FT-CI

DECLARAÇÃO DA JUVENTUDE DA LER-QI | USP

Construir uma grande luta contra a polícia, a repressão e a precarização de Rodas!

04/11/2011

Por Juventude da LER-QI USP


A luta contra a repressão volta a polarizar a universidade

A USP agora está polarizada pelo movimento contra a PM no campus e contra os processos a estudantes, trabalhadores e SINTUSP. Esse movimento escancarou que a polícia, que massacra o povo pobre nas periferias e executa um genocídio da juventude negra, não vem para proteger, e sim para reprimir, como parte da estratégia de Rodas de destruir a resistência ao seu projeto elitista, racista e privatista de universidade, com a terceirização, demissão em massa via PROADE, fechamento de cursos, precarização do ensino e mercantilização do conhecimento.

Um Ascenso do ME a partir da ocupação da FFLCH

Desde a ocupação da administração da FFLCH, em resposta ã repressão brutal da PM aos estudantes com bombas e balas de borracha cruzando prédios de aula, o movimento recebeu o apoio de importantes intelectuais e entidades, dos trabalhadores em greve da UNICAMP, - aos quais se somaram os estudantes do IFCH! -, construiu um ato com quase mil estudantes contra a repressão, num claro processo de ascensão, que no dia 1/11 culminou em uma assembléia geral com mais de mil estudantes.

“Lideranças Estudantis” negociam com a reitoria, pelas costas do movimento, a desocupação e o fim da mobilização.

Recentemente vazaram na internet documentos em que, no dia seguinte ã ocupação da Administração da FFLCH, 28/10, José Clóvis, assessor do gabinete do reitor, informa o Reitor Rodas sobre “reunião realizada hoje com algumas lideranças estudantis na História”:

“Prezado Professor João, (…) fui conversar com os setores organizados do movimento estudantil e professores. Desse encontro surgiram algumas propostas para colocar fim ã invasão do prédio da Administração da FFLCH: 1) Os alunos disseram que há dois grupos no interior do movimento sendo um organizado, ligado aos pequenos partidos de esquerda; o outro, composto de ultraradicais que não desejam sair. Porém, se a Congregação for convocada extraordinariamente para segunda-feira (…) e for discutida a invasão, os radicais talvez sintam-se acuados; 2) Para além da crítica ã invasão (o que certamente ocorrerá), os alunos entendem que a congregação pode encaminhar ao sr. e ao CO, uma proposta de reforma do Estatuto (…) 3) A proposta deles é que o sr. revogue o convênio com a PM, porém, discuti com eles que isso é pouco provável (…). Uma proposta que acredito a Congregação pode encaminhar e que eles acharam interessante é que um Fórum Permanente de Segurança possa ser constituído com a presença de representantes deles próprios, da PM, de ilustres professores e representantes dos funcionários. (...)”

É um absurdo! Quem são essas “lideranças estudantis”?! Não é muita coincidência que justamente a idéia de "desocupar" a Administração da FFLCH apresentada neste email tenha sido exatamente a mesma proposta que PSOL e PSTU (desocupação) que também por coincidência são lideranças estudantis na FFLCH? Inclusive,em outro documento que está circulando, de 2/6, Waldir Jorge, coordenador da COSEAS, escreve a Amadio, chefe de gabinete, sobre a moradia retomada, citando nomes: “Hoje tive reunião com alunos Adrian e Renan do DCE, (…) há uma grande possibilidade de avançarmos na recuperação desta área. (…) Há uma real vontade deles em acertarmos os ponteiros. Sugiro agendarmos uma reunião (…) e fecharmos mais este pacote de pepino”! Será coincidência que dois dias depois, em pleno domingo, o Conselho de CAs da FFLCH e o DCE tenham se reunido, votado uma exigência ã congregação, e um panfleto unificado com as propostas que no dia seguinte foram aprovadas na congregação? Será coincidência que os 5 CAs e o DCE tenham participado como convidados, o que nunca acontece, e inclusive ajudado a propor os professores que negociariam a desocupação, que só começou depois de uma plenária em que o CAHIS aprovou o programa votado na congregação e a proposta de desocupação?! Quem de fato participou dessa reunião com o assessor da Reitoria, e qual o alcance desse esquema nojento não é possível dizer. O fato é que todas as gestões dos CAs da FFLCH e do DCE, integradas por correntes do PSOL e pelo PSTU, levaram a frente essa política, em bloco.

Quem não organizou um combate contra a repressão e a reitoria durante todo o ano não começaria a fazer isso votando uma desocupação que pode inclusive ter sido negociada com a burocracia acadêmica para enterrar a mobilização por uma promessa de negociação! Querem negociar reformas, mas não estão dispostos a um combate real para expulsar a PM! Além disso, não querem que nada “atrapalhe” o calendário das eleições estudantis, que transformam em um obstáculo ã mobilização. Nós, da Juventude da LER-QI, que compomos chapas junto a independentes nas eleições, queremos ir na contramão dessa tendência, construindo uma campanha eleitoral militante contra a repressão e a precarização de Rodas, e chamamos os estudantes a votarem não somente nos programas, mas em uma prática política que expresse um novo movimento estudantil!

