FT-CI

XI Congreso do PTS

Nossas tarefas políticas para construir um partido na luta de classes

10/09/2009

Nos dias 4, 5 e 6 de setembro reuniu-se o XI Congreso nacional do PTS, com mais de 100 delegados escolhidos pelos militantes de Jujuy, San Luis, Mendoza, Tucumán, Córdoba, Santa Fe, La Pampa, Neuquén, Capital, as principais zonas da grande Buenos Aires e cidades da província de Buenos Aires.

Em primeiro lugar, abordou-se o conteúdo dos documentos da situação internacional aprovados na VI Conferência da FT-QI dos que já informamos nestas páginas (ver LVO 339, 20/08/09...). A dinâmica e o caráter histórico da crise capitalista internacional, apesar dos efeitos relativamente amortecedores das massivas intervenções dos estados e para além de possíveis recuperações parciais, se manifestam nas tendências a realinhamentos e disputas entre países imperialistas, países dependentes e semi-colônias, no marco da decadência da hegemonia norte-americana. Particularmente, a partir do começo de uma política mais agressiva do imperialismo norte-americano na América Latina, expressada no golpe de Honduras e a instalação de bases na Colômbia, o Congresso definiu redobrar a campanha antiimperialista e internacionalista que vínhamos desenvolvendo com força na juventude, e estendê-la especialmente ã classe trabalhadora e suas organizações combativas. Esta definição do caráter internacionalista da atividade do PTS no movimento operário foi a primeira resolução adotada pelo XI Congresso.

O PTS na “escola de guerra” de um novo movimento operário

Depois dos informes sobre a situação nacional e de orientação política, a cargo dos companheiros Christian Castillo e Fredy Lizarrague, o Congresso esteve repleto de informes dos delegados sobre a intervenção do PTS na luta de classes que ratificaram a nova situação na classe trabalhadora. Sem dúvidas, atravessamos um novo momento da luta de classes: depois das eleições do dia 28 de junho, pela debilidade na que ficou o governo e a estrutura de contenção do peronismo, assim como da fragmentação da oposição, houve um salto no processo que vinha se dando desde final de 2008 quando a crise internacional começou a golpear, e acelerou as lutas não somente de enfrentamentos aos despidos mas também por demandas salariais – ou de condições de trabalho como frente ã gripe A – e a continuação da eleição de novos delegados nos lugares de trabalho frente ao estendido desprestigio das conduções burocráticas dos sindicatos. Os delegados informaram com exemplos da intervenção do PTS nos mais variados processos, como a luta dos contratados de IVECO e Gestamp do SMATA (Sindicato de Mecânicos e Afins ao Transporte Automotriz) de Córdoba, as fábricas tomadas como Paraná Metal, Massuh, Indugraf, Mahle; o plano de luta da UOM (União Operária Metalúrgica), com paralisações nacionais e protestos do grêmio que não se viam desde há 15 anos; nos protestos de 700 trabalhadores em Siderca-Campana, que motivou a expulsão da UOM de um delegado e ativistas, e a resposta de centenas de operários repudiando a medida; ou no plano de luta pelo novo Sindicato do Subte (Metrô), com paralisações e protestos contra as patotas da UTA (Sindicato dos motoristas de ônibus e - apenas oficialmente - do metrô), por salario e o reconhecimento do sindicato. Os delegados ao Congresso partiram da experiência do partido nas eleições de novos delegados como no caso das plantas automotrizes de VW e Ford, na Zona Norte da Grande Buenos Aires (GBA); nas paralizações de docentes e funcionarios públicos de Córdoba, assim como nossa ação no histórico despertar dos operários do Polo Petroquímico de Bahía Blanca, a participação de nossos companheiros e companheiras na luta do INDEC, ou nas paralisações e piquetes em lutas duras por fábrica, como Tersuave em Villa Mercedes – San Luis, em Pilkington e FP na Zona Norte - GBA, em Petinari, Fargo e Avon da Zona Oeste – GBA; no protesto de operários de Pepsico diante do fechamento judicial da fábrica.

