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ELEIÇÕES ARGENTINAS

A importância internacional das eleições na esquerda argentina

31/07/2015

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A Frente de Esquerda e dos Trabalhadores na Argentina ganhou relevância para a esquerda internacional nos últimos anos por ter conquistado uma projeção eleitoral poucas vezes conhecida para uma clara defesa da independência política dos trabalhadores em relação ã burguesia, ao mesmo tempo em que desenvolve uma militância nas fábricas e serviços estratégicos que encarna essa perspectiva numa vanguarda operária que protagoniza batalhas da luta de classes de dimensão nacional e começa a desafiar o poder da burocracia sindical. Essa experiência oferece um caminho alternativo aos que estão se decepcionando com a chamada “nova esquerda europeia”, seja a que existe na Grécia com o governo do Syriza de Tsipras ou a que existe no Estado Espanhol com o “Podemos” de Pablo Iglesias. A importância internacional das eleições na esquerda argentina.

No dia 9 de agosto se realizarão as Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO) na Argentina. Muitos países não têm essa instituição, que dois meses antes das eleições gerais submete ã escolha dos eleitores quais candidatos irão concorrer efetivamente aos cargos em nome de cada força política. Uma lei criada com o objetivo de prejudicar a esquerda ao exigir 1,5% dos votos para concorrer nas eleições gerais e reforçar os mecanismos de ingerência do Estado sobre a vida internas dos partidos e coligações.

As PASO instituem que caso as coligações partidárias não cheguem a um acordo sobre os nomes que deverão concorrer em nas eleições gerais, a escolha dos candidatos deve ser submetida ao voto através de distintas listas que competem entre si frente a seu eleitorado. Pela primeira vez desde que foi fundada em 2011, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, por suas iniciais em espanhol) se apresentará nas PASO com uma disputa interna.

Emerge uma expressão política da vanguarda operária

A “Lista 1A – Renovar e fortalecer a Frente de Esquerda”, impulsionada pelo Partido de Trabalhadores Socialistas (PTS), leva como pré-candidato a presidente a Nicolás Del Caño, um jovem trabalhador precário de 35 anos que foi eleito deputado federal e ficou conhecido por renunciar ao salário que recebe todo parlamentar, ganhando o mesmo que uma professora e doando o restante para as lutas sociais.Tendo recebido 17% dos votos para prefeito nas eleições para a capital de um dos principais estados do país, ganhando o candidato peronista apoiado pela presidente da república, Nicolás éacompanhado por 1.800 candidatos, com uma importante presençade candidatos operários estruturados nas principais concentrações fabris e serviços estratégicos do país.

Os candidatos operários da Lista 1A não são somente os militantes do PTS. São trabalhadores independentes que vêm de protagonizar batalhas da luta de classes que marcaram este país nos últimos anos, e que pela primeira vez estão assumindo para si a tarefa de não somente defender os interesses de seus colegas de trabalho, mas também de buscar responder aos anseios do povo explorado e oprimido na escala dos municípios, dos estados e em nível nacional. Trata-se de um salto de qualidade na construção de uma nova militância política da classe operária, na qual a vanguarda operária que está na linha de frente das batalhas da luta de classes se propõem a ser também tribunos de setores de massas nas fábricas, nas escolas e nos bairros proletários, envolvendo seus colegas de trabalho, amigos, famílias e vizinhos.

Estão presentes na Lista 1A de Nicolás Del Caño os operários que em 2014 ficaram conhecidos em toda a Argentina como “os indomáveis de Lear”. Adjetivo conquistado por terem protagonizado uma luta de mais de sete meses contra demissões em massa nessa multinacional de autopeças, e que foi definida por analistas burgueses como “o principal conflito do ano”. Integram a Lista1A cinquenta operários gráficos da ex-Donneley. Os mesmos que no ano passado, frente ao abandono desta gráfica multinacional por parte dos patrões, a ocuparam e colocaram para produzir sob controle dos trabalhadores, transformando-a em um centro de organização da vanguarda operária da Zona Norte da Grande Buenos Aires – o coração industrial do país – enquanto seguem a luta por sua expropriação. E somam-se 61 candidatos trabalhadores da indústria de alimentação, além de muitos outros operários em todo o país, dentre os quais se destacam de Zanon, emblemática fábrica de cerâmicas que desde 2001 se encontra sob administração dos trabalhadores; e Alejandro Vilca, gari de limpeza urbana que no extremo norte aparece com 10% das intenções de voto a governador nas pesquisas de opinião.

