FT-CI

Brasil

Armínio Fraga “versus” Dilma Rousseff : entre o ajuste “suave”, o desemprego e a inflação

21/10/2014

Armínio Fraga “versus” Dilma Rousseff : entre o ajuste “suave”, o desemprego e a inflação

Com a polarização PT e PSDB no segundo turno, volta ã cena o debate sobre os programas econômicos de Dilma e Aécio: Salário mínimo, emprego e busca pela “confiança dos mercados” são termos do momento neste debate. Novamente, nenhuma palavra sobre os ajustes e a flexibilização dos direitos dos trabalhadores, que ambos candidatos farão para atender aos interesses do lucro dos capitalistas. Mas a verdadeira garantia do nível de emprego e do salário digno virá pelas lutas e pela organização dos trabalhadores e do povo pobre.

Nesta última semana, as trocas de farpas entre Dilma e Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do governo de Fernando Henrique Cardoso, deram o tom do debate econômico frente ao segundo turno. A política do salário mínimo, as metas de inflação e a continuidade de gastos sociais como o Bolsa Família foram os alvos principais.

Armínio Fraga, secretário econômico de Aécio Neves, fala em “ajuste suave” em dois a três anos, com corte nos gastos do governo (pois “há muita gordura para queimar”). Isso, na prática, implica em mais dinheiro para a dívida pública, privatizações e os chamados “cortes nos subsídios”, junto ã abertura de mercado para as relações de comércio com EUA, Europa e China. Segundo o “futuro ministro” do PSDB, o “círculo virtuoso” de 1999 levou o Brasil ao crescimento de 0,25% com a aplicação de forte corte nos gastos públicos (chamado ajuste fiscal), escondendo que, neste mesmo ano, o país passava por um dos mais altos índices de desemprego dos anos 1990, 11% de desemprego com mais de 8,2 milhões de desempregados [1]

A estratégia de Dilma e do PT aposta em comparar Aécio Neves a FHC, dando especial destaque aos elevados índices de desemprego do antigo governo tucano. Também se utilizam de forma demagógica da redução relativa da miséria em algumas regiões do país e do aumento real do salário mínimo como mostras de que a “Era do PT” no poder gerou “benefícios” para os mais pobres e os trabalhadores. O que escondem é que seguem a mesma orientação de política econômica do PSDB. Continuam o respeito ao sagrado tripé econômico de orientação neoliberal do FMI (aplicado durante a crise dos anos 1990 pelo governo FHC de Armínio Fraga) e formado pela combinação de altas taxas de juros, grandes reservas de bilhões de dólares para pagamento da dívida pública (superávit primário), além das taxa de câmbio valorizado – que tornam os produtos importados mais baratos.

Porém é preciso desmistificar o discurso petista, que oculta, por trás da propaganda do “medo dos fantasmas do passado de FHC”, que o crescimento da renda nacional e a queda do desemprego em seus 12 anos de governo ocorreram por uma situação excepcional na economia mundial com a alta dos preços dos produtos agrícolas exportados pelo país (as commodities) e elevada entrada de capital estrangeiro. Além do que o emprego gerado neste período tem a marca da precarização, da terceirização e da alta rotatividade no emprego. O trabalho precário é a contracara dos índices atuais oficiais de desemprego de 5% (para o mês de agosto).

Desemprego

Segundo a fonte dos dados é o DIEESE, cujos critérios levam mais em consideração o trabalho precário, para as regiões metropolitanas, onde se concentram a maior concentração de trabalhadores urbanos no país, os índices de desemprego para o mês de junho ultrapassaram os 10% na maioria das regiões. Na região metropolitana de Salvador o desemprego atinge 18,2% da população em idade para trabalhar, e na região metropolitana de SP o índice é de 11,3%. A média nacional, para estas regiões é de 10,8% de desempregados, ou seja, mais que o dobro do índice propagandeado oficialmente pelo governo, baseado no IBGE.

