FT-CI

Brasil

5 pontos fundamentais no debate sobre a reforma política

08/12/2014

5 pontos fundamentais no debate sobre a reforma política

1. O que se discute sobre a reforma política é que ela é necessária para corrigir distorções do atual sistema político e melhorar alguns pontos. Que a fragmentação partidária é que aumenta a corrupção, pois o partido do governo eleito para ser maioria no congresso tem que formar alianças com vários outros partidos, um regime chamado pelos sociólogos de “presidencialismo de coalização”. Que se o financiamento das campanhas fossem públicos os grandes capitalistas deixariam de controlar os políticos. São temas discutidos há muito tempo no congresso, e se agora entram na agenda política é pela pressão das manifestações de junho, e do desgaste provocado pelo novo escândalo de corrupção da Petrobrás. Com medo da revolta popular, o congresso pode aprovar algumas mudanças na legislação eleitoral na tentativa de melhorar a sua imagem bastante desgastada.

2. A CUT e os movimentos sociais governistas falam de uma reforma política que não seja feita pelos atuais políticos e sim por uma constituinte especifica para alterar o sistema político. Falam que isso aumentaria o protagonismo popular, que mudando alguns pontos de como se elegem os candidatos o PT não ficaria mais refém dos pactos com o PMDB. Também neste caso, o discurso responde ã pressão da nova situação. Depois das manifestações de junho, os trabalhadores passaram por cima das direções mafiosas dos sindicatos em algumas greves sintomáticas. O sindicalismo petista faz a campanha do plebiscito pela reforma política para se cobrir pela esquerda e conter a crise de legitimidade das direções sindicais petistas. Enquanto isso, pactua com as patronais as medidas de ajuste contra os trabalhadores e pisoteia a democracia operária nos sindicatos que controla.

3. Principal partido de oposição ao governo, o PSOL se soma a campanha do plebiscito pela reforma política, depois das suas principais figuras declararem apoio a Dilma no segundo turno, em nome da luta contra a direita. Ao apoiar as iniciativas do governo pela reforma política e participar de atos em defesa do governo e pela reforma política, o PSOL na prática abre mão da revolução democrática que diz defender em seu programa partidário. Sua atuação fortalece a campanha da CUT e dos movimentos sociais governistas e a política de autoreforma do regime, de mudar algumas regras sem mudar o fundamental. A crítica do PSTU ao PSOL não vai ao fundamental. Em recente texto, Valerio Arcary critica a tática deste partido, pois não seria o momento adequado de levantar a bandeira da reforma política e sim bandeiras sociais pela saúde educação e em defesa do salário. Ao mesmo tempo em que é uma posição abstencionista que não apresenta combate aos privilégios da casta política, não faz uma critica profunda ã proposta de reforma política do governo e ao PSOL, que se coloca como ala esquerda da política governista.

4. O governo, sob o regime capitalista, é um comitê que administra os negócios conjuntos de toda a classe capitalista. Isso é verdade tanto para uma ditadura – e não faltam exemplos no Brasil da ligação entre os militares e os empresários durante a ditadura, e também para os regimes democráticos. Em todas as democracias capitalistas, seja qual for a legislação eleitoral, a burguesia utiliza o mecanismo da corrupção e dos privilégios legais para garantir o seu domínio e remunerar os governantes que administram seus “negócios conjuntos”. A nomeação do novo ministério de Dilma, entregando o ministério da fazenda para um executivo do Bradesco e o ministério da agricultura para uma latifundiária, é uma homenagem a essa definição marxista dos governos democráticos burgueses e mostra toda a sua atualidade. Mudanças na legislação eleitoral não vão mudar essa realidade. Seja qual forem as regras eleitorais, o predomínio dos capitalistas sobre o estado sempre encontrara uma forma para se reafirmar.

5. Para acabar com a corrupção e os privilégios da casta política é preciso inverter a situação atual em que uma minoria governa a maioria. Defendemos que as maiorias trabalhadoras sejam quem governe o país. Tal como foi a Comuna de Paris em 1871, primeiro governo operário da história, que destruiu as forças de repressão do estado que foram substituídas pelos trabalhadores em armas. A comuna se constituiu como uma assembleia única, sem a figura do presidente, que ao mesmo tempo era o legislativo e o executivo. Cada deputado da comuna, assim como todos os funcionários do novo estado de trabalhadores, não ganhava mais do que o salário médio de um operário e poderiam ser substitutivos a qualquer momento pelo povo que o elegeu. Acompanhamos as lutas dos trabalhadores e a juventude contra os aspectos mais antidemocráticos do atual regime, como a impossibilidade das organizações sindicais e movimentos sociais lançarem seus próprios candidatos. Mas uma saída de fundo só poderá ser alcançada por um verdadeiro governo dos trabalhadores.