Essa fusão entre a projeção de uma nova geração de políticos da classe trabalhadora que estabelecem uma relação orgânica com as lutas sociais, que marca o cotidiano da Lista 1A, se expressou simbolicamente quando Nicolás Del Caño se fez conhecido por ter sido alvejado pela polícia com 9 balas de borracha enquanto estava junto aos trabalhadores indomáveis de Lear que cortavam a principal rodovia do país contra as demissões.

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A centralidade das mulheres na política revolucionária

Na busca por expressar não somente os trabalhadores em suas lutas mas também os setores sociais mais oprimidos pelo capitalismo, a Lista 1A tem a particularidade de contar com uma forte presença de mulheres, ao ponto de na cidade de Buenos Aires alcançar 70% de candidatas; ã diferença de todas as demais listas que têm dificuldades para superar o mínimo de 30% de cota feminina exigido por lei.

Essa força das mulheres expressa a batalha da agrupação feminista socialista Pão e Rosas contra a opressão de gênero no dia a dia das organizações de massas da classe trabalhadora. Que se traduz também na pré-candidata a vice-presidente Myriam Bregman, quem integra a fórmula junto com Del Caño. Deputada federal, Myriam é uma reconhecida referente de organismos de direitos humanos no país, responsável por vários processos contra genocidas da ditadura militar.

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O rechaço ã unidade por parte do Partido Obrero

Desde meados de 2014 o Partido Obrero começou a anunciar a candidatura de Jorge Altamira ã presidência da República em nome da FIT. Altamira, que já apresentou-se como candidato a presidente em várias eleições desde 1989 e foi eleito legislador da cidade de Buenos Aires em 2000,projetou-se como uma das figuras da esquerda mais conhecidas em nível nacional depois do levante popular de 19 e 20 de dezembro de 2001 na Argentina. Naquele momento, a recessão e o desemprego em massa deram lugar a um forte movimento social de desempregados que ficou conhecido como “movimento piqueteiro”. O PO, em uma frente com outras organizações desse movimento, chegou a mobilizar milhares de desempregados através da gestão dos planos de assistência social fornecidos pelo Estado, projetando-se como um dos partidos de esquerda mais conhecido do país.

Ao final de 2014, o PTS, para expressar as enormes lutas de Lear e Donneley, e apostando na nacionalização dos êxitos de Mendoza, onde a FIT conquistou o apoio de amplos setores de massas da juventude trabalhadora, o PTS lançou a pré-candidatura de Nicolás Del Caño para presidente. O lançamento das pré-candidaturas de ambos partidos não impediu que fossem acordadas listas comuns de ambos partidos nas várias eleições estaduais que houveram no primeiro semestre de 2015.

Um mês antes de que todos os partidos e coligações concluíssem suas listas eleitorais, quando ainda estava em aberto as negociações para avaliar a possibilidade de composição de uma lista comum da Frente de Esquerda, o Partido Obrero (PO) e a Izquierda Socialista lançaram a candidatura de Jorge Altamira ã presidência, indicando sua intenção de ir ás PASO numa lista separada do PTS.

Frente ã necessidade de unificar a artilharia da esquerda contra os candidatos capitalistas,para que a FIT pudesse unir o reconhecimento público do PO e seus principais dirigentes com a força da vanguarda operária, da juventude trabalhadora e das mulheres que se expressa no PTS, Nicolás Del Caño abriu mão de sua pré-candidatura presidencial e propôs ao PO compor uma lista unificada em que fosse candidato a vice-presidente de Altamira, utilizando o mesmo método que permitiu listas comuns em 2011 e 2013. Entretanto, o PO rechaçou a proposta unitária. Assim, surgiu “Lista 2U”, encabeçada por Altamira, que curiosamente chama-se“Unidade”.

Sem nenhuma explicação séria, o PO preferiu sacrificar o que indubitavelmente seria a fórmula mais forte para enfrentar os candidatos capitalistas,fazendo primar os interesses do seu aparato (seita) em detrimento dos interesses da classe.

