

Não pode haver contradição entre levantar essas demandas e aquelas que vem sendo motoras das lutas em várias categorias, como as demandas por melhores condições de trabalho e salário. No dia 30/8, cada categoria deve ampliar suas lutas ligando suas demandas específicas ás gerais da nossa classe. Nós da LER-QI queremos debater com os trabalhadores que é necessário, num momento onde o país está mudando rapidamente, que encaremos essas mobilizações como parte da tarefa de questionar as bases do sistema capitalista, que submete milhões ã miséria, enquanto enche um punhado de empresários e políticos de privilégios.

Nos unifiquemos pela base no combate aos patrões, aos governos e ã burocracia sindical.

No sábado dia 24, participe da atividade unificada de trabalhadores

Para debater essas questões, nós da LER-QI e do Boletim Classista estamos organizando uma atividade unificada das categorias em que estamos inseridos, onde queremos debater essas ideias que aqui colocamos e outras. Chamamos a todos os trabalhadores e trabalhadoras que atuamos em comum na USP, metroviários de São Paulo, professores, bancários, carteiros, metalúrgicos, da indústria da alimentação e das outras categorias para uma discussão no dia 24/8, ás 15:00, na Casa Socialista em São Paulo, e todos os que queiram participar do churrasco que faremos a partir das 18:00.

 

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