Notas relacionadas

No hay comentarios a esta nota

Periódicos

  • EDITORIAL

    PTS (Argentina)

  • Actualidad Nacional

    MTS (México)

  • EDITORIAL

    LTS (Venezuela)

  • DOSSIER : Leur démocratie et la nôtre

    CCR NPA (Francia)

  • ContraCorriente Nro42 Suplemento Especial

    Clase contra Clase (Estado Español)

  • Movimento Operário

    MRT (Brasil)

  • LOR-CI (Bolivia) Bolivia Liga Obrera Revolucionaria - Cuarta Internacional Palabra Obrera Abril-Mayo Año 2014 

Ante la entrega de nuestros sindicatos al gobierno

1° de Mayo

Reagrupar y defender la independencia política de los trabajadores Abril-Mayo de 2014 Por derecha y por izquierda

La proimperialista Ley Minera del MAS en la picota

    LOR-CI (Bolivia)

  • PTR (Chile) chile Partido de Trabajadores Revolucionarios Clase contra Clase 

En las recientes elecciones presidenciales, Bachelet alcanzó el 47% de los votos, y Matthei el 25%: deberán pasar a segunda vuelta. La participación electoral fue de solo el 50%. La votación de Bachelet, representa apenas el 22% del total de votantes. 

¿Pero se podrá avanzar en las reformas (cosméticas) anunciadas en su programa? Y en caso de poder hacerlo, ¿serán tales como se esperan en “la calle”? Editorial El Gobierno, el Parlamento y la calle

    PTR (Chile)

  • RIO (Alemania) RIO (Alemania) Revolutionäre Internationalistische Organisation Klasse gegen Klasse 

Nieder mit der EU des Kapitals!

Die Europäische Union präsentiert sich als Vereinigung Europas. Doch diese imperialistische Allianz hilft dem deutschen Kapital, andere Teile Europas und der Welt zu unterwerfen. MarxistInnen kämpfen für die Vereinigten Sozialistischen Staaten von Europa! 

Widerstand im Spanischen Staat 

Am 15. Mai 2011 begannen Jugendliche im Spanischen Staat, öffentliche Plätze zu besetzen. Drei Jahre später, am 22. März 2014, demonstrierten Hunderttausende in Madrid. Was hat sich in diesen drei Jahren verändert? Editorial Nieder mit der EU des Kapitals!

    RIO (Alemania)

  • Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica) Costa Rica LRS En Clave Revolucionaria Noviembre Año 2013 N° 25 

Los cuatro años de gobierno de Laura Chinchilla han estado marcados por la retórica “nacionalista” en relación a Nicaragua: en la primera parte de su mandato prácticamente todo su “plan de gobierno” se centró en la “defensa” de la llamada Isla Calero, para posteriormente, en la etapa final de su administración, centrar su discurso en la “defensa” del conjunto de la provincia de Guanacaste que reclama el gobierno de Daniel Ortega como propia. Solo los abundantes escándalos de corrupción, relacionados con la Autopista San José-Caldera, los casos de ministros que no pagaban impuestos, así como el robo a mansalva durante los trabajos de construcción de la Trocha Fronteriza 1856 le pusieron límite a la retórica del equipo de gobierno, que claramente apostó a rivalizar con el vecino país del norte para encubrir sus negocios al amparo del Estado. martes, 19 de noviembre de 2013 Chovinismo y militarismo en Costa Rica bajo el paraguas del conflicto fronterizo con Nicaragua

    Liga de la Revolución Socialista (LRS - Costa Rica)

  • Grupo de la FT-CI (Uruguay) Uruguay Grupo de la FT-CI Estrategia Revolucionaria 

El año que termina estuvo signado por la mayor conflictividad laboral en más de 15 años. Si bien finalmente la mayoría de los grupos en la negociación salarial parecen llegar a un acuerdo (aún falta cerrar metalúrgicos y otros menos importantes), los mismos son un buen final para el gobierno, ya que, gracias a sus maniobras (y las de la burocracia sindical) pudieron encausar la discusión dentro de los marcos del tope salarial estipulado por el Poder Ejecutivo, utilizando la movilización controlada en los marcos salariales como factor de presión ante las patronales más duras que pujaban por el “0%” de aumento. Entre la lucha de clases, la represión, y las discusiones de los de arriba Construyamos una alternativa revolucionaria para los trabajadores y la juventud

    Grupo de la FT-CI (Uruguay)