FT-CI

Chile

A Marcha do dia 11: O velho e o novo

17/09/2011

Por Nicolás Miranda, Clase contra Clase Chile

Comentário político semanal do PTR-CcC (Partido de Trabalhadores Revolucionários, Classe contra Classe, organização irmã da Ler-qi no Chile)

A marcha do dia 11 de setembro em comemoração contra o golpe mobilizou cerca de 10.000 pessoas. Como se fosse um ano a mais. Mas não o é: é o ano da luta contra a herança da ditadura aprofundada primeiro pela Concertación e agora pela direita, em especial na educação e o negócio em benefício dos empresários que a transformaram. No entanto, nem as direções majoritárias da CONFECH, a CONES, o colégio de Professores, e inclusive a ACES, tem feito algo para que se expresse a luta nesta marcha: nenhuma destas organizações chamou ativamente a mobilizar-se, não convocou e nem sequer sacaram uma bandeira. Buscaram afogar a voz que está se levantando contra a herança da ditadura. É parte de sua política de esfriar tudo: se ontem o governo sentou com eles para negociar, hoje começam a ajoelhar-se. No entanto, a luta é profunda e a voz de quem quer seguir esta luta até o final se faz sentir, o que obrigou (na última reunião da CONFECH em Talca) uma maioria de 21 federações contra 10 votar que a luta é pela educação gratuita. Mas é uma das heranças da ditadura: para terminar com toda a herança pinochetista, devemos, partindo do piso mínimo de educação gratuita agora, avançar a lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana baseada na mobilização dos trabalhadores e do povo. Ainda que as direções majoritárias, das JJCC e da Concertación, e dos coletivos populistas que atuam a sua sombra, somente podem favorecer ao governo.

A direita e suas provocações

No último conselho Geral de RN, o partido de Piñera, o senador Espina, desqualificou como “rústicos de esquerda” aos que levantam a necessidade de terminar com o lucro na educação. E reafirmou sua política de defesa ao lucro. Aqui, novamente, aparece o piso mínimo do governo.

Por que o governo e a direita seguem provocando?

As enquetes internas que manipula La Moneda, assim com as declarações do dono da “empresa que realiza pesquisas de opinião” Adimark (a mesma que acaba de cifrar os 27% do povo ao Governo) estariam marcando um aumento deste apoio (dizem que de 40%). Explicam por dois motivos: um, do acidente com Juan Fernandez (ajudado pelos meios de comunicação que há uma semana não falam quase de outra coisa). O outro motivo, seria a mostra de abertura ao dialógo a partir da reunião de Piñera no sábado 3/9 com os dirigentes da CONFECH, CONES, Colegio de Professores e reitores. Nesta política, estão sendo ajudados pelas direções majoritárias destes organismos

As direções majoritárias da luta: JJCC começam a preparar a entrega

As direções majoritárias (JJCC, pró Concertaciòn, Autonomos, coletivos populares) vem buscando esfriar a luta. Não chamam abertamente a desmobilizar-se, ainda. Mas buscam esfriar. Gerando confusão (quando chamaram primeiro a não marcha, e depois se retrataram na quinta feira 8/9; não convocando a mobilizar-se esse domindo 11/09; etc). Ter aceitado a reunião com Piñera somente para transparecer o que já estava transparente, em vez de aprofundar a luta estabelecendo nosso piso mínino para negociar, de educação gratuita agora, foi a chave para começar a esfriar tudo. Dizem que há desgaste. O que há, é essa política que estão desenvolvendo.

E agora dão um passo a mais. Camila Vallejos começa a preparar mais ativamente uma entrega, desde que declarou “Isto é uma guerra de quatro anos e se somos jovens comprometidos nós vamos ter que levantar novamente no próximo ano, se tivermos uma derrota”, assinalou Camila Vallejo durante uma entrevista com a agencia Ansa. “Aquí vai se refletir se há ou não amadurecimento do movimento estudantil. E isso é importante entender porque além disso quando se levantam temas tão profundos como as mudanças do sistema político, isso não se alcança em um ano com uma mobilização, por mais massiva que seja”, comentou a presidenta da Fech’” (La Tercera, 11/09).

Por sua vez, os coletivos populistas que falam de educação gratuita, não dão um só passo prático para agrupar os milhares de estudantes de base que reclamam esse direito, se limitam a uma votação por cima na CONFECH; ao mesmo tempo em que garantem seu funcionamento burocrático: como vimos, ainda que a última CONFCHE em Talca tenha votado majoritariamente pela educação gratuita, a declaração final de Vallejos e Jackson não tiveram esse eixo.

Entende-se: o PC não está disposto a terminar com toda a herança da ditadura. Justamente nesses dias, negocia com os partidos que a aprofundaram: estão buscando novamente acordos eleitorais com a Concertación para as eleições municipais de 2012.

Entretanto, precisamente por ser “temas tão profundos”, que é necessário avançar em conquistas um piso mínimo de educação gratuita agora, que seja um ponto de apoio para começar e terminar com a herança pinochetista.

A herança pinocherista arruina a vida dos estudantes, dos trabalhadores e do povo. Pela educação gratruita agora, e uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana baseada na mobilização do povo

Nesses días vimos também que a educação é só uma das heranças do pinocherismo. Outra é a saúde, que tambem transformaram em um negócio arruinando milhões do povo trabalhador: as ISAPRES declararam que seus lucros aumentaram em 70%. Enquanto que a saúde está segregada em uma para os ricos e outra para os pobres: os que mais tem, tem uma melhor assistência médica, os que tem menos, uma pior; apesar de descontarem por volta de 7% por mês de nossos salarios, temos que pagar alto para sermos atendidos.

A luta deve partir por um piso mínimo de educação gratuita agora, e transformar-se assim em um ponto de apoio para avançar na luta contra toda a herança pinochetista.

Para avançar nessa luta, os trotskistas do Partido dos Trabalhadores Revolucionários – Classe contra Classe/ PTR-CcC, lutamos por uma República dos trabalhadores, baseada em seus organismos de democracia direta, que termine com a exploração e a opressão, a entrega de nossas riquezas naturais, os salários de fome, o autoritarismo do regime político, o Parlamento de parlamentares com salários milionários que fazem leis para os patrões, a educação-saúde-moradias como negócios de costas ao povo trabalhador. Muitos ainda não estão convencidos desta luta, com eles devemos lutar por uma Assembléia Constituinte Livre e Soberana baseada na mobilização, para começar a discutir todos os problemas com que os patrões e seus políticos da direita e da Concertacion golpeiam os estudantes, os trabalhadores e a juventude explorada e oprimida, e, no imediato, não entregar a negociação desta luta ao Parlamento binominal das leis patronais.

15-09-2011

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