O novo estado de ânimo da base trabalhadora ficou demonstrado nas verdadeiras rebeliões fabris que se deram em pleno inverno reclamando medidas ás patronais frente ã gripe A nas principais empresas da alimentação, como Terrabusi e Stani-Cadbury, o que motivou a represália da patronal norte-americana Kraft-Terrabusi com as 160 demissões e o atual conflito que cruzou as reflexões do Congresso. Todos estes processos nos que temos participado implicam não somente a uma vaguarda e setores avançados da classe trabalhadora, mas tem como protagonistas a setores de massas da base operária que tenta “conservar” o que conseguiu nos anos de recuperação económica, arrastrando em muitos casos ás direções dos sindicatos, ou enfrentando-se com elas abertamente. Neste marco de crise aberta dos de cima e crecente atividade por baixo, observamos que tem diminuido o medo ã esquerda entre os operários, produto de que o “final de ciclo” do Kirchnerismo também significa o começo do fim da ideología hegemónica nestes anos de ilusão nos que, de mãos dadas com o governo se conseguiria um “progresso” comum de operários e empresarios. O novo panorama apresenta, não somente ataques patronais na industria, mas as crisis das contas públicas em várias provincias começam a atacar o funcionalismo e docentes que vem em perigo salários e aposentadorias. Junto a isto foi ratificado o que assinalávamos em documentos para o Congresso: “o nosso pronóstico é que o retorno dos sindicatos ao centro da vida política entrará em contradição com o aprofundamento da crise econômica e política, e gerará novos fenômenos políticos e sindicais” (...) “Os sindicatos estarão cada vez mais submetidos a uma dupla tensão na crise capitalista. Por baixo, a raiva e a pressão dos trabalhadores que sofrem despidos e recortes de salário, e por cima a cooptação do Estado [ntegração na administração de empresas como Aerolineas (linha aérea de bandeira), AySA (saneamento básico), Correio, Ferrocarril Roca (trem suburbano), etc., ou colaborando com o governo em Massuh, Paraná Metal, etc., NdR] e os ataques patronais. A mesma burocracia sindical que em épocas de crecimento aparece negociando a favor dos trabalhadores no conflito pela ‘redistribuição da renda’ e até com um varniz de introduzir reformas ‘favoráveis’ (os vários projetos de lei com os que ameaçou tantas vezes o deputado Recalde), se transforma em auxiliares do capital nos seus momentos de crise”. Esta situação da cúpula dos sindicatos não se confirma somente na CGT mas também na CTA onde, enquanto a ala de De Gennaro-Micheli deu um salto em seu alinhamento com a oposição burguesa ao impulsar como principal lema na paralização de ATE (Asociação de Trabalhadores do Estado) a “coparticipação federal”, o setor de Yasky impulsionou o fraude no SUTEBA (Sindicato de docentes da provincia de Buenos Aires) de La Plata. A estragégia de ambas frações, mesmo que apoiem diferentes variantes da centro-esquerda, está expressada em que não por acaso preparam a reunião nacional Constituinte Social em Neuquén, onde a CTA, a través do UNE, vem sendo parte do governo municipal repressor das ocupações de terrenos e se propõe construir o MPN “das origens”. De conjunto, o Congresso definiu que, desta “escola de guerra” (como colocava Lenin, devia ser tomada a participação dos revolucionários nas greves), os aspectos centrais que nos interessam “aprender” junto ã vanguarda operária das atuais lutas operárias são: 1) uma política sistemática para conseguir que o ativismo, ao mesmo tempo que se organiza e luta decididamente, lute por ganhar a maioria da base e não se desprenda, o que implica uma disputa permanente, com exigências e denúncias, com a burocracia dos sindicatos; 2) a preparação científica da luta, conhecendo o stock da patronal, as relações com o governo e a burocracia, seus pontos fracos e fortes; 3) saber utilizar as tréguas momentâneas (como as conciliações obrigatórias em certas circunstâncias) para fortalecer as forças próprias, contra o “amortecimento” por desgaste e desmoralização que impulsionam as patronais, a burocraciia e o Ministério de Trabalho; 4) considerar que todo triunfo de um conflito, principalmente na indústria, é em realidade um “armistício” já que as patronais utilizarão seu poder para preparar contra-golpes, e a verdadeira relação de forças não pode ser estabelecida em um ato, mas no médio prazo; 5) que devemos articular a defesa dos posicionamentos que se conquistem na indústria – mais instáveis devido aos constantes movimentos de ataques e contrataques das patronais – com a participação desde os sindicatos ou juntas internas no funcionarismo público, docentes e empresas de serviços públicos como o metrô que, ao permitir um desenvolvimento mais estável para a vanguarda, podem jogar um papel de trincheira com maior continuidade para o movimento operário todo. Com esta prática na luta de classes (incluindo também os combates do movimento estudantil) em função de nosso programa transicional “para que a crise seja paga pelos capitalistas”, está colocada uma nova etapa para o PTS. Para além dos ritmos da luta de clases, abre-se um período que coloca a possibilidade de construção de um partido revolucionário de vanguarda. O Congresso reafirmou nossa concepção de que um partido que se diga revolucionário e leninista só pode irromper no escenario político se agrupa e expressa setores avançados da classe operária, de sua vanguarda e que não es trata de uma questão apenas do crescimento numérico de militantes, mas da capacidade de dirigir a ação e ter influência política que possa ser alternativa entre os acontecimentos da luta de classes, para derrotar as direções burocráticas e conciliadoras. A existência de “partidos” com certa influência nos setores avançados mas estéreis para enfrentar seriamente a influência dos reformistas no movimento de massas, deu seu veredito nos anos 1990 quando o MAS, que contava com uma organização de miles de militantes, foi impotente para enfrentar com uma política revolucionária o ataque das privatizações e ser uma alternativa nas grandes greves de resistência do período. Esta é a conseqüencia de considerar como crucial para a construção de partido, a conquista de espaços (eleitorais, sindicais, estudantis) nas instituições do regime burguês. Para nós a atuação dos revolucionários nestes âmbitos deve estar ao serviço da intervenção na luta de classes. O grande passo ã frente que demos colocando de pé o primeiro canal de TV por Internet da esquerda, TvPTS, integrado a nosso “sistema de meios” que inclui programas de radio semanais, o semanario La Verdad Obrera, a revista Lucha de Clases, assim como a publicação de livros e folhetos do IPS, também estão guiados pelo objetivo de colocar de pé um grande partido revolucionário. Nossa estratégia é a construção de um partido que agrupe a vanguarda operária para que esta se transforme em direção da maioria da classe trabalhadora e impulsione as tendências ao surgimento de organismos democráticos das massas em luta que superem os limites dos sindicatos para, em aliança com os pobres da cidade e do campo, preparar a insurreição e a tomada do poder.