Na indústria, o emprego continua em forte queda. No acumulado do ano a queda é de 2,7%, com destaque para o estado de SP, onde a redução alcança quase 5%, atingindo 15 dos 18 ramos de atividade industriais do país. Na comparação de agosto deste ano com agosto de 2013, o emprego na indústria teve queda de 9% no setor de calçados, e 7,5% para o setor de meios de transportes e aparelhos eletroeletrônicos, além dos setor metalúrgico que apresentou queda de 5,5%. [2]

Inflação e aumento de tarifas

A inflação dos alimentos foi um tema explorado pela campanha do PSDB de forma desavergonhada a partir de declaração de secretário do governo Dilma que sugeria implicitamente que a população diante do aumento do preço da carne bovina, a trocasse por frango e ovos [3]. A cesta básica não para de crescer. Em SP custa em média 50% do salário mínimo, de R$ 724,00. Em agosto, o salário mínimo necessário era de R$ 2.861,55. 9,15%.

O preço dos alimentos essenciais como as carnes e o leite, são os que mais cresceram para o mês de setembro, o que pesa todo mês nas compras dos trabalhadores. Para os mais pobres, a inflação de alimentos e nas tarifas de energia reduz a capacidade de compra dos salários, que já são muito baixos. Disso pouco se diz nas propagandas dos candidatos, que preparam ajustes como aumento das tarifas de energia para o próximo ano.

FMI e ajustes

Recentemente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) lançou a projeção do crescimento da economia brasileira, reafirmando a estagnação na economia com o crescimento de apenas 0,3%. O FMI busca pressionar o Brasil para aplicar, independente do governo que for eleito, os ajustes “necessários” para o crescimento da economia, ou melhor, para os lucros dos empresários e dos bancos internacionais e nacionais, como o Itaú e o Bradesco que apresentam lucros recordes na década petista.

Estes ajustes se traduzem em cortes nos gastos públicos (“ajuste fiscal”), aumento da meta do superávit primário (hoje a meta do governo Dilma está em 99 bilhões de reais ou 1,9% do PIB – ou seja, 1,9% a menos de verbas para os gastos sociais), aumento nas tarifas de energia e preços como os combustíveis.

PT e PSDB já estão juntos para aplicaram os aumentos das tarifas: no Rio de Janeiro foi autorizado pelo governo federal o aumento na tarifa programada de energia em 25%, a empresa responsável no Rio é a Light que é de propriedade da Cemig (empresa estatal de Minas Gerais, estado até este ano governado pelo PSDB de Aécio).

Nem Dilma, nem Aécio: voto nulo para fortalecer a luta dos trabalhadores

O debate entre PT e PSDB na economia, passa longe de discutir os temas que interessam aos trabalhadores. O desemprego só aparece para o marketing político de Dilma, mas não se diz nenhuma palavra sobre as demissões na indústria que continuam crescendo para a maior parte dos ramos industriais, com os anúncios de férias coletivas e planos de demissões voluntárias (PDVs) na indústria automobilística e de autopeças, além do aumento relativo do desemprego nas regiões metropolitanas de todo o país.

A precarização do trabalho e flexibilização dos direitos trabalhistas não é um problema para ambos os candidatos da burguesia, que sabem ser esta uma condição necessária para o crescimento e a manutenção dos lucros dos empresários.

Ao contrário do que afirma a propaganda petista neste segundo turno, a única garantia de que se impeçam o aumento do desemprego, dos preços dos alimentos, serviços e tarifas e o arrocho salarial, não é a eleição de Dilma, ou trocá-la por Aécio Neves; a resposta a estes ataques que virão, está na mobilização e na organização independente dos trabalhadores e do povo pobre. O que é preciso é que os trabalhadores construam sua própria alternativa, com um programa político independente dos interesses dos lucros dos patrões, do FMI, e dos governos.

O voto nulo é essencial para debilitar qualquer um dos dois candidatos que seja eleitos, condição fundamental para as lutas que precisaremos travar contra os ajustes que virão.

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Periódicos

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)