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Comentário Político Semanal | PTR-CcC

Chile: 400.000 a 0

04/07/2011

400.000 a 0

O governo não acerta uma. Enquanto a mobilização de 400.000 significava um teste de forças, se apostava em seu desgaste. Não funcionou. A paralisia com o anuncio de diversas medidas de repressão (férias antecipadas, demissões, criminalização). Também não funcionou. O aumento das pressões para conseguir acordos forçados (com os reitores, por exemplo). Não funcionou. Funcionou menos ainda a política da Concertación: alguns de seus dirigentes foram repudiados nas mobilizações. Depois ainda fazem da necessidade virtude: fazendo-se de humildes, dizem soberbamente que não desejam se por a frente do movimento. Na verdade: não podem!

No entanto, o estudantes saíram as ruas com o apoio e a adesão de sindicatos, associações de pais, professores, intelectuais, associações de vizinhos. E vencido esta prova de forças, vão exigir educação gratuita imediatamente; manterão a exigência de renacionalização do cobre e reformas tributarias para financiá-la, e mudança da Constituição. Ao mesmo tempo estão provocando mudanças nas organizações estudantis, como a composição da CONFECH e seus representantes.

As mobilizações estudantis, ainda que expressa como luta estudantil, significam uma crise do governo, e do regime.

Qual é?

A semana se iniciou com o anuncio do Governo de que começará, aprofundando o autoritarismo que vinha sendo questionado e que havia culminado em diversos eventos (exemplo van Rysselberghe), a governar por decreto. O fazem, através de medidas administrativas, percebendo não só o fato de ser minoria no Parlamento, mas também sua incapacidade de chegar a acordos com a Concertación, a quem chamam de obstrucionista, a pesar de terem votado todas suas leis.

E se fechou, devido as mobilizações, com um anuncio de que resolverá sua maior crises política, a das mobilizações estudantis, justamente no Parlamento. Qual caminho tomarão? Em menos de uma semana anunciarão dois distintos. Uma mostra mais de um governo a onde reina a desorientação.

Desorientação essa que não faz mais que intensificar suas crises internas: RN saiu a criticas duramente a Lavin por sua má administração nesta crise, o que poderia implicar em sua renuncia, uma vez que a UDI saia a defende-lo e pedir a unidade da direita.

Seguindo o mesmo padrão exagerado, na Concertacion se fixou uma aliança Andrade-Ignacio Walker para reeditar o eixo DC-OS. Sim, o mesmo que fracassou. Com perspicácia, Carolina Tohá advertiu que se não se fortalece as identidades de centro e em especial de esquerda da Concertación, existe o risco que surja uma esquerda radicalizada. De forma pedante e machista, os dirigentes do PS lhe responderam dizendo que estava ansiosa.

A carta do Parlamento, que necessariamente deveriam lançar depois do anuncio de governo por decreto, não será fácil, devido as fortes discussões e buscas de acordos com grupos dentro de cada partido o que tencionará ainda mais os ânimos. Mas mais que isso, o que buscam é desmobilizar, tirar os que lutam das ruas. Conseguiram?

O significado das mudanças CONFECH

O movimento ascendente da luta, tem questionado em parte seus dirigentes da Concertacion e o PC (os representantes mais populares da CONFECH, da FEUC e da FECH), inclusive dirigentes do PC do Colégio de Profesores, que apenas queriam exigir demandas mínimas que permitissem uma rápida negociação e uma regulação do atual modelo de mercado. Foi ganhando força a voz da educação gratuita. Também ganhou força a voz das Universidades da região, mais precárias e empobrecidas.

Na última reunião da CONFECH se recusou Lavin como interlocutor anunciando a apresentação de uma carta diretamente ao presidente Piñera. Assim como afirmou a luta pela educação gratuita. Ainda que as formas de alcança-la seja a reivindicação de um plebiscito, que é um dos instrumentos menos democráticos da democracia (é apenas um sim ou um não – Lhe soa familiar? – sem espaço para deliberação e decisão direta) e é desmobilizador.

Mas não foi só isso: se confirmou a mudança da composição e representantes, com maior presença das Universidades das regiões.

Mas do que se tratam estas mudanças? Apesar de falar de problemas, de burocratismo e falta de representatividade, a estrutura de funcionamento da CONFECH não se modificou. Tão pouco as organizações de estudantes secundarista, que seguem divididas.

Nisto possuem culpa os coletivos populares: com seu discurso de não fazer política, mantém divididas as organizações. São grupos que oscilam entre políticas corretas, como a exigência a educação gratuita, e a manutenção de organizações já velhas para esta prova de forças que passa o movimento estudantil. O que faz falta, é o contrário, é avançar a um organismo único baseado na democracia direta estudantil, com delegados eleitos em assembleias e com mandatos, que multipliquem a força da luta e de suas organizações. E avance na luta por uma Segunda Reforma Universitaria e uma nova Escola Nacional Unificada (ENU).

A adesão dos trabalhadores deve transformar-se em força ativa. Nestes dias se anunciou novas lutas dos trabalhadores. Para o 14 de Julio, se anuncia uma paralisação da Federacion de Tabajadores Del Cobre que resgatara a demanda de nacionalização do Cobre. Para que a riqueza do Chile não fique nas mãos dos mesmos de sempre, deve ser renacionalizado sob controle operário. Se anuncia, também, uma paralisação portuária. E se mantém a paralisação dos trabalhadores precarisados de El Teniente.

É necessário avançar na unidade de estudantes com trabalhadores. Os trabalhadores mineiros convocarão uma paralização para o dia 11. Para o dia 14, a CONFECH fez um chamado a uma nova paralisação nacional. É preciso fazer uma paralisação unificado com mobilização dos trabalhadores mineiros, da educação, e do movimento estudantil secundarista e universitário como um passo para unidade efetiva.

É preciso por de pé um Comitê Nacional de Luta que discuta uma plano de luta unificado e avance para uma paralisação nacional, que entre suas demandas coloque a luta por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana baseada na mobilização do povo trabalhador.

3 de julio de 2011

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