PSOL e PSTU dividem o movimento estudantil deslegitimando seus espaços

Foi como parte desta política que na assembléia de 1/11, após a deliberação da desocupação, em meio a uma votação, a mesa composta por PSOL(DCE) e PSTU(CAELL) declarou unilateralmente o fim da assembléia. Alegam que já estava tarde, que já se havia ultrapassado o horário limite e que havia "confusão". Mas o fato é que a assembléia estava muito cheia, e o horário não havia sido problema até que a posição da mesa foi derrotada na votação entre encaminhar a discussão do “calendário de lutas” ou da proposta de ocupação da reitoria, previamente apresentada na assembléia. Com a votação já realizada e repetida, e a vitória clara do encaminhamento sobre a ocupação da reitoria, PSOL e PSTU decretaram o fim da assembléia e se retiraram!

Então, quase 500 estudantes mantiveram a assembleia legitimamente, num movimento antiburocrático, e decidiram continuar a discussão votando a ocupação da reitoria. Na mesma noite, o prédio da reitoria foi ocupado por centenas de estudantes, que em seguida ratificaram as bandeiras da ocupação da FFLCH, contra a PM e os processos a trabalhadores e estudantes.

Estas organizações políticas tem disseminado uma campanha contra a ocupação dizendo que "não foi legítimo" e que "foi feita uma manobra" para aprovar a ocupação, num falso discurso sobre "democracia estudantil". Coincidentemente é exatamente o mesmo discurso de toda a imprensa e da Reitoria, que estão organizando um operativo repressivo contra esta mobilização, inclusive responsabilizando nominalmente a LER-QI e outras organizações políticas, apagando as centenas de estudantes que votaram e participam dessa ocupação, e nos expondo ã repressão. Como disse o professor Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicação e Artes, em coletiva de imprensa apoiando a ocupação "essa é a linguagem da ditadura, dos delatores!". É urgente abrir um debate sobre os métodos e a concepção de movimento estudantil, pois com esse discurso falso o PSOL e o PSTU querem fazer parecer que os que enterram uma luta "democraticamente" são os "democráticos", e os que passam por cima das suas direções mantendo uma assembléia e seguindo a luta são "burocráticos". Uma péssima manobra de inversão de papéis para levar adiante um movimento estudantil anti-burocrático e combativo.

As entidades devem ser instrumentos do movimento, não seus inimigos

O DCE e os CAs são instrumentos de luta dos estudantes. Desgraçadamente estão nas mão de setores que entregam estudantes para a polícia – escoltaram os estudantes até o carro para levá-los ã delegacia! – e que podem ter negociado a traição do movimento; e precisam ser retomadas. Por isso, exigimos que as gestões dessas entidades compareçam ã assembleia geral de 3/11, em frente ã reitoria ocupada, ás 20h, para que se esclareça essa situação. É necessário organizar uma Comissão Independente para apurar os fatos e apresentar para todos os estudantes quem são as "lideranças estudantis" que negociaram com a Reitoria pelas costas do movimento a desocupação.

É preciso massificar a luta contra a repressão a partir da ocupação

Para essa luta, se mostram claramente 3 estratégias. A primeira, que já apontamos, é a estratégia do PSOL e do PSTU. Por outro lado, correntes como o MNN, que se absteve de qualquer luta durante o último ano, e parte dos setores que se reivindicam “autonomistas”, vêm a ocupação como um fim em si, como se fosse o bastante para derrotar a repressão, e por isso não dão um combate real contra a burocracia estudantil, ou seja, contra o apoio que ela tem em um amplo setor de estudantes – não a toa após tudo isso ainda se negavam a criticar as direções e defendiam um chamado a unidade eleitoral com esses partidos! -, além de desligar a luta contra a repressão da luta contra o projeto privatista e precarizante de universidade a que ela serve, e desligar a luta contra a PM da USP da luta contra o massacre protagonizado pela polícia da população nas periferias.

Para nós, por outro lado, é necessário massificar esse movimento, fazê-lo vivo em cada curso, em cada sala de aula, construindo assembléias e paralisações nos cursos, unificar-se com outros setores em luta, como os trabalhadores em luta e as greves na UNICAMP, e buscar aliados, como os professores Chico de Oliveira, Luizito e Souto Maior que declararam seu apoio ã imprensa, foram ã reitoria ocupada e estão levando suas aulas para lá, desmentindo a campanha da imprensa de que se trata de uma ação isolada, dizendo que “é a continuidade de anos de luta de estudantes e trabalhadores em defesa da universidade”

A luta nas estaduais paulistas continua forte com a greve dos trabalhadores da Unicamp, e agora com a greve dos estudantes do IFCH, também na Unicamp. Não fosse a atuação desta verdadeira burocracia estudantil com a ajuda do PSTU, a ascenção do movimento teria seguido forte, e seria possível já nessa próxima segunda-feira fazer um ato ainda maior. Mas o movimento resistiu as manobras e seguiu adiante com a ocupação da Reitoria e os apoios que já conquistou. Hoje a reitoria já anunciou que quer negociar com o movimento de ocupação. Não retrocederemos, e a assembleia de hoje será fundamental para debater a posição da reitoria, a massificação do movimento e a posição das direções do ME.

Juventude da LER-QI

04-11-2011

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Jornais

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)