FT-CI

Cinismo da ONU e seus capacetes azuis

As missões de paz que violam mulheres, meninas, meninos, a soberania e os Direitos Humanos

29/01/2010

Em julho de 2005, as tropas da ONU no Haiti dispararam contra a comunidade de Cité Soleil, causando um efeito devastador, deixando 22 mil feridos de bala e impedindo, mais tarde, a entrada da Cruz Vermelha em flagrante violação das normas internacionais. Em 22 de dezembro de 2006, também na Cité Soleil, as forças da ONU atacaram a população que se mobilizava, disparando desde helicópteros contra civis desarmados. Nessa ocasião, assassinaram 30 pessoas, entre elas, mulheres e crianças.

Apenas dois exemplos dos muitos sob o regime imposto pela missão da ONU no Haiti, onde as tropas internacionais da MINUSTAH têm sido acusadas, junto ã Polícia Nacional Haitiana de cometer execuções sumárias e prisões arbitrárias. Quantos serão os atropelos e crimes que cometerão esses mesmos soldados nos próximos meses, agora que o Haiti encontra-se mais devastado que antes? O governo Lula enviou, recentemente, facões, bombas de gás lacrimogêneo e armas de bala de borracha para “colaborar” com a “missão humanitária” que ocupa todas as manchetes dos jornais do mundo desde o terremoto.

Mas essas tropas não estão apenas no Haiti. Suas “missões de paz” e sua “ajuda humanitária” se estendem por todo o planeta, onde atuam como verdadeiras “forças de ocupação” imperialistas. E de todos os lados, levantam-se acusações contra as tropas que a ONU vestiu com capacetes azuis, em sinal de paz e amizade.

No ano de 2006, 63% das acusações contra as forças multinacionais dos capacetes azuis da ONU estavam relacionadas com delitos sexuais, abusos, violações, etc., e um terço das mesmas se referiam ã prostituição. No Haiti, os casos de meninas, meninos e mulheres prostituídas em troca de alimentos ou dinheiro, violadas e abusadas pelas tropas da MINUSTAH eram recorrentes, ainda que antes desta terrível tragédia que só deve ter piorado a trágica situação a que estão submetidas as pessoas desamparadas, órfãs e que perderam tudo durante o terremoto.

Na Libéria, a “missão de paz” da ONU foi acusada de aproveitar sua posição para oferecer benefícios aos mais pobres em troca de sexo, especialmente meninas e meninos. Na República do Congo, os soldados da ONU foram acusados de estar vinculados a uma rede de pedofilia e fala-se em 140 casos de exploração sexual. Em Kosovo, o escândalo provocado pela descoberta de que as tropas da ONU participavam de redes de prostituição de mulheres só durou o que duram as notícias nas primeiras páginas dos jornais. Na Costa do Marfim, denunciou-se que as tropas “humanitárias” não apenas submetiam sexualmente meninas e meninos em troca de alimentos, mas também produziam “pornografia infantil com meninos que estão especialmente desprotegidos como refugiados, órfãos ou meninos de rua”, segundo denunciaram alguns funcionários.

São conhecidas, também, acusações de violações no Paquistão, Uruguai, Marrocos, Tunísia, África do Sul e Nepal.

Como acontece na Igreja, nos exércitos de todo o mundo, entre os círculos de altos funcionários, magistrados e políticos que gozam de maior impunidade, todos os acusados que pertencem aos capacetes azuis ou missões da ONU são repatriados a seus países de origem, onde gozam de um retiro silencioso e sem julgamento. A ONU apenas recomenda congelar os salários de seus membros acusados de crimes sexuais, enquanto promove a “criação de um fundo para ajudar as mulheres e meninas que podem ter ficado grávidas”.

Um cinismo inaudito e repugnante. Acontece que, segundo um informe da ONU sobre o comportamento dos capacetes azuis, seus militares estão cheios de “disfunções” e “as medidas adotadas durante os últimos anos para erradicar essa cultura sexual permissiva não têm sido suficientes”. Enquanto isso, milhares de meninas, meninos e mulheres violadas, abusadas, golpeadas e reprimidas, continuam sobrevivendo em suas pobres terras dizimadas e espoliadas pelo imperialismo, pelas guerras e pela destruição que as classes dominantes impõem. E devem fazê-lo sob as piores condições e levando em seus corpos e suas almas as feridas que as “missões de paz” deixaram marcadas a fogo com seus crimes contra a humanidade.

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Jornais

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)