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Uma frente eleitoral que expressa trajetórias e dinâmicas distintas

No momento em que o PO emergia como partido apoiando-se sobre o movimento piqueteiro, o PTS escolheu centrar sua construção no movimento operário, dedicando sua militância ás grandes lutas de Zanon e Brukman como processos mais avançados do amplo fenômeno de ocupações de fábricas e empresas que foram postas a funcionar sob controle dos trabalhadores como resposta ás demissões em massa. Seguindo essa orientação estratégica, o PTS dedicou-se a um lento, cinza e paciente esforço de estruturação de militantes revolucionários nas fábricas e serviços chaves. Como a classe trabalhadora ocupada estava golpeada pelo desemprego em massa e não cumpriu um papel protagonista nos levantes de 19 e 20 de dezembro de 2001, os frutos dessa escolha estratégica só puderam ser colhidos vários anos depois.

Com o fim da crise econômica e a consolidação do ciclo de crescimento econômico kirchnerista que marcou a última década, o PO passou a sofrer com o esvaziamento do movimento piqueteiro e da cooptação de parte importante do mesmo. Ao mesmo tempo, o PTS, batalhava para se fundir com o melhor da vanguarda proletária gerada pelo movimento que ficou conhecido como “sindicalismo de base”, conquistando uma importante estruturação em algumas das principais concentrações industriais e de serviços do país, colocando-se ã cabeça de várias organizações sindicais de base da classe trabalhadora.

A partir da emblemática luta da multinacional de alimentação Kraft-Foods em 2009, o PTS passou a ser reconhecido pelos próprios analistas da burguesia como um partido que “comia os calcanhares” da burocracia sindical, gerando crises e inclusive começando a desafiar seu poder em sindicatos chaves. Com o declínio do movimento piqueteiro, esse avanço do trotskismo em fusão com o sindicalismo combativo marca uma aproximação entre a força militante do PTS e do PO, ainda que desde o ponto de vista superestrutural o PO seguiu sendo um partido muito mais conhecido. Conhecimento esse que se viu amplificado pela morte de Mariano Ferreira, um estudante e militante do Partido Obrero que foi assassinado pela burocracia sindical em uma manifestação de terceirizados ferroviários em 2010.

Ao longo do anos de kirchnerismo, o PO buscou capitalizar eleitoralmente suas posições conquistadas com o movimento piqueteiro numa linha auto-proclamatória. Ao mesmo tempo, o PTS batalhava para colocar de pé uma frente eleitoral que lutasse pela independência política dos trabalhadores em relação ã burguesia. Apesar das sucessivas negativas do PO a aderir a esse chamado, em 2007 tal batalha deu lugar ã Frente de Esquerda Anticapitalista e Socialista (FITAS) como Movimento ao Socialismo (MAS), que em 2009 integrou também a Izquierda Socialista.

Em 2011, a instituição das PASO obrigou o PO a aceitar os chamados do PTS ã constituição de uma frente eleitoral de independência de classe, sob risco de não conseguir passar o piso de 1,5% dos votos exigidos para concorrer ás eleições gerais. A constituição dessa frente fortaleceu enormemente a visibilidade da esquerda no cenário político nacional. A média nacional de 5% dos votos obtida nas eleições legislativas de 2013, chegando a 8% ou 10% em algumas grandes cidades, elegendo três deputados federais e vários deputados estaduais e vereadores, transformou a FIT em um fator minoritário – mas existente – da vida política nacional, com visibilidade quase diária nos principais meios de comunicação de massa televisivos e impressos do país.

Entretanto, a forma como cada um dos partidos da Frente de Esquerda capitalizou esse salto em visibilidade nacional foi extremamente desigual. Enquanto o PO foi incapaz de forjar novas figuras públicas, tanto nas eleições de 2013 como nas eleições estaduais antecipadas que houveram no 1° semestre de 2015, as novas figuras públicas da esquerda que se projetaram nos estados são quase todas do PTS, como Noelia Barbeito em Mendoza, Raul Godoy em Neuquén, Octávio Crivaro em Santa Fé, Laura Vilches e Hernán “Bocha” Puddu em Córdoba etc. Apenas em Salta o PO conseguiu projetar o jovem Pablo Lópes, mas ainda assim não quiseram aproveitar sua eleição como deputado federal para promovê-lo como uma nova figura pública em nível nacional.

