FT-CI

Reino Unido

Greve contra o teto salarial de Brown

05/08/2008 La Verdad Obrera N° 287

Greve contra o teto salarial de Brown

Nos dias 16 e 17 de julho, 650 mil trabalhadores do setor estatal e dos municípios de Inglaterra, Gales e Irlanda do Norte saíram entraram em greve contra o congelamento salarial imposto pelo governo trabalhista de Gordon Brown. A paralisação teve uma adesão grande e paralisou a atividade de escolas, oficinas do estado, bibliotecas públicas, centros de arte e de esportes. Além disso, se viu afetado o serviço de coleta de lixo, e se cancelaram vôos no aeroporto irlandês de Derry e as balsas em alguns portos que se encontram sob administração municipal, afetando setores que cumprem uma função vital na comunicação e comércio com o resto da ilha.

A gota d’água foi a oferta do governo de Brown que estabelecia um máximo de 2.45% de aumento salarial quando o índice de preços ao consumidor segundo dados oficiais é de 3.8% e a inflação se estima em 4.8%, ameaçando chegar aos 5% para o fim do ano. As cotas das hipotecas aumentaram 8%, os produtos básicos como leite, pão, petróleo, gás e eletricidade têm ido ás nuvens, sofrendo o maior aumento dos últimos 25 anos. Por isso a oferta salarial do governo é denunciada pelos trabalhadores como um “corte salarial” a seus já magros salários que há 10 anos vêm ficando pra trás do nível da inflação.

À luta têm abarcado empregados de oficina, bibliotecários, assistentes docentes e auxiliares de escolas (pessoal de limpeza e cozinha), e lixeiros, os setores mais atrasados e onde a maioria da força de trabalho é composta por mulheres e imigrantes. Cobrir as necessidades alimentícias de uma família tem aumentado consideravelmente, o preço da manteiga triplicou, o preço do leite, do pão e do queijo aumentou 20%, e a cesta familiar típica custa 10% mais que ha um ano atrás.

Estima-se que durante os dias de paralisação só na Inglaterra e Gales fecharam cerca de 11.000 escolas e 70% das principais escolas fora de Londres se viram obrigadas a permanecer fechadas por falta de pessoal que havia aderido ã paralisação. Montaram-se piquetes espontâneos em muitas escolas e se organizaram marchas nas cidades mais importantes do país. Em vários casos, os professores primários- agrupados no sindicato NUT que se negou a chamar a greve para submeter-se aos chamados- compareceram ás escolas mesmo estas estando fechadas(pela paralisação do pessoal não docente e ajudantes de docentes) para expressar solidariedade com seus companheiros de luta, demonstrando a potencialidade que haveria tido uma greve conjunta contra o governo.

Alguns meios de comunicação têm se animado a dizer que se trataria de uma das maiores ações de luta desde a greve geral de 1926, enquanto outros tem apelidado-a de “verão do descontentamento”, em referência ã onda grevística de dezembro de 1978 e janeiro de 1979 conhecida como o “inverno do descontentamento”, quando os trabalhadores britânicos saíram a enfrentar o teto salarial da administração trabalhista da época.

Os sindicatos e o trabalhismo

As organizações sindicais por trás da medida, UNISON e UNITE, encontram-se entre as mais poderosas do país. UNISON é o maior sindicato do setor público da Grã Bretanha e da Europa e conta com mais de 13 milhões de membros. De acordo com seus líderes trata-se do início de uma campanha na qual se decidirá essa semana os passos seguintes, na Escócia já estão realizando votações para decidir se vão ã greve ou não. Por outro lado, UNITE, com 2 milhões de membros é o maior sindicato do reino Unido e agrupa todas as indústrias, profissionais e também aos trabalhadores dos governos municipais, entre outros.

O argumento do governo e das autoridades locais é que um aumento salarial maior seria uma medida inflacionária e pedem aos trabalhadores que se ajustem aos cinturões para poder contornar a crise da qual são vítimas, enquanto seus verdadeiros responsáveis se encontram sentados em folgadas poltronas com cômodos “prêmios” ou “bônus” salariais.

Mas os trabalhadores do setor estatal não têm sido os únicos a partir para a briga, já que em uma ação separada o sindicato dos trabalhadores de serviços públicos e comerciais sairão em greve em poucos dias.

No dia 24 de abril passado presenciamos uma grande jornada de luta dos docentes primários, secundários, universitários e empregados dos serviços públicos em protesto contra essa mesma política (La Verdad Obrera N° 275).

Tal ação, somada ã paralisação de 48 horas da semana passada e ás ações já anunciadas por outros setores poderiam antecipar uma onda de lutas. Esse é um sinal alentado em um país onde não se viam ações desse tipo desde a derrota infringida ao movimento operário sob o governo conservador de Margaret Thatcher, e poderia estar adiantando um processo de lutas mais combativas em um marco econômico que já começa a mostrar elementos de crise em um dos países mais estáveis do continente europeu.

Como resultado da derrota infringida pelo thatcherismo, a classe operária britânica tem sido fragmentada suas organizações sindicais têm se debilitado. Por isso a mostra de solidariedade de setores que não estavam em luta com seus irmãos de classe é um sinal alentador frente ao legado conservador mantido pelo governo trabalhista de Tony Blair.

Por outro lado, o Novo trabalhismo se apoiou durante o mandato de Blair em grandes contribuições dos homens de negócios e industriais mais influentes e ricos do Reino Unido, fato que por outro lado significou grandes escândalos já que não tem declarado as “contribuições” desses poderosos empresários. Nesse momento, o trabalhismo depende mais economicamente dos aportes financeiros provenientes dos mesmos sindicatos, fato que os coloca em uma situação de maior poder de negociação frente ao governo. Se bem que isso não liquida o papel dos sindicatos, é uma debilidade na qual pode colar-se a raiva e o nojo dos trabalhadores frente a perda de seu poder aquisitivo.

Começar a enfrentar os ataques

Os trabalhadores tem feito um chamado ao conjunto da população, ressaltando a importância de seus serviços para a comunidade, desde a limpeza das ruas e dos parques, o cuidado das crianças nas creches, a limpeza e o estado dos alimentos nas escolas e os trâmites de certidões de nascimento, casamentos, etc. Apela a seu papel na comunidade para pedir o apoio do resto dos trabalhadores e o apoio a sua luta por um salário digno. Apesar do protesto ter sido massivo, os sindicatos tem evitado que os trabalhadores da saúde, também representados pela UNISON, saiam a luta.

Para frear frente aos ataques anti-operários será necessário organizar ações maiores onde os trabalhadores do setor público busquem uma aliança com os trabalhadores do setor privado, nativos e imigrantes lutando por uma política independente que supere o marco das brigas corporativistas de pressão que impõe as direções sindicais. Mesmo se os trabalhadores conquistam o aumento salarial de 6% só estariam compensando parte da perda de seu poder aquisitivo nos últimos anos, já que as direções sindicais não lutam por um aumento salarial de acordo com o índice de inflação.

Em nossas páginas viemos denunciando a política anti-operária da União Européia: como as diretrizes xenofóbicas anti-imigrantes e o aumento da jornada de trabalho. Com esse pano de fundo, a “revolta salarial” representa uma contra-tendência que apostamos que se desenvolva, ainda que a burocracia sindical tenha dividido a luta dos diferentes setores. A mobilização e as mostras de solidariedade mostram a disposição à luta dos trabalhadores, nessa perspectiva é necessário unificar as reivindicações de todos os setores que vêm se manifestando para quebrar a política do governo.

Traduzido por Beatriz Michel

  • TAGS
Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Periódicos

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)