Uma corrente político sindical e um movimento por um Partido de Trabalhadores

Os delegados constataram centos de exemplos do impacto que nos lugares de trabalho e estudo causou o triunfo histórico alcanzado pelos ceramistas de Neuquén com a lei de expropriação de Zanón. Como corrente orgânica desse processo, o PTS tem a possibilidade de demonstrar, num exemplo pequeno mas muito significativo e difundido em nível nacional e internacional, como nossa estratégia não parte de um dogma mas de uma confiança científica na capacidade da classe operária de lutar contra a burocracia, a patronal e o estado, auto organizar-se, unir suas filas e propôr-se como força hegemônica do resto dos setores explorados e oprimidos, se contar com uma direção revolucionária que permita que se expressem suas tendências mais progressivas e combata incansavelmente suas tendências reacionárias e conciliadora. Por isso, em primeiro lugar o Congresso do PTS resolveu comprometer todo o seu apoio ás iniciativas que adotem os dirigentes do Sindicato Ceramista de Neuquén em função de impulsionar a construção de uma corrente político-sindical, tanto na CGT como na CTA, junto a todos aqueles dirigentes ou correntes dispostos a defender na luta de classes um programa combativo, antiburocrático conseqüente e classista. Consideramos que colocar de pé esta corrente nacional não vai surgir se não da resposta aos processos reais da luta de classes e ás necessidades do agrupamento amplo da vanguarda operária – o que supões desigualdades nas diferentes zonas do país – como é agora a ampla frente única que na Zona Norte da Grande Buenos Aires impulsionamos em defesa da luta dos trabalhadores de Terrabusi. Ligado ao desenvolvimento desta corrente nacional, a segunda resolução do Congresso é que o PTS buscará a maior quantidade de aliados possíveis nos dirigentes sindicais que se reivindiquem classistas e/ou da esquerda, para impusionar um movimento político por um Partido de Trabalhadores com o objetivo de dialogar com os operários que estão fazendo sua experiência política como o kirchnerismo e as novas camadas de ativistas assinalando uma perspectiva de superação do peronismo e de confluência da esquerda operária e socialista com os setores da classe trabalhadora que rompam com os partidos patronais, o que está colocado na etapa que se abre.

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