Essa mesma desigualdade se expressa também no movimento operário. Enquanto o PO foi e continua sendo incapaz de se fundir com os combatentes mais destacados da vanguarda operária do país, sendo obrigado a buscar alianças oportunistas com sindicalistas de esquerda para compensar essa debilidade, é devido ã fusão do PTS com a vanguarda operária que a Frente de Esquerda tem ganhado visibilidade como uma voz independente da burocracia sindical nas últimas paralisações nacionais que houveram na Argentina. Foram quatro paralisações nacionais contra medidas do segundo mandato de Cristina Kirchner, nas quais as ações combativas das estruturas operárias dirigidas pelo PTS colocaram seus principais referentes sindicais e políticos nos principais meios de comunicação do país como porta vozes da auto-organização dos trabalhadores em suas assembleias de base, da defesa dos trabalhadores mais precários, da denúncia do papel traidor da burocracia sindical ligada ao governo ou ã oposição de direita e de um plano de luta para desenvolver a mobilização dos trabalhadores por suas demandas.

Desta forma, na Lista 1A estão presentes dirigentes operários conhecidos por estar na linha de frente de duras batalhas, como o candidato a deputado do Parlasul Cláudio Dellacarbonara, que compõe a minoria do sindicato dos metroviários de Buenos Aires em oposição ã burocracia governista; o candidato a vice-governador do estado de Buenos Aires “Poke” Hermosilla, dirigente da Comissão Interna de Kraft-Foods; ou o candidato a deputado estadual de Buenos Aires Rubén Matu, delegado sindical “indomável”de Lear.

O que explica que os novos referentes da Frente de Esquerda sejam todos do PTS enquanto os do PO seguem sendo os que se apresentam desde a década de 80 é a política de alentar promoção de novas gerações organicamente ligadas ás principais lutas da classe trabalhadora.Esse novo salto do PTS passou a reduzir aceleradamente a distância que guarda com o PO também no terreno superestrutural.

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Duas listas, duas estratégias

Em detrimento da unidade com o PTS, o PO vem buscando a unidade com pequenos grupos populistas conhecidos por negar a luta pela independência política dos trabalhadores em relação ã burguesia.Para justificar essa política, o PO trata alianças eleitorais entre organizações políticas com programas distintos como se fossem alianças para ações em comum envolvendo setores de massa para a luta de classes.

Entretanto, alianças eleitorais com setores que negam a luta pela independência política dos trabalhadores só poderá enfraquecer essa que é uma das principais conquistas da FIT, como já vem se demonstrando quando os aliados populistas do PO integram ou apoiam forças políticas adversárias da Frente de Esquerda em distintos estados. Isso é completamente distinto de uma unidade na ação para a luta de classes, em que a chave é a mobilização de setores de massas para o combate contra os inimigos de classe, a qual o PTS sempre praticou e segue praticando, inclusive com os setores populistas que o PO busca apressadamente incluir dentro da FIT.

Essa divergência, em que o POutiliza a tradição revolucionária conhecida como “tática de frente única operária” para o terreno eleitoral, quando é mais do que evidente que sempre foi usada para o terreno da luta de classes, vem gerando um debate inclusive teórico na FIT, já que põe em risco seu programa de independência de classe.

É compreensível que os triunfos da FIT levem setores da esquerda inúmeras vezes derrotados em projetos de conciliação de classes a rever seus valores. Entretanto, se esse processo de aproximação precisa estar ligado a profundos debates de programa e estratégia e a uma experiência prática comum, como tem defendido o PTS.

Para compensar sua incapacidade de fundir-se com a vanguarda operária, o PO busca unir-se com caudilhos populistas e sindicalistas de esquerda, estando disposto a flexibilizar a luta pela independência política dos trabalhadores para alcançar esse objetivo. O PTS, num sentido inverso, busca na fusão com a vanguarda operária a força para que a luta pela independência política dos trabalhadores não seja apenas uma propaganda de grupos de esquerda que cumprem um papel meramente testemunhal na vida política nacional, mas sim que seja uma força material capaz de influir decisivamente nas grandes batalhas da luta de classes que atravessam o país.

Essa divergência no plano nacional tem seu correspondente no plano internacional. Como todas as organizações que subordinam os interesses da luta de classes aos de crescimento superestrutural de sua seita, o PO pratica um internacionalismo “de ocasião”, restrito a anunciar “conferências internacionais” de tantos em tantos anos que raramente se realizam e participar de atividades internacionais que fazem apologia da conciliação de classes, sendo incapaz de impulsionar campanhas em comum com os grupos que reivindica como parte de uma mesma organização internacional. O PTS, por sua vez, é parte do Esquerda Diário, uma rede internacional de diários digitais impulsionada pela Fração Trotskista – Quarta Internacional em espanhol, português, francês e inglês. Uma rede que mostra a batalha cotidiana pela fusão do marxismo revolucionário com a vanguarda operária e setores de massas em distintos países, impulsionando campanhas comuns que aportam para o surgimento de um novo internacionalismo prático.

Não está claro se o conhecimento do jovem Nicolás Del Caño em nível nacional vai avançar numa velocidade suficiente para superar o conhecimento de Jorge Altamira. Mas o que sim está claro é que, mesmo não superando, a campanha da Lista 1A – Renovar e fortalecer a Frente de Esquerda está assentando fortes bases para que siga avançando uma esquerda com forte enraizamento na classe operária e que luta pela independência política dos trabalhadores.

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Uma alternativa frente ã falência do Syriza do Podemos

A grande novidade que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores traz para a esquerda em todo mundo, e que como mínimo exige ser estudada com bastante cuidado, é a demonstração de que a luta pela independência política dos trabalhadores em relação ã burguesia não está condenada pela história a ser marginal. Contra o ceticismo que muitos setores de esquerda ainda alimentam em relação ã capacidade da classe trabalhadora de se constituir como um sujeito independente, a FIT vem demonstrando uma e outra vez que esse é um valor que pode ser de massas, e que inclusive vem superando inúmeros projetos de conciliação de classes.

Quando a combinação entre a projeção superestrutural dos referentes políticos da Frente de Esquerda e a capacidade de mobilização dos militantes operários do PTS e de outras organizações permite que nas paralisações nacionais contra o governo de Cristina tenha visibilidade nacional uma voz alternativa ã burocracia sindical, está se preparando as condições para que os ataques da burguesia e do imperialismo não só sejam derrotados,mas coloquem na ordem do dia uma capacidade de combate da classe operária que faça possível a revolução.

Por agora, tratam-se apenas de preparações embrionárias, ainda numa situação que não está marcada por crises agudas nem tampouco por duros ataques ás condições de vida das massas. Mas que apontam o único caminho possível para construir uma esquerda que não vá capitular frente ao imperialismo, como agora está fazendo o Syriza na Grécia; e nem tampouco se aliar com a podre e corrupta socialdemocracia espanhola para governar, como está fazendo o Podemos.

Esse “novo reformismo” europeu revigorou a utopia da conciliação com a burguesia e da diluição da classe trabalhadora dentre múltiplos setores sociais como forma da esquerda sair da marginalidade e chegar ao poder. Mas Angela Merkel, utilizando o povo grego como exemplo, está mostrando mais uma vez que esse caminho, por mais que num primeiro momento possa parecer algo auspicioso, não passa de um beco sem saída.

Para verdadeiramente impedir os ataques que a burguesia precisa descarregar para recuperar-se da histórica crise econômica mundial em curso, para impedir que o desgaste de governos reformistas terminem em alternativas ã direita, é necessário construir uma esquerda onde a projeção superestrutural – seja ela parlamentar ou sindical – esteja a serviço de forjar uma militância operária nas fábricas e serviços estratégicos que se coloque na vanguarda das grandes batalhas da luta de classes, não só em escala nacional mas também internacional. Essa é uma pré-condição essencial para que as etapas preparatórias nos períodos não revolucionários possam estar a serviço dos combates decisivos entre a revolução e a contrarrevolução.As batalhas do PTS como parte da Frente de Esquerda buscam deixar lições para trilhar esse